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Fotografia: Direitos Reservados

CLAUSTRO é o rapper convidado no EP de estreia do produtor do Porto.

ELÓI sobre BAÚ: “É como se fosse uma rampa de lançamento no que toca ao trabalho conjunto com MCs”

Fotografia: Direitos Reservados
BAÚ é o EP de estreia de ELÓI e tem Claustro como rapper convidado. Eduardo Elói é um produtor do Porto cujos primeiros passos de criação de beats foram dados ao lado de VULTO., amigo de longa data. Da transmissão de conhecimentos pelo “homem sombra” nasceram naturalmente as colaborações espontâneas: ambos dividiram já dois trabalhos instrumentais, assinaram a batida de “Queimar Pontes” de NERVE, e já partilharam o mesmo alinhamento numa das investidas do núcleo de produtores do colectivo COLÓNIA CALÚNIA. Há cerca de quatro anos, ELÓI estreou-se na plataforma SoundCloud e foi por lá que começou a partilhar todo o seu material a um ritmo surpreendente. Beats Para Todos os Apetites, a série instrumental a que deu início em 2016, durou pouco mais de um ano mas foi tempo mais do que suficiente para que o portuense alcançasse uns impressionantes 12 capítulos. Foi inclusive nessa mostra incansável de BPTA que o nome do beatmaker começou a surgir no radar dos MCs nacionais, como aconteceu com Claustro, o primeiro artista a ter tido a oportunidade de trabalhar in loco com ELÓI, que viria a tornar-se peça-chave em Na Laziness o Mais Guru, trabalho de estreia do rapper da Vasconcelos Crew, contribuindo com duas batidas, gravação e pós-produção de todo o curta-duração. No passado fim-de-semana, BAÚ deu o pontapé de saída do produtor no Bandcamp, plataforma que irá acolher os seus próximos trabalhos. Em conversa com o ReB, Eduardo Elói confessou que a abertura do BAÚ inicia uma nova etapa na sua carreira, em que a colaboração com outros MCs/cantores desempenhará um papel mais notório no que a lançamentos diz respeito.

Fala-nos um pouco sobre ti. Como e quando surge a produção de beats na tua vida? De nome ELÓI, considero-me um produtor de beats de hip hop/rap do Porto, cidade Invicta onde resido. A produção de beats começou agregada à do VULTO. pois, quando ele começou a sua aprendizagem em DAW (Digital Audio Workstation), julgo que nos tempos de faculdade, e sendo um amigo de longa data, foi quase natural pedir-lhe que me transmitisse o seu saber a fim de conseguir produzir os meus próprios beats. No início foi engraçado, faziam-se muitos beats a meias pois eu estava limitado em certos aspectos e ele ia completando esses mesmos beats com as suas ideias. Talvez outro “baú” a ser aberto um dia. Temos provas desses tempos na música do NERVE intitulada “Queimar Pontes”. Nos últimos quatro anos lançaste nada mais nada menos do que 12 beat tapes a solo e duas colaborações com o VULTO., e só mais recentemente começaste a trabalhar os primeiros temas ao lado de MCs. De que forma é que estes exercícios regulares ajudaram a cimentar a tua assinatura sónica, agora patente no BAÚ? Esses exercícios regulares serviram realmente para saber qual o caminho sonoro que iria seguir para além de também servirem de aprendizagem e evolução na minha produção. Há também o facto de precisar de ter algo para dar a escutar ao rapper com o intuito de fazer esse tal mix com os mesmos, que foi sempre a minha finalidade. Digamos então que as beat tapes são uma espécie de portefólio e que tem sido bem aceite por parte dos MCs com os quais tenho trabalhado. Como existe uma panóplia variada de beats há sempre um em que o MC se enquadrará, pelo menos foi a minha maneira de pensar aquando da produção das 12 beat tapes. Tenho utilizado muitos desses beats no trabalho que tenho realizado e acho isso positivo. Explica-nos em que se baseia o teu processo criativo. Guias-te mais pelo sample ou o software/plugins que utilizas têm um peso importante no surgimento de novas ideias? Sample, sem dúvida, e podem reparar nisso ao longo de todas as minhas beat tapes. Por vezes um pequeno som, uma pequena parte de uma música, traz-me um enorme número de ideias e o software ajuda-me a juntá-las, a melhorá-las e a cimentá-las. Digamos, e para responder à questão, que em termos de percentagem utilizo 70% sampling e 30% software/plugins. Creio que o Claustro foi o primeiro rapper com quem começaste a desenvolver uma parceria, que já havia resultado em alguns temas soltos e na tua participação no trabalho de estreia dele. Como é que tudo começou? O Claustro foi sim o primeiro rapper com quem trabalhei e veio falar comigo a primeira vez, pois pretendia um beat meu dos Beats Para Todos os Apetites para o seu primeiro EP. Quando conheci o Fábio ele tinha uma enorme vontade de se estrear e mal o ouvi em frente do microfone vi que ele tinha talento mais que suficiente para o fazer e basicamente juntei-me a ele a fim de lhe facilitar a gravação e pós-produção do seu primeiro EP, Na Laziness o Mais Guru. A meu ver correu bem e ajudou no crescimento de ambos a nível musical. Tornou-se um bom amigo e uma escolha natural para a este meu EP de estreia. Deste BAÚ já nos tinhas dado a conhecer três dos temas que aqui compilas e o próprio título que atribuíste ao trabalho remete-nos para a ideia de material de arquivo, resultado das vossas experiências e ensaios. Em que altura foram desenvolvidas estas músicas? Representam alguma época em específico na tua curva evolutiva enquanto produtor? Este BAÚ, que só agora pôde ser aberto, tem a maioria das músicas e letras prontas de há alguns dois anos a esta parte, mas faltavam certos aspectos que só no ultimo ano foram possíveis resolver. Falo principalmente de querer lançar algo o mais profissional possível tendo em conta as perspectivas que tinha e ter as pessoas certas junto a mim. O Pedro (VULTO.) como não podia deixar de ser deu uma ajuda muito preciosa quando precisei de dar aquele toque final para que tal acontecesse. Neste EP podemos ouvir músicas díspares e produzidas com alguma diferença temporal mas que se encaixam no fundo deste BAÚ. Em termos de evolução digamos que temos a maioria das coisas produzida na recta final das Beats Para Todos os Apetites que marcaram a paragem nas beat tapes para me dedicar com mais afinco ao trabalho com rappers. O projecto assinala a tua estreia num formato mais distante das beat tapes. O que representam para ti estas seis faixas? Não vou descartar as beat tapes completamente pois é onde consigo expressar a minha produção e musicalidade num acto mais isolado, sem depender de terceiros. Este primeiro EP é como se fosse uma rampa de lançamento no que toca ao trabalho conjunto com MCs. Tenho trabalhado com alguns e devo dizer que a coisa se torna deveras mais interessante e ambiciosa. Agora com uma página de Bandcamp renovada, que outros planos reservas para complementar o teu catálogo nos próximos tempos? Já existem trabalhos com e sem MCs em curso, alguns quase finalizados que poderão ver a luz do dia dentro em breve. Tudo tem o seu tempo, tanto este BAÚ para “arejar” como o próximo para ser lançado. Avizinham-se coisas boas e com gente porreira à mistura.

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