Conjunto Corona no Musicbox: Hidromel, intimidade e badalhoquice na apresentação de Santa Rita Lifestyle

[TEXTO] João Marques [FOTOS] Sebastião Santana

Nós já sabíamos que o hidromel lhes dava força, mas assim tanta? Logos e dB, acompanhados por Kron Silva e Homem do Robe, apresentaram ontem Santa Rita Lifestyle no Musicbox, em Lisboa, num espectáculo de quase 90 minutos que teve de tudo numa sala esgotadíssima.

E não poderiam ter sido melhor recebidos numa casa que já lhes é familiar. Podem ser do Porto, e é nessa experiência que baseiam o seu projecto – Corona é afinal uma personagem mística que reúne em si um pouco de cada “lunático” da Invicta – , mas parece que é aqui que congregam grande parte do seu público, que sabe os refrões, e que grita e bebe num espaço que não precisa de máquinas de fumo para efeitos visuais.

A performance abriu com o álbum quase inteiro de Santa Rita Lifestyle, para só depois revisitarem-se alguns clássicos e favoritos dos fãs do trio portuense. Assim, o primeiro tema foi mesmo “187 no Bloco”. O Homem do Robe bebia uma cerveja e fumava um cigarro, enquanto Logos e dB se calavam para ouvir a plateia cantar praticamente sozinha um refrão que já está na ponta da língua. Depois “perderam-se na variante”, e nem a ausência de PZ impediu o quarteto de cantar e fumar “umas plantas bem boas”.

 



Entre todos os temas, praticamente, o público gritava ‘Gondomar!’, tanto que dB se saiu com uma ideia para um próximo show: “podemos fazer um concerto em que só gritamos ‘Gondomar’!”.

Entretanto, “snifou-se coca-cola” com um público desinibido que não se coibia de interagir com o grupo, e ouviu-se Dorinda Gandra e as suas “Profecias” num momento “solene” à luz das velas, enquanto se curou Saraiva, um amigo da banda. Tudo para anteceder a quinta música da noite, a homónima do álbum Santa Rita Lifestyle. Cantou-se, gritou-se e abanou-se a mão bem lá no ar, mesmo ao jeito hip hop. Com a audiência bem dentro do concerto veio o pedido do produtor do grupo, “eu preciso que vocês gritem bem alto no refrão”, o que deixou adivinhar a próxima música, “Street Ganza do Jardim”.

E com um álbum a meio, nada como uma forçazinha extra. A banda distribuiu, como já é costume, o seu hidromel pelas filas da frente. Os sortudos que conseguiram deitar a mão a um dos cerca de meia dúzia de copos que saíram do palco, servidos pelo próprio Homem do Robe, não tiveram problema em cantar e saltar ao som das faixas que vieram depois. “Funk & Dopamina”, “Dali Somali” e “Delírios Místicos” fizeram-se ouvir em registos diferentes, com ou sem luz, entre brindes e momentos “íntimos de arte e ao mesmo tempo badalhoquice” – uma dualidade que assenta ao grupo que nem uma luva.

 



O alinhamento do álbum (seguido à letra) acabou com “Isto Não Pagas Com Part Times Só”, mas o concerto não. Antes de esgotarem as novas faixas, o Conjunto Corona colocou os holofotes num membro no mínimo especial na plateia. “Para que é que é o sapo?”, perguntou dB para um pequeno grupo de fãs que empunhava no ar um peluche da personagem de televisão Cocas. “É o Sapo dos Concertos”, responderam.

Às 11 faixas expostas de Santa Rita Lifestyle ficou apenas a faltar “Jesus é uma Merda”. Mas a desilusão que isso possa ter causado em alguns espectadores foi anulada pelos momentos que antecederam o fecho do concerto. A primeira depois do álbum novo teve direito a uma invasão de palco em que um membro da plateia subiu para pedir uma salva de palmas ao Conjunto. O público não negou e foi agraciado com as palavras de dB: “sempre que vimos aqui vocês são demasiado gentis. Foi por isso até que escolhemos esta casa para o lançamento do disco.”

Foi um autêntico momento “Best Of”. Seguiram-se músicas das mais populares entre os álbuns anteriores, e a prova que “Chino no Olho” continua a ser a favorita do público lisboeta. Foi um boost de energia para todos os presentes em cima do palco e na plateia.

Mas os Corona não podiam ficar para sempre, e abandonaram o palco com uma sensação de dever cumprido. Contudo, na plateia ficou o sentimento de que aquilo não era ainda o fim. E tinham razão. Foi esperar dois minutos, o tempo de fumar meio cigarro para muitos dos que estavam de pé a ver, e gritar ‘Gondomar!’ mais umas quantas vezes, até que os quatro voltassem para repetir “187 no Bloco” e “Santa Rita Lifestyle”, só que desta vez com ainda mais energia. Um final feliz que ajudou a confirmar uma ideia antiga sobre o grupo: “nunca se viu hip hop tão punk“.

 


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