Em Lagos, Dino D’Santiago e Sickonce vão ajudar a revisitar o legado de Orlando Pantera

[TEXTO] Pedro João Santos [FOTO] Andreia Cândido

Orlando Pantera não precisou de assinar nenhum disco em vida para se tornar uma das referências vitais da música cabo-verdiana — bastou-lhe um olhar progressivo sobre o funaná, o batuku e a tabanka. O compositor desaparecido há 18 anos será homenageado por Dino D’Santiago, Sickonce e mais artistas em Batuko Sta na Moda, concerto que ocorre na Praça do Infante, em Lagos, pelas 18h30 de quinta-feira.

A ideia de prestar tributo ao saudoso “cometa” veio da voz de “Raboita Sta. Catarina”, de acordo com a Vicentina, que organiza a Semana Cultural Lugares de Globalização, em entrevista ao Sul Informação. A equipa uniu esforços com o artista multidisciplinar Sickonce, responsável pela produção de um espectáculo que revive um artista que fez ponto-cruz da tradição cabo-verdiana e da modernidade.

Além do autor de Mundu Nôbu, as batucadeiras Finka Pé, o músico português Edgar Vicente e o artista brasileiro Luiz Gabriel Lopes (membro de Graveola e o Lixo Polifônico, grupo de MPB) juntam-se a Darlene e Arlindo Barreto, filha e irmão de Pantera, respectivamente.

Os ritmos que Pantera transferiu para voz e guitarra espoletaram uma profícua geração de cantautores cabo-verdianos, passando também por Leonel Almeida. O tema “Na Ri Na” tornou-se a canção de assinatura da artista Lura e “Lapidu na Bô” foi um dos temas que integrou o LP de estreia de Mayra Andrade — o título desta canção era o nome projectado para o disco de estreia que Pantera começaria a gravar a 1 de Março de 2001, data da sua morte.

Ainda inseridos na programação da Semana Cultural, as mornas de Nancy Vieira poderão ser ouvidas ao vivo no dia 16 de Maio e, dois dias depois, Dino D’Santiago fará um espectáculo (que já está se encontra esgotado) em Silves.

De acordo com Darlene Barreto, está a ser desenvolvido um projecto — mencionado já desde 2001, ano da sua morte, em que foi presença proeminente no documentário Mais Alma (sobre a música cabo-verdiana) —  para honrar o legado do pioneiro. Um mundo novo para uma alma sem tempo.


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