[Estreia] Ângela Polícia lança videoclipe para “Justa(Mente)”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Miguel Candeias

“Justa(Mente)” é o quinto single a ser extraído por Ângela Polícia de Apùtece-me!, o seu segundo álbum.

Após as óptimas impressões que deixou em Pruridades, o longa-duração de estreia que lhe valeu uma entrada na Crate Records, editora fundada por Razat, Fernando Fernandes confirmou o potencial de Ângela Polícia com um segundo disco sólido, alheio aos 1001 outros projectos nos quais o multifacetado artista minhoto se insere.

“Flex!”, “Adrenalina” e “Huawei” foram os primeiros temas de Apùtece-me!, lançado em Junho passado, a transitar para o lado visual; “Perigo!” aterrou no YouTube já na recta final de 2019. Novamente com Humberto Borralheiro na câmara e na realização, “Justa(Mente)” é a quinta faixa do álbum a ingressar no formato vídeo e recupera uma nova colaboração com o seu saudoso amigo e mentor Razat, posteriormente finalizada ao lado da sua banda Força de Intervenção.

Em conversa com o ReB, Ângela Polícia fez um balanço dos meses que se seguiram à edição do seu segundo trabalho e abordou a construção musical e visual que o levaram até este “Justa(Mente)”. E apesar de ainda contar com mais trunfos nas mangas de Apùtece-me!, o músico de Braga revela ainda ter um projecto a meias com Beiro na calha para 2020.



Lançaste o teu segundo álbum no ano passado e regressaste à estrada em nome próprio para o apresentar ao vivo. Que balanço fazes destes meses que sucederam ao Apùtece-me!?

O balanço é muito positivo. Excelente aliás. Toquei em grandes palcos como gnration, Paredes de Coura, Musicbox, Pérola Negra, Impulso, Smup. Toquei pela primeira vez com banda completa — baterista, baixista, guitarrista, DJ, noise e coros —, um sonho tornado realidade. Realizei e lancei vários videoclipes. Partilhei palco com grandes artistas como Linda Martini, Cachupa Psicadélica, Scúru Fitchadu, Lavoisier, Bdjoy, Tom, BK, UNO, Soul Jah, Amon, Xoto (são os que me lembro de momento). Dei entrevistas em várias rádios, fui falado em vários blogues de música. Na minha cidade, Braga, e pelo país fora já se falou mais do projecto. O bagulho é sério!

Inseres mais um capítulo nessa história com o videoclipe para “Justa(Mente)”, um tema que te voltou a colocar ao lado da produção do Razat e que contou ainda com a ajuda dos Força de Intervenção. O que é que te levou a escolher este single para uma nova abordagem em vídeo?

O “Justa(Mente)” é um dos meus temas favoritos do álbum. Compus este tema em cima de um dos muitos beats que o Razat me enviou e este, sem dúvida, enquadrava-se na realidade de Ângela Polícia. Fechei-me no estúdio e comecei a gravar guitarras e percussões, experimentei vocalizações, escrevi a letra e o embrião estava criado. Mais tarde, durante a produção do álbum, chamei os músicos da minha banda Força de Intervenção para gravarem e acrescentarem algo mais ao tema. O resultado ficou abismal. Provavelmente, deve ter sido um dos temas que mais ouvi do Apùtece-me!.

Durante a criação e lançamento dos videoclipes dos outros singles, em colaboração com o Humberto Borralheiro, havia um bichinho atrás das nossas orelhas em relação a este tema. Sempre achámos que devia ter um videoclipe, visto que, em termos de letra, instrumental e imaginário, é um dos mais ricos do álbum. O bichinho roeu durante alguns meses mas finalmente agarrámos o touro pelos cornos e concretizámo-lo.

O vídeo do Humberto Borralheiro retrata bem o lado selvático e até tribal da tua música, sem descurar aquele lado independente e do it yourserlf que também te é característico. Que cuidados tiveram para abordar o lado visual do Apùtece-me!, que já havia sido explorado no “Perigo!” e “Huawei”?

As minhas letras são muito visuais e é muito fácil cair no literal. Pensei durante muito tempo como poderia materializar as minhas letras nos videoclipes e o Humberto Borralheiro foi o meu terceiro olho. Mostrou-me que poderia abordar os videoclipes de uma forma mais expressiva, poética e sensorial. Em vez de gravarmos o óbvio, como havia feito noutros clipes, decidimos explorar o que está escondido e essa é a essência do projecto, nomeadamente a atitude, a poesia, a cinematografia, a experimentação, o sentimento e as sensações. É deveras um desafio tão exigente como escrever letras ou compor temas.

Novo ano pela frente. Que planos traçaste para Ângela Polícia? Tens estado a preparar novo material ou pensas agora focar-te noutros projectos, como O Amante Negro?

Neste momento estou focado na criação de conteúdos para a promoção do Apùtece-me! até ao Verão e tocá-lo ainda mais pelo mundo fora. Paralelamente, estou a desenvolver um EP com o Beiro que irá ver a luz do dia ainda este ano. Falas d’O Amante Negro para 2020? O Amante Negro é um projecto que estou a desenvolver sem grandes pressas, apesar de já ter muito material pronto. Quero refiná-lo e poli-lo para que quando este singre, esteja tão consistente quanto o Ângela Polícia. Os noivos vangloriam-se à luz do dia, os amantes circulam no breu da noite. 2020 será bem redondo e com o dobro das noites. Entrámos nos loucos anos 20. Preparem-se!


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira