Carla Prata: “A minha meta é ser reconhecida internacionalmente”

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [VÍDEO] Luís Almeida [FOTO] BStudios

Começámos a ouvi-la em Janeiro deste ano, 2018. Na #ReBPlaylist desse mês, até escrevemos sobre a música de Dengaz a que Carla Prata dá uma vibe diferente. Com bilhete de vinda para Lisboa e sem volta marcada, a artista de ascendência angolana já assinou com a Sony e deixa adivinhar a colaboração com a Bridgetown.

Aliás, não faltaram elogios a Richie Campbell nesta entrevista. “Ele é um bom exemplo do porquê de eu ter vindo para cá. Porque ele, apesar de estar cá e ser português, consegue ser reconhecido internacionalmente”, frisa Carla quando lhe perguntamos quais são os seus objectivos. “A minha meta não é Angola, nem Portugal, é mesmo ser reconhecida internacionalmente”, sublinha.

Com um álbum a caminho, a dona de uma voz doce inconfundível — que encontra paralelismos com Syd (The Internet), por exemplo — diz que “ainda está a encontrar o seu estilo”. R&b era género e mensagem do segundo EP, Com Calma, que lançou no dia dos namorados em 2016. “Nostalgia” é o seu tema mais recente, um aperitivo para o primeiro longa-duração que poderá sair ainda este ano. Até lá Carla Prata promete um verão com muitos singles.

 



Começa por falar um pouco de ti. Quem é a Carla Prata?

A Carla Prata é uma jovem que canta, ainda está a encontrar o seu estilo, mas que vai marcar uma diferença e que vai durar muito tempo no mercado. Espero eu.

Tens 18 anos e és de Benguela, não é?

Tenho 18 anos, sou de Benguela, cresci em Londres e nasci em Londres também. Vivi em Angola três anos e agora estou cá em Portugal.

Sentes-te mais angolana ou mais inglesa?

Eu vivi em Angola os meus anos mais importantes, da adolescência. Então, acho que muitas das coisas que faço agora são influência de Benguela, mas também tenho sempre aquela cena de Londres, mais urbana, mais diferente.

E é aí que vais buscar o teu estilo? Em que estilo é que te encaixas ou queres encaixar?

Não. Eu acho que o estilo musical, apesar de ter crescido em Londres e em Benguela, vai ter sempre mais influência americana por estar sempre a ouvir desde criança. Ouvi sempre os meus irmãos ouvirem 50 Cent, Snoop Dogg. Sempre ouvi o mercado americano e é só agora que o mercado inglês está a sobressair, está a ter mais buzz. Por isso, não. Mas também consigo seguir um pouco da música angolana, vai estar sempre no meu coração e faz parte de mim por ser angolana e estar sempre a ouvir os meus pais.

Consegues identificar alguns músicos que sejam uma influência para ti?

Paulo Flores, Matias Damásio, Anselmo Ralph, C4 Pedro, Ary, Pérola, muitos cantores.

E portugueses? E americanos?

Agora estou a ouvir mais o Richie Campbell, o Dengaz, o Mishlawi. Americanos? Como disse, o 50 Cent, o Snoop Dogg, mas já de há muito tempo. Frank Ocean, Drake, Tory Lanez ou Majid Jordan. Não é só isso, mas são os que curto mais.

Tens dois EPs. O primeiro e depois o Com Calma. No Com Calma, por exemplo, utilizas o beat do “Já Passa” dos Wet Bed Gang. São também uma influência para ti?

Não oiço muito.

Como é que aconteceram esses dois EP? Começaste a cantar aos 15 anos, como é que tem sido de lá para cá?

Fiz a minha primeira música com 15, em Benguela, com a ajuda do irmão de um amigo e depois fiquei bastante tempo sem cantar. Quando voltei a cantar tentei dar algo rápido aos fãs — ainda não eram fãs, mas as pessoas já tinham curiosidade em me ouvir mais. O meu primeiro EP foi dos meus trabalhos mais apressados, não pus muita energia nesse projecto. Já o segundo EP foi para o dia dos namorados. Já tinha mais experiência em estúdio, já sabia produzir melhor. Fiz com calma, que até é o nome do EP.

O que é que quiseste transmitir?

R&b porque acho que é o estilo de amor. Queria transmitir uma vibe assim para poderes estar num carro a ouvir, a conduzir numa vibe chill, mas ao mesmo tempo podias estar a ouvir em casa com o teu namorado ou namorada.

Os portugueses começaram a ouvir-te mais agora com a participação na música do Dengaz. Como é que surgiu essa participação?

Ele mandou-me mensagem no Instagram, depois dei-lhe o meu número e falámos pelo Whatsapp. Mandou-me o instrumental do Twins e gravei em Londres. Mandei-lhe o coro, fizemos alguns ajustes, mas eu ainda em Londres. Depois vim para cá e estivemos em estúdio, acabámos a música juntos. Voltei para Londres mais um mês ou algo assim, entretanto vim a Portugal para fazermos os vídeos. Fizemos o vídeo num dia muito longo, mesmo muito longo, mas valeu a pena.

 



O Dengaz ficou a conhecer-te através do YouTube?

Não, pelo Richie ou o Mishlawi que mostraram a minha música, “Body”, no Soundcloud. Acho que foi isso.

Ou seja, a Bridgetown já está de olho em ti? Há trabalho para breve?

[risos] Não vou dizer muito, mas sim. Com eles.

Já tens muitos fãs em Portugal?

Cresceram agora. Não sou muito de estar atenta às mensagens do Insta nem do Twitter, mas recebia poucas mensagens de pessoas daqui a pedirem para fazer actuações em listas de escolas, em Londres não há isso. Mas agora já tenho muitas fãs. Muitas não, mas aumentaram por causa da música com o Dengaz. Espero continuar a fazer com que esse público aumente.

Quais têm sido os principais comentários?

Que gostam da minha voz, querem ouvir mais. Mas pronto, quero colaborar mais com artistas de cá, com o Richie, o Mishlawi, o Jimmy P.

Para quando um álbum? Tens já algo planeado?

Tenho. Já tenho o álbum feito, mas estou à espera do momento certo para lançar. Preciso de mais singles, vou lançar mais singles este ano. Lancei uma música, “Nostalgia“. Vou esperar mais uns meses, mais para o fim do ano se calhar e quero que este verão seja perfeito para mim então vou lançar singles, singles, singles.

“Nostalgia” já é do próximo álbum? Qual é o conceito deste trabalho?

Este primeiro álbum não vai ser muito diferente ou não vai fugir muito do que os fãs querem. Para o próximo já tenho em mente o que quero e como vai fugir muito do que faço queria dar algo aos fãs, para eles manterem se não curtirem do segundo. O segundo vai fugir muito do que faço agora, então o primeiro vai ser mais uma coisa para eles ouvirem se não curtirem do segundo ou para ficar tipo parte deles, uma cena que podem ouvir quando pensarem em mim.

Quando dizes que vais fugir no segundo álbum significa que vais deixar de lado o r&b?

Primeiro não vou cantar muito em português. Segundo quero começar mais a fazer música no estilo pop, não muito r&Bv só porque eu acho que me dá mais aquele challenge.

Escreves sempre as tuas letras, certo? É fácil para ti, mudando de estilo, adaptares a escrita?

Sim. É um desafio. Quero mesmo tentar escrever em inglês, melhorar a forma como escrevo.

Agora que estás em Portugal sem bilhete de de volta, como é que olhas para o panorama da música em Portugal, principalmente no género hip hop e r&b?

Eu sou uma pessoa muito distraída e não presto atenção às coisas. Mesmo em Angola entrei para a TRX sem saber muito sobre a new school que é a TRX e outros grupos de rap. E aqui é exactamente a mesma coisa. Fiz a música com o Dengaz, tinha noção de alguns dos cantores — por exemplo o Richie e o Mishlawi por serem já grandes artistas –, mas não tinha muita noção dos outros. Agora já oiço mais o Jimmy P, o Waze e mais uns tantos. O Zara G oiço mais. Agora já tenho mais noção do que se está a passar aqui e, sem dúvida, está ser muito bom. Eu acho que agora mais do que nunca os artistas portugueses, nomeadamente rap, estão a subir.

O que é que achas que vais trazer à cena musical em Portugal? Quais são os teus objectivos?

Para ser sincera, a minha meta não é Angola nem Portugal, é mesmo ser reconhecida internacionalmente. É um desafio muito grande, eu tenho noção disso, mas vale a pena tentar. Vejo o Richie, ele sem dúvida é o melhor artista português agora. Ele fez o espectáculo agora no Altice Arena… sem palavras! Ele é um bom exemplo do porquê de eu ter vindo para cá. Porque ele, apesar de estar cá e ser português, consegue ser reconhecido internacionalmente. E é isso que eu quero.

 


Alexandra Oliveira Matos

Alexandra Oliveira Matos

Questionar é o verbo pelo qual orienta o olhar. Licenciada em jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, mestre em continuar a aprender.
Alexandra Oliveira Matos