DJ ADAMM: “Produzir no escuro inspira-me”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Francisco Gomes 

Juntem techno, elementos da cena afro e a irreverência de um jovem de 19 anos e temos Sinistro, curta-duração que inaugura a relação de DJ ADAMM com a Enchufada. No dia 25 deste mês, o artista apresenta o projecto nas noites Na Surra no B.Leza, em Lisboa.

De Casal de Cambra, Sintra, Bruno Francisco acrescenta mais uma “cor” à variada paleta sonora da editora lisboeta. Porém, as suas referências, chamemos-lhe assim, estão mais perto do universo PríncipeDJ Lycox e DJ Lilocox são dois nomes dados pelo próprio, por exemplo.

Depois de Rastronaut nos ajudar a decifrá-lo a propósito do lançamento de “Full Tummy” e exactamente uma semana após a edição do seu EP de estreia, DJ ADAMM apresenta-se (novamente) ao mundo.



[APRESENTAÇÃO]

“Bem, eu chamo-me Bruno Francisco, venho de Casal de Cambra, Sintra, estudo na [Escola Profissional] Gustave Eiffel, no Lumiar, e frequento o curso Restaurante/Bar.”

[O INÍCIO DO INTERESSE PELA MÚSICA E AS REFERÊNCIAS]

“Eu antes de ser DJ só pensava em futebol. Depois de uns problemas, precisava de algo para me manter ocupado e como o meu pai era DJ… [risos]. De brincadeira, mas em casa ouvia-se muita música, ganhei curiosidade e, como em Casal de Cambra tem DJs como Lilocox, B-Show, DenyCox e Nedwyt Fox, ganhei mais aquela vontade.

Não tenho referências musicais específicas, [mas], quando comecei, tive muita ajuda do DJ Lycox, Danifox e Remitentes Produções.”

[O APARECIMENTO DA ENCHUFADA]

“A Enchufada apareceu na minha vida no Verão passado. E foi aos poucos: primeiro foi o PEDRO, depois o Branko e só mais tarde o Progressivu. Não estava à espera porque eu só fazia beats para me manter ocupado. Nunca pensei que fosse conhecer os kings da tuga.”

[A SELECÇÃO DAS FAIXAS PARA O EP E A ESCOLHA DO TÍTULO]

“Bem, [escolhi] essas duas faixas devido ao sentimento que tenho por elas. Acho que foi algo feito para todos: pessoas que gostam de afro vão sentir o afro, pessoas que gostam de electrónica vão sentir electrónica.

Sinistro porque não gosto muito de mostrar quem sou. Às vezes passo por pessoas na rua que ouvem as minhas músicas, mas não sabem que são minhas, como por exemplo na minha escola [risos]. E também por produzir os meus sons no escuro — é uma inspiração.”