Dealema dão primeiro concerto de sempre com banda este mês

[TEXTO] Alexandre Ribeiro

Se ainda não fecharam os planos para os últimos dias de 2018, tomem nota: os Dealema vão tocar no dia 29 no Pérola Negra, no Porto. E, pela primeira vez na história do colectivo, vão estar acompanhados por uma banda.

Mundo Segundo, Expeão, Fuse, DJ Guze e Maze integram um dos grupos de hip hop mais antigos e duradouros do panorama nacional. Com seis projectos no currículo, o quinteto construiu uma discografia sólida que influenciou diferentes gerações de rappers e produtores portugueses nas últimas duas décadas.

Os bilhetes para o evento já podem ser reservados através do e-mail movimentoperolanegraclub@gmail.com. O Rimas e Batidas conversou com André Neves, mais conhecido como Maze, sobre a sua curadoria no clube nocturno, a actuação com a Pérola Negra Band e o futuro do grupo.

 



É o primeiro concerto de sempre dos Dealema com banda. Porquê só agora? Suponho que tenham existido outros convites ao longo dos anos.

Durante estes 20 anos esteve algumas vezes em cima da mesa esta possibilidade, não tanto por convite, mas mais como uma vontade nossa de experimentar agregar mais vértices ao nosso pentágono habitual e perceber o que poderia resultar dali. Por diversas circunstâncias, principalmente relacionadas com logística, nunca se concretizou.

Neste momento estou a organizar estes eventos de nome “Movimento” em parceria com o Pérola Negra que abre precisamente neste mês de Dezembro, o foco principal das “Movimento” é precisamente trazer essa orgânica da banda ao rap, num cruzamento que passará muitas vezes pela fusão com a linguagem do jazz, incluindo também no futuro a palavra dita a abrir as noites em sessões de Slam Poetry, sempre com uma continuação de noite a cargo de um DJ com objectivo de trazer os B-boys e B-girls para a pista de dança, está no horizonte incluir no cartaz projectos internacionais com esta mesma linguagem de um rap mais orgânico.

Não me ocorreu melhor forma de abrir estes eventos do que com um concerto inédito de Dealema neste formato, que terá o DJ Glue nas rodas de aço a continuar a festa pela noite dentro. Vai certamente ser uma festa memorável.

A proposta foi minha, e o resto do colectivo achou que finalmente tinha chegado a altura certa de fazermos esta experiência, que talvez ganhe outra dimensão no futuro, quem sabe?

Já pensaram no reportório? O que é que vamos poder ouvir no concerto de dia 29?

Sim, já temos alguns temas alinhados, músicas dos nossos vários discos que imaginamos que resultem bem com este power trio de excelentes músicos que nos vai acompanhar: o Sérgio Alves nos teclados, o Ricardo Danin na bateria e o Bruno Macedo no baixo e na guitarra compõem a Pérola Negra Band que marcará presença nas “Movimento”. Não vou adiantar muito sobre os temas em questão, mas os clássicos são obrigatórios e outros temas que às vezes não fazem parte do nosso alinhamento normal e fazem agora sentido neste formato.

Apresentarem-se neste formato no Porto tem o seu simbolismo, obviamente. A primeira vez teria que ser sempre no Porto?

Sim, é muito importante que este concerto aconteça pela primeira vez no Porto, tem um simbolismo muito especial para nós tocar em casa. Há anos que brindamos sempre a nossa família dealemática com concertos de fim de ano, desta vez resolvemos fazer algo inédito, uma experiência diferente para quem nos segue há já muitos anos e também para os curiosos que queiram perceber como é que Dealema resulta com instrumentos.

Este concerto é o prenúncio de que vêm aí novidades dos Dealema?

Tudo é possível, já estamos há alguns anos em silêncio, que é algo que fazemos recorrentemente, nunca existiu uma obrigação de edições periódicas em Dealema. Mas temos alguns ciclos criativos e sinto que estará um novo para iniciar muito em breve, pode ser que 2019 seja um ano com novidades do colectivo.