BATEU MATOU sobre “Lume”: “Precisávamos de uma voz crioula com fantasmas e desejo dentro”

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Ana Viotti

Na passada sexta-feira, Ivo Costa, Quim Albergaria e RIOT atiraram “um balde de gasolina mesmo para o meio do fogo”: “Lume”, o primeiro tema dos BATEU MATOU, conta com a participação de Scúru Fitchádu e contribuições de Gui Salgueiro e Kooper.

Como se pode constatar logo a partir dos primeiros segundos da canção, os três bateristas foram buscar elementos do trap e do funaná para criar a base instrumental a que Marcus Veiga, autor do explosivo Un Kuza Runhu, se entrega num registo pouco habitual na sua obra, sensualizando de um jeito que é, definitivamente, só seu.

O primeiro concerto desta “banda de baile” aconteceu em Outubro de 2017, incluído na programação do Jameson Urban Routes, mas a procissão ainda vai no adro — e o próximo concerto (o primeiro de um ciclo de três no Musicbox, em Lisboa) está marcado para dia 27 deste mês.

A propósito deste lançamento e das actuações na rua cor-de-rosa, metemos Quim Albergaria a falar escrever sobre um “booty call incendiário”, os live acts e as “panelas” que estão “no fogão”.



[“Lume” e a “crush” por Scúru Fitchádu]

“Começámos a trabalhar neste e noutros temas o ano passado. E quando ouvimos o lead meio ‘trappy’ e o beat de funaná mutante por cima, sentimos logo que precisávamos de uma voz crioula com fantasmas e desejo dentro. E se percorreres a lista de vozes crioulas com fantasmas e desejo dentro, o Scúru é o início e o fim dessa lista. E o resultado tem exactamente a tensão e libido que estávamos à procura para o tema. Depois de um telefonema e a partilha do instrumental, falámos um pouco com o Marcus da ideia do tema ser sobre uma espécie de booty-call incendiário ele veio com os versos. Versos esses que foram gravados incólumes, nem lhes mexemos. A grande surpresa foi ouvi-lo com um outro registo de voz, mais falado, quase de cama. Bem, acho que é claro que o nível de crush com Scúru é grande no camp BATEU MATOU.”


[Dos ensaios para o palco e do palco para o estúdio] 

“Foi pouco mais de um ano a pensar como uma banda de baile, que funcionava como pouco mais que um live act em esteróides. Fizemos muitos instrumentais próprios para montar o live da coisa. E no processo começámos a ouvir temas e, nesses temas, vozes. A química entre nós os três é grande, um entendimento à base de ritmo, mas no coração somos os três absolutos fãs de canções e refrões. Por isso foi um passo fácil. Estamos habituados a aceitar desafios sem pensarmos muito e passarmos de live act para banda com canções foi um salto natural.”


[As actuações no Musicbox e o que vem aí] 

“As noites de BATEU MATOU no Musicbox foram oportunidades para aprender — como funciona o bicho dos três kits de percussão, como funcionam as dinâmicas entre nós — e entre nós e o público. E aprendemos muito. O que estamos a fazer ao vivo neste momento é um misto de live act movido a tambores e vai receber cada vez mais canções, mais vozes e mais convidados.

Acendemos o ‘Lume’ e temos várias panelas no fogão. Está a cheirar muito bem. Quando estiver pronto, a gente chama-vos para a mesa.”