#EnchufadaNaZona no Porto: “a cidade está mais do que pronta para estabelecer a sua própria voz nesta história da música electrónica global”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] PLUMA

Este sábado, dia 27 de Setembro, a Enchufada convida um grupo de oito artistas para “uma viagem de 10 horas pela electrónica global” que terá lugar na cidade do Porto. Depois da bem-sucedida edição lisboeta, o evento sobe até à Invicta e divide-se por dois espaços, Hard Club e Maus Hábitos.

A menos de uma semana da #EnchufadaNaZona, o Rimas e Batidas desafiou Branko, PEDRO, Rastronaut, Dino D’Santiago (que vai apresentar o seu novo disco Mundu Nôbu), Pedro Mafama, Progressivu, Buruntuma e iZem para uma espécie de conferência de imprensa pré-jogo que também acabou por servir de antecipação para a próxima época da editora lisboeta.

 



[BRANKO]

Como começou a festa Enchufada na Zona?

“A festa Enchufada Na Zona nasceu como resultado e consequência directa do programa mensal que temos na rádio Londrina NTS e da compilação que lançámos em Julho de 2017, tudo com o mesmo nome. Ambos captam completamente a essência e o momento da editora e sentimos que fazia falta concretizar tudo isto também num evento. Temos residências, curadorias e outras coisas, mas é no Enchufada Na Zona que estabelecemos uma relação directa com o catálogo actual e futuro da editora.”

Porquê o Porto?

“A escolha da cidade do porto como o destino do Enchufada Na Zona em 2018 está directamente relacionada com a reacção que sentimos à residência que desenvolvemos nos últimos anos nos Maus Hábitos, a Enchufada No Maus. É uma noite onde se vive uma energia incrível que nos leva acreditar que a cidade está mais do que pronta para estabelecer a sua própria voz nesta história da música electrónica global.”

Para onde vai a Enchufada?

“O próximo ano é um ano de concretização dos artistas mais nucleares da editora com um álbum meu, um álbum da Mina e um projecto especial do PEDRO a apontar logo para o primeiro semestre do ano. Estamos a viver uma fase nova na vida da Enchufada com noites novas, artistas novos e até um público novo e isso traz uma energia e vontade de trabalhar enorme. É quase um 2.0 se compararmos com o que vivemos há 10 anos com o Black Diamond dos Buraka Som Sistema.”

 



[DINO D’SANTIAGO]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Eu sou um fã incondicional das Na Surra, então serei sempre suspeito! Estive presente no Mercado Time Out em Lisboa e fiquei completamente viciado! Agora vou estar presente nesta Enchufada que toma a Invicta e a tornará mais quente com toda a certeza e sinto-me feliz por o meu álbum estrear-se na cidade que foi o meu berço durante 11 anos!”

Como vês este encontro de artistas tão diferentes debaixo do tecto da Enchufada e qual pensas ser o elo de ligação para dar origem a esta festa?

“Eu confio bastante na forma como a família da Enchufada aborda cada festa, cada celebração! E tenho a certeza absoluta que a particularidade de cada artista será o tempero certo na confecção deste bolo que alimentará durante 10 horas uma cidade que sabe receber e celebrar! Não vejo a hora! ATÉ JÁ, PORTOOOOO!”

 



[IZEM]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Eu vou estar a tocar uns beats meus, coisas do EP que lancei na Enchufada mas não só. Samples de música brasileira, de soul e de música árabe misturado com esse sabor afro electrónico muito percussivo. Muito bass, muito swing e muita soul!”

Como vês o momento musical actual de Lisboa e qual o papel da Enchufada nisto tudo?

“Sinto que Lisboa está a assumir o papel de ponto de convergência natural de muitos artistas do dois hemisférios. A cena musical que resulta desse encontro está a gerir cada vez mais interesse de fora e continua a atrair mais energias que enriquecem esse movimento numa espécie de círculo virtuoso. A Enchufada é um dos laboratórios onde as receitas dessa mistura global futurista estão a ser experimentadas. A Enchufada vem difundindo essa visão há muitos anos e de forma muito consistente. Eu pessoalmente sigo esta historia há 10 anos. A Enchufada sempre foi um hub para músicos e produtores do mundo inteiro e hoje mais ainda, já que a cidade está a atrair muita atenção de dentro e de fora.”

 



[PEDRO]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Se for semelhante ao que fizemos o ano passado no Mercado da Time Out, o que todos podem esperar é uma noite muito bonita e divertida, com um line-up cheio de talento, que junta a visão única de cada artista. Estou muito entusiasmado com tudo aquilo que levamos para o Porto e ansioso por celebrar isso mesmo com toda a gente.”

Qual a importância que tem para ti o trabalho que a Enchufada tem vindo a desenvolver e como têm sido as passagens da Enchufada pelo Porto?

“Sinto que todo o trabalho que a Enchufada tem desenvolvido desde do seu primeiro dia influenciou toda uma nova geração de artistas e eu sou um deles, seja pelas festas que foram feitas ao longo dos anos, pelos lançamentos, pelos artistas ou por tudo o que alcançaram e que permitiu a todos nós ir atrás dessa visão. Um bom exemplo disso são as festas que fazemos nos Maus Hábitos, que são sempre muito boas e onde se consegue sentir uma vibe óptima que estamos lá todos para celebrar o mesmo.”

 



[RASTRONAUT]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Dia 27 será a celebração de uma cena musical que, apesar de ter nascido em Lisboa, há muito que já se espalhou para o Porto e mais além. Vai ser também a celebração de uma nova fase na vida de uma editora com mais de 10 anos e do colectivo de artistas que a representa, desde o fundador Branko aos novos nomes que fazem o selo crescer a cada ano. A Enchufada Na Zona é a festa da música electrónica global, nas suas mais variadas formas, dos concertos aos DJ sets, do fim do dia até ao nascer do sol. É a concretização ao vivo de tudo o que fazemos enquanto editora, enquanto curadores musicais de uma cena com características específicas, que aqui se celebra ao criarmos as condições perfeitas com os artistas perfeitos para esta música ser vivida e não só ouvida.”

O Porto já recebeu vários eventos da Enchufada, qual a ligação da editora com a cidade? Como vai ser 2019 para a Enchufada?

“Já há muito que tocamos no Porto e há dois anos que essa relação se oficializou ainda mais com uma residência no Maus Hábitos. Esta começou como uma extensão das Hard Ass Sessions, mas rapidamente acabou por ganhar características tão únicas que sentimos a necessidade de criar uma identidade própria à volta destas noites, que báptizamos de Enchufada No Maus. É precisamente esta relação que se criou com a cidade nestas noites que queremos aprofundar ainda mais, e por isso a decisão de levar o formato Enchufada Na Zona para Norte tornou-se óbvia.

O 2019 da Enchufada vai ter muitas novidades de vários dos artistas centrais da editora, portanto estamos a olhar para o ano que vem como um ano de concretização e evolução de muitos dos projectos que temos vindo a desenvolver. Vamos ter álbuns novos do Branko e da Mina, um novo disco do PEDRO e vários outros lançamentos, eventos e projectos ainda a revelar. Vai ser um ano em cheio, e não há melhor maneira de o antecipar do que com uma enorme festa que reúne muitos dos nossos artistas e família musical alargada em dois palcos diferentes a mostrar aquilo que fazem melhor.”

 



[PROGRESSIVU]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Com este cartaz, e dentro da nossa cena, vamos conseguir mostrar as várias vertentes da mesma. Pode-se dizer que vimos todos do mesmo sítio mas cada um com uma linguagem bastante distinta. Estou ansioso por ver os actuações do Branko, do iZem e do Dino. Lá estarei eu, o PEDRO e o Rastronaut para com os nossos sets explosivos metermos o pessoal a suar tanto no Hard Club como no Maus.”

Começaste a relação com a Enchufada como membro assíduo do público das Hard Ass Sessions. Como é que foi a passagem do público para o palco?

“Foi uma transição bastante natural. Eu não conseguia não ir a uma Hard Ass. Mesmo que chegasse super tarde por estar a trabalhar, ia sempre. Parecia que já se esperava pelo momento em que eu subia ao palco para dar os meus toques. Ainda foram uns quatro anos de Lux.

Mais tarde, com o passar do tempo e com a aproximação natural à familia Enchufada surgiu o convite para tocar lá. O nome Progressivu nem existia. Foi esse convite que motivou a criação deste nome. E foi o melhor que fiz! A partir dai só me têm acontecido coisas boas.”

 



[PEDRO MAFAMA]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Acho que podemos todos esperar uma noite do caraças, com a energia em altas porque estamos todos de uma forma ou outra em momentos produtivos e com muita coisa para mostrar. Para mim vai ser um momento de celebração, pela importância que é ser convidado pela editora que eu sempre admirei, e ao mesmo tempo de concentração máxima para fazer um bom trabalho. Estou bem curioso por ver a reacção do Porto às sonoridades que vamos levar destes lados, porque é a primeira vez que consigo ir (e da melhor maneira possível) a uma festa da Enchufada lá em cima!”

Trabalhaste na editora e agora sobes ao palco com o teu projecto artístico. Como foi a evolução da relação com a editora ao longo destes anos?

“A minha relação com a Enchufada foi sempre uma de admiração por tudo o que é feito naquele estúdio e naquele escritório, e de querer um dia continuar o legado e retribuir de alguma forma o que me deram quando me receberam como estagiário há seis anos. Desde os tempos dos Buraka até hoje, o Branko, o Kalaf e toda a família sempre me fizeram sentir bem vindo no espaço deles e sempre me mostraram coisas impagáveis, quer através de conversas, sítios onde me convidaram a ir, e situações privilegiadas em que eu pude estar presente a aprender e a absorver. Hoje é tempo de produzir a melhor música possível e criar novos caminhos para fazer crescer o universo que a Enchufada criou na nossa cidade e país.”

 



[BURUNTUMA]

O que podemos esperar da noite de dia 27?

“Para a noite do dia 27 podemos esperar muita batucada boa e aquele ambiente distinto da Na Surra. O cartaz fala por si, bastante variedade que reflecte no fundo o caldeirão criativo que tem sido Lisboa nos últimos tempos.”

O afro house está cada vez mais consolidado junto das gerações mais jovens. Era algo inevitável ou achas que ainda há um caminho a percorrer?

“Sinceramente, falando do mercado português, acho que há um caminho a percorrer. Muito embora haja bastante consumo por parte das gerações mais jovens, ainda representa um nicho de mercado. Acho que ainda falta aquele clique para se afirmar definitivamente. Se sairmos de Lisboa, por exemplo, que é a força-motriz deste movimento, vemos que ainda falta bastante, salvo situações esporádicas mas tudo tem o seu tempo, cada scene tem o seu tempo de maturação e o afro house vai se consolidar cada vez mais, carregado por esta nova geração e pelas características únicas que temos em relação ao resto da Europa.”

 


Enchufada no Estúdio Time Out: batidas quentes na capital da mistura