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Fotografia: Direitos Reservados

“Sons diferentes mas com uma mensagem semelhante": os beats de RTJ vs. as vozes de RTM.

DJ Skarface sobre Run The Jewels: “Eles trouxeram de volta uma energia que eu já não sentia no hip hop há muitos anos”

Fotografia: Direitos Reservados

DJ Skarface não é um novato nestas andanças dos mashups. Em 2017, chamou a atenção do ReB através de um projecto no qual ajustou as vozes dos Run The Jewels às batidas de DJ Shadow. Desta vez, recorreu aos instrumentais assinados por El-P e casou-os com os versos corrosivos de Zack De La Rocha (nos Rage Against The Machine).

Em comunicado, o DJ e produtor de Atlanta revelou ter tido a ideia para este novo conceito depois de ter visto o anúncio da digressão que iria juntar em palco os RTJ e os RATM. A pandemia, que veio assombrar especialmente o circuito artístico, não permitiu que tal encontro se materializasse, mas Skarface não deixou de perder algumas horas do seu dia-a-dia para alimentar os nossos ouvidos com a explosão de adrenalina expectável da junção destes dois grupos em concerto.

El-P aplaudiu os esforços de Jonathan Stewart e partilhou de seguida a mixtape Rage The Jewels com a sua comunidade de fãs. Além das rimas extraídas de clássicos como “Killing In The Name”, “Bombtrack” ou “Guerilla Radio”, instrumentais de “Banana Clipper” ou “Lie, Cheat, Steal”, rasgos do recente “ooh la la” e até mesmo as vozes de Rui Miguel Abreu e David Letterman, o duelo de titãs imaginado por Skarface surge como banda sonora não-oficial para uma campanha de doação para o National Lawyers Guild, que tem lutado pelos direitos das mulheres, da comunidade negra ou LGBTQ nos EUA durante os últimos 80 anos.

O Rimas e Batidas trocou algumas impressões com DJ Skarface sobre a sua nova criação.



Esta é a segunda vez que misturas o catálogo dos Run The Jewels. O que é que aprecias mais na música deles?

Eles trouxeram de volta uma energia que eu já não sentia no hip hop há muitos anos. Em vez de tentarem recriar um determinado tipo de som, eles estão constantemente a superar-se e a elevar a sua arte. A criatividade e a inovação foram as razões pelas quais eu me apaixonei pelo hip hop. Embora eu goste de muitas das coisas que estão a surgir agora, acho que eles estão a fazer algo que eu nunca tinha ouvido antes. E isso é entusiasmante.

No teu press release dizes que te inspiraste no anúncio da digressão conjunta dos RTJ com os RATM, uma das maiores notícias que tivemos este ano mas que infelizmente foi colocada em stand-by. Que pontos em comum encontras na música de ambos?

Da perspectiva das letras, nenhum dos dois grupos tem receio de dizer o que lhes vai na mente e canalizar as frustrações e emoções para uma plataforma tão grande. Embora ambos os grupos sejam sonicamente diferentes, a atitude deles está ao mesmo nível. Enquanto os RATM te açoitam com riffs de guitarra barulhentos, os RTJ trazem aquele baixo pulsante. Sons diferentes mas com uma mensagem semelhante, que no fim de tudo vai acabar por conseguir meter a tua cabeça a abanar.

Fala-me sobre o processo de criação desta tape. Quando é que sentes que determinado acapella vai caber dentro de um certo instrumental?

Antes de tudo eu procuro por ideias que eu próprio gostaria de ouvir. Em qualquer mashup que eu faça, sempre foi sobre juntar artistas que têm uma energia semelhante ou algum tipo de ligação entre eles que possa ser expandida. Mesmo que o Zack De La Rocha não tivesse colaborado antes com os Run The Jewels, para mim ainda ia fazer todo o sentido juntá-los. Assim que tenho a ideia definida arranco com um processo de tentativa/erro, depois de ter mergulhado a fundo na discografia de ambos os artistas. Neste caso, havia um lote muito pequeno de acapellas dos Rage Against The Machine disponível para trabalhar. Com os RTJ aconteceu o contrário, já que eles disponibilizam todos os seus instrumentais.

O El-P deu-te o cosign no Twitter logo no próprio dia em que editaste o projecto. Enquanto criativo, o que significa para ti se referenciado por ele?

Eu vi o El-P no Bonnaroo em 2007, depois de ter descoberto o álbum I’ll Sleep When You’re Dead. Por isso, enquanto fã, uma menção da parte dele é algo surreal. É o elogio máximo por parte de um artista, que não só está na boa por eu estar a fazer coisas com a sua arte como ainda partilha o resultado com os seus fãs.

Chegaste a ter a oportunidade de falar com ele em privado? Sabes se ele já conhecia o teu trabalho anterior?

Não tive a oportunidade de falar com ele. Ele é um gajo ocupado e eu não espero mais do que aquilo que ele já fez por mim. Ele também chegou a partilhar o Shadow The Jewels e, umas boas semanas depois, vi o DJ Shadow a partilhar nos canais sociais dele também. Uma experiência igualmente estranha e agradável.


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