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Fotografia: Direitos Reservados

Lançado em Fevereiro de 2019, "No Teu Rosto" foi o single que antecipou o EP que aterrou na semana passada no Bandcamp.

DJ Yoke sobre BEAT-RIZ: “Procuro sempre sair da minha zona de conforto mas com o turntablism e o hip hop sempre presentes”

Fotografia: Direitos Reservados

Saiu no passado dia 11 de Maio o último EP de DJ Yoke. BEAT-RIZ é um conjunto de cinco faixas que o produtor dedica à filha, misturadas e masterizadas por Kron, e conta com as participações de Frankie Baptista, Strata G e mema..

Natural de Aveiro, DJ Yoke não se mudou para Londres sem antes deixar a sua marca no hip hop e na cultura de turntablism do nosso país. Num trajecto que leva mais de 10 anos de história, o artista foi um dos nomes mais temidos no circuito das battles entre DJs numa altura em que a vertente competitiva ainda era levada a sério em Portugal, tendo mesmo chegado a ganhar o titulo de campeão numa das edições do DMC Supremacy. Como produtor, fez a “cama” para as rimas de Beware Jack na estreia do rapper no formato de longa-duração e carrega no Bandcamp várias edições em nome próprio, entre EPs, LPs e scratch tools.

2017 foi um ano de elevada importância e também a última vez que tivemos notícias suas, quando deu a conhecer elephant and castle, aquele que considera ser o seu álbum de estreia. O projecto, que esteve em destaque no ReB, fê-lo equacionar uma nova forma de se apresentar em palco, deixando de lado a vertente clubbing/DJ set para passar a adoptar o formato live act numa espécie de “one man show”, como o próprio diz. Quase três anos depois, Yoke admite já estar em estúdio a traçar a sua sucessão.

BEAT-RIZ foi antecipado há um ano através do videoclipe para “No Teu Rosto”, a faixa que serviu de single, que conta com a participação do rapper da Marinha Grande Strata G e é adornada com riffs de guitarra por parte do jovem prodígio Frankie Baptista. No curta-duração podemos ainda escutar na música de abertura a contribuição de mema., alter-ego de Sofia Marques, artista da cidade de Aveiro.



Começando pelo título: qual é o significado deste BEAT-RIZ? É um projecto que dedicas a alguém?

É dedicado à minha filha. Começou tudo com o nome de uma música que fiz na altura do nascimento dela e tinha todo sentido marcar a data, também pela atmosfera da própria música que transmitia o momento. Visitem o meu Bandcamp ou SoundCloud para ouvirem esta dedicatória.

Já não assistíamos a um lançamento teu desde 2017. O que tem absorvido o Yoke, em termos técnicos ou ao nível de sonoridades, nestes últimos tempos?

O ano de 2018 foi dedicado à família, apesar de ir fazendo a apresentação do meu primeiro álbum a solo e sempre alguma coisa relacionada com a música (participações ou scratch routines). Mas deixei de fazer clubbing e dediquei-me mais ao live act do álbum que fiz em 2017, pois tinha muito por explorar e foi idealizado com esse intuito de live one man show. Na realidade é o que eu quero fazer e o que realmente faz mais sentido na forma como quero estar na música. Este ano estou a gravar o meu segundo álbum a solo.

De que forma é que isso contribuiu para a concepção das cinco faixas que escolheste para este EP? O que é que mais notas na tua evolução enquanto produtor?

Não sei muito bem responder mas acho que os meus EPs são sempre mais experimentais, isto em termos de sonoridade, porque procuro sempre sair da minha zona de conforto e o desafio é interessante, mas com o turntablism e o hip hop sempre presentes.

Fala-me dos convidados do disco. O que te levou a recorrer aos talentos da mema., Strata G e Frankie Baptista?

Foi tudo muito simples. A mema. é um talento de Aveiro, cidade onde nasci e tenho família e amigos e foi muito fácil de trabalhar com ela. Gravou a guitarra, enviou em menos de uma semana e ficou perfeito. Era o que faltava nesse som. Com o Strata G, enviei-lhe o instrumental para ele ouvir e ele sugeriu a participação do Frankie. E assim fizemos. O Strata G quis ainda gravar o videoclipe e estou muito grato por isso, pois estávamos em sintonia com a música.

Nesta fase tão estranha das nossas vidas, não podemos deixar de perguntar: como tens atravessado este período de isolamento social e qual é a importância que a música (ou mesmo as artes no geral) tem tido nas tuas novas rotinas?

Não é fácil, especialmente com a minha filha fechada em casa, pois em Londres o número de casos de infectados é elevado. Não podemos ir ao parque como fazíamos e ter as actividades no exterior que tínhamos. São as crianças quem sofrem mais com isto tudo, pois nós, adultos, conseguimos sempre reinventar as nossas rotinas mais facilmente. E sim a música, o cinema e os livros ajudam muito, claro. Mas tento manter algumas rotinas, que ajuda no dia-a-dia. Espero que tudo volte ao normal brevemente e que todos estejam bem!


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