David Byrne regressa a Portugal no próximo 14 de Julho de 2026 para um concerto no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, no âmbito do Ageas Cooljazz. O músico e artista multidisciplinar escocês-americano apresenta ao vivo o seu mais recente álbum, Who Is The Sky?, editado em Setembro último, e revisita também temas marcantes da sua carreira a solo e com os Talking Heads.
Oito anos depois de ter apresentado American Utopia no mesmo festival, Byrne regressa aos palcos portugueses com a mesma teatralidade desafiante das convenções dos concertos ao vivo e uma nova missão: pensar o colectivo através da música. Who Is The Sky? é, nas palavras do próprio, “uma espécie de canção de amor à humanidade”. Em entrevista à Rolling Stone, Byrne explicou que a ideia por trás do álbum passa por “trocar os lugares — levar uma orquestra a uma discoteca e um DJ a um concerto”. O resultado é um disco que une linguagens aparentemente opostas, dissolvendo fronteiras entre a música erudita e a cultura pop, entre o íntimo e o universal.
Gravado em Nova Iorque com a Ghost Train Orchestra, o álbum conta com colaborações de St. Vincent, Hayley Williams (Paramore), Tom Skinner (The Smile) e Mauro Refosco (American Utopia). São doze faixas que exploram o quotidiano, a esperança e a empatia, com arranjos orquestrais e melodias pop muito directas. Numa entrevista à ABC, Byrne descreveu o espírito do disco de forma quase antropológica: “Eles riem e choram, vivem e morrem, comem e dançam.” A frase resume o seu olhar para o humano — comum, frágil e celebratório, em constante movimento.
O título Who Is The Sky?, explicou Byrne, surgiu de forma inesperada: “O que apareceu no meu telemóvel foi ‘Who is the sky?’.” A frase, aparentemente absurda, tornou-se o eixo poético de um disco que se interroga sobre a identidade e a ligação entre as pessoas. “A coisa mais punk que se pode fazer hoje é a empatia”, acrescentou noutra entrevista, transformando uma máxima emocional em gesto artístico.
À Variety, Byrne afastou as especulações sobre um possível regresso dos Talking Heads: “A ideia de reunir os Talking Heads só porque é possível é a pior ideia possível. Parte do que tornava aquilo interessante era precisamente a incerteza”. Essa recusa em revisitar o passado define também a sua postura atual — sempre em movimento, sempre a inventar novas formas de comunicar.
Membro fundador dos Talking Heads, Byrne foi um dos pioneiros da fusão entre art-punk, funk e world music. Desde os anos 70, construiu uma das carreiras mais multifacetadas da música moderna: compositor, realizador, escritor (How Music Works, por exemplo), editor (fundador da Luaka Bop, que apresentou ao mundo artistas da América do Sul e de África), Byrne é ainda curador da plataforma Reasons to Be Cheerful, dedicada a histórias inspiradoras. Detentor de um Óscar, um Globo de Ouro, um Grammy e um Tony Award Especial, Byrne é também membro do Rock and Roll Hall of Fame — um artista que encara a arte como uma teia onde som, corpo e pensamento coexistem.
O concerto em Cascais promete uma viagem entre o novo e o clássico, com temas de Who Is The Sky? entrelaçados com hinos como “Once in a Lifetime” e “Lazy”. A teatralidade, a precisão rítmica e o humor característicos de Byrne transformam cada actuação num ritual de comunhão, onde o público é desafiado a abandonar uma posição passiva.