[Estreia] Hyzer lança Ozone pelo Rimas e Batidas

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

A hierarquia na música é cíclica. São raros os artistas que aguentam anos e anos seguidos no topo da indústria e, quando atingem o auge da sua carreira, a primeira coisa que nos vem à cabeça é quem os irá substituir no trono. Para facilitar um pouco as coisas e deixar “tudo em família”, é natural vermos os nomes mais influentes a criar as suas próprias linhagens de “herdeiros”.

Artistas como ProfJam ou Branko estão, de maneiras diferentes, a fazer o mesmo que Kendrick Lamar faz na TDE ou J. Cole na Dreamville: depois de alcançarem o sucesso a solo criam uma espécie de curadoria artística de novatos que facilmente identificamos como sucessores lógicos das obras deixadas pelos seus mestres.

Apesar de se tratar de um caso muito recente na produção de hip hop, Hyzer já começa a dar sinais de ter um lugar estabelecido nesta teia, tendo sido recentemente acolhido por 11 LIT3S. Com apenas 19 anos, Hyzer assina produções de elevado grau de maturidade que partilha com regularidade no seu SoundCloud, tendo dessa forma chamado a atenção do artista de Viseu que já possui projecção internacional. “RIRI” e “FAVORES”, dois dos mais recentes temas de 11 LIT3S, têm co-produção do prodigioso beatmaker de Cantanhede que é um confesso admirador da nova e gélida vaga de produtores a surgir de Toronto, Canadá, com Eestbound e Wondagurl à cabeça.

Ozone, o seu EP de estreia, sai com o carimbo do Rimas e Batidas e lança desde logo o nome de Hyzer para a lista de talentos a seguir de perto em 2019.

 



Antes de mais, gostava que te apresentasses. Quem é e de onde vem a pessoa que dá vida ao projecto Hyzer?

O meu nome é Iuri Peixoto, tenho 19 anos e sou de Cantanhede.

Qual é o teu background musical? Sempre tiveste ligação ao hip hop ou viajaste por outros registos até dares com ele?

Inicialmente as minhas preferências musicais eram rock, metal e blues. O hip hop surgiu há 3 anos quando ouvi na totalidade um álbum de um artista que admiro imenso, que é o Mac Miller. Esse projecto do Mac despertou-me para este estilo musical.

Quando começa o projecto Hyzer? Lembras-te de como eram e do que te fez assinar as primeiras batidas?

O projecto Hyzer começou há cerca de 2 anos quando fui viver num apartamento onde não posso fazer muito barulho. Antes disso eu era baterista e cheguei a tocar em bandas. Condicionado por não poder ter o som muito alto, comecei a produzir som com o programa FL Studio com ajuda de um amigo meu que já produzia, o L0tus. As primeiras batidas foram, como para qualquer pessoa que está a aprender, de pouca qualidade. Mas, com o apoio e o prazer que comecei a sentir, foram melhorando. Tive o apoio de todos os meus amigos mas quero dar um shout out especial ao Cósmico por ter sido a primeira pessoa a rimar em cima de um beat meu.

O que mudou desde então no teu processo de criação?

Como tudo, fui evoluindo, aperfeiçoando e criando melhores sonoridades

Tens referências ou segues alguma “escola” específica de produtores?

No meu top de referências estão Eestbound, Wondagurl e Dilip. Há também um grupo de produtores que admiro imenso, que são os Internet Money, um grupo de produtores que faz tutoriais de como trabalhar com o FL Studio, o que se revelou uma mais-valia para mim, porque muitas das coisas que sei hoje foram graças aos tutoriais deles.

Entrando neste EP que editas pelo ReB: como é que se processaram estas batidas? Fazes tudo de forma digital? Usas mais samples ou instrumentos (reais/virtuais)?

Maioritariamente uso samples porque adoro manipular samples. Mas também uso instrumentos e faço as minhas próprias melodias.

Gostava de focar duas colaborações diferentes que me chamaram a atenção. A primeira é com o Holympo, que julgo ainda não ter rimado em nada teu. É uma parceria que ambos continuam a explorar? É ele o tipo de rapper newcomer em que te vês a “pegar” para possíveis projectos colaborativos?

É uma parceria que sem dúvida vou continuar a explorar. Tenho projectos com ele já feitos mas que ainda não estão cá fora. Tenho também outras parcerias que estou a construir nomeadamente com o Cósmico, Kharpa, entre outros, que são surpresa.

A outra é, claro, o 11 LIT3S, um multifacetado artista português que, embora ainda esteja à procura do seu público por cá, já tem até provas dadas internacionalmente. Como é que ele foi dar contigo, ou vice-versa?

Este Verão uns amigos meus conheceram-no, falaram-lhe de mim e mostraram-lhe os meus beats. Nesse mesmo dia ele ligou-me, trocámos contactos e a partir daí temos feito sons juntos.

Como é que se processa o vosso trabalho? Fazem tudo de forma digital, existem encontros em estúdio, debatem as ideias um com o outro?

Embora a distância entre nós seja grande, temos trabalhado digitalmente mas também já trabalhámos em estúdio. Debatemos sempre as ideias que temos, mas por norma confio mais na visão dele, porque é um excelente profissional e tem uma mentalidade e conhecimento na indústria que eu não tenho.

2019 está aí ao virar da esquina: o que é que vem aí?

Os meus planos para 2019 são produzir ainda mais e melhor, e espalhar mais a minha sonoridade.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
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