DJ K-Sets: “A minha posição actual é o resultado de um longo processo de sobrevivência na periferia do sistema”

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Um dos segredos mais bem guardados da nossa vizinha Espanha ficará responsável pelo encerramento da festa de aniversário do gnration, que acontece esta noite.

Preparem-se para o inesperado. Manuel Sánchez Laliga, mais conhecido como DJ K-Sets, utiliza dois autorrádios nas suas actuações e navega pela música do Médio Oriente com uma única preocupação: fazer dançar.

Antes do seu regresso a Portugal — actuou na edição do ano passado do Milhões de Festa –, o “extraterrestre musical que sabe muito bem o que faz” aceitou responder a seis perguntas do Rimas e Batidas:



Como e quando é que começaste a tua carreira de DJ e como é que evoluiu até à posição em que te encontras actualmente?

Em 2001, eu estava a estudar artes plásticas, nessa altura era fácil encontrar cassetes do Norte de África nas lojas dos migrantes dos bairros da classe trabalhadora em Espanha. Eu desenvolvi um projecto para transferir esse universo musical para a pista de dança do circuito nocturno alternativo e mostrá-lo em espaços culturais. Depois, eu viajei para a Turquia, Irão, Líbano e Síria. As lojas online também me ajudaram a aumentar o arquivo. Esta ideia nunca teve muito apoio, por isso a minha posição actual é o resultado de um longo processo de sobrevivência na periferia do sistema, o que provavelmente foi a melhor opção para mim.

Ultimamente temos visto um sem número de reedições de música de diferentes latitudes. Achas que os crate diggers estão geralmente mais interessados em tipos de música não-ocidentais?

O ocidente e o oriente sempre estiveram interligados, por isso na sua essência não existem grandes diferenças. Ao fim e ao cabo, começámos todos a compreender que em todo o lado, e em todos os géneros, existe boa música para apreciar quando a selecção é a certa.

Assumindo que exploras música de todo o globo, o que é que aprendeste nestes anos todos de diggin’?

Eu aprendi que o povo do Médio Oriente é extremamente civilizado e heterogéneo, e também que o establishment global continua a tentar dividir, confundir e intoxicar a sociedade civil apoiando coisas como o nacionalismo, o extremismo religioso e o terrorismo.

Como é que sentes a recepção de um público quando tocas mais música obscura nos teus DJ sets?

Eu acho que não existe música obscura nos meus DJ sets. Eu coloco muita atenção no trabalho de selecção. Existe música que soa forte, mas no final é música de casamento que fala de romance. Também só sou convidado para tocar para plateias conhecedoras, pessoas influenciadas por projectos irmãos como os da Sublime Frequencies, Awesome Tapes From Africa, Habibi Funk… Por isso, este contexto é amigável e eu posso sentir-me confortável.

Que tipo de comprador és tu? Perdes a cabeça e pagas fortunas por cassetes raras ou normalmente vais para as mais baratas?

Eu compro sempre em ambientes da classe trabalhadora e às vezes em países que estão em grandes conflitos — as cassetes são sempre baratas. Tudo o resto é bastante difícil, mas a experiência e o contacto com as pessoas é o básico para ter uma perspectiva correcta.

O que é que as pessoas podem esperar dos teus DJ sets?

Compromisso, sucata de ferro e dança livre.


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