7 razões para surfar até à Ericeira e apanhar Chance The Rapper ao vivo

[ARTWORK] Direitos Reservados

 

Quando, em 2013, Acid Rap colocou Chance The Rapper definitivamente no mapa da coisa nova que atravessava o hip hop, as razões para tal impacto não se prendiam exactamente com algum radical gesto de renovação: a arte de Chance soa nessa mixtape como parte de um devir clássico, perfeitamente integrada numa tradição e não disposta a destruí-la; musicalmente, há Fender Rhodes e órgãos jazzy, baixos redondos e carregados de groove, trompetes e guitarras – música que, uma vez mais, se ergue de uma tradição, não que a desmonta. Ainda assim, Chance consegue a proeza de soar fresco, carregado de Sol, com a música a soar do seu momento e não requentada ou meramente revivalista. Há novidade na combinação de flows modernos com a capacidade de rodear uma melodia e entregá-la carregada de veludo aos nossos ouvidos, na forma como usa as palavras como barro para nos esculpir novos sentidos. A mixtape foi distribuída digital e gratuitamente, mas o seu alcance ainda hoje está a ser medido.

Acid Rap funcionou como uma chave mestra e abriu todo o tipo de portas, em universos paralelos, como aqueles em que se mexem pessoas como Lil Wayne, James Blake ou, por exemplo, Justin Bieber: todos eles quiseram a companhia de Chance, o que diz muito do alcance da sua visão musical. E a sua visão musical, como tivemos a oportunidade de explicar quando por aqui se abordou o trabalho de estreia do colectivo The Social Experiment, Surf, é definitivamente diferente. Depois de Acid Rap, Chance The Rapper resguardou-se e ainda não lançou o álbum que o planeta deseja ardentemente que edite. Chance está a estudar a vida, a indústria, a ponderar todas as usas opções e a deixar mais do que claro que quando se estrear a solo e a sério o planeta inteiro vai sentir. Enquanto esse momento não chega, poderemos vê-lo e ouvi-lo na Ericeira, para daqui a uns anos podermos dizer que vimos e ouvimos um gigante antes de ele crescer demais para o podermos ter assim tão perto.

 


 

[“Cocoa Butter Kisses” feat. Vic Mensa & Twista]
(Acid Rap, 2013)

Chance The Rapper poderá viajar pelo mundo, mas duvido que encontre um cenário mais apropriado para uma feel good song como “Cocoa Butter Kisses” do que a Ericeira: ali mesmo diante da Empa, esta canção vai fazer pleno sentido – tem refrão singalong, é relaxada, mostra o talento de flows acrobáticos de Chance e só não brilhará mais porque, infelizmente, Chance não terá Vic Mensa ao seu lado. Ou Twista

 


 

[“Chain Smoker”]
(Acid Rap, 2013)

Mais um tema incrível: muito curioso como a programação dos hi hats ancora esta canção no presente, mas o piano a decora com uma aura clássica. Mais uma vez, ginástica de nível olímpico com as palavras e as respirações deste “chain smokin, name droppin’, good lookin’, mo fuckin’, motha shut your mouth, Frank Ocean listening, stain hittin’, satin woodgrain grippin’, paint drippin’” rapper de Chicago…

 


 

[“Nostalgia”]
(#10Day, 2011)

Tema da primeira mixtape #10Day, com produçãoo de MF Love, é mais um tema de memórias, que remete para infâncias passadas – “I used to chill with the kids next door”, canta o ainda jovem Chance The Rapper, que consegue no entanto soar sábio e vivido e fazer uma daquelas canções que bate ainda mais quando o sol nos aquece o rosto…

 


https://www.youtube.com/watch?v=ThWKTW24dl8

 

[“Warm Enough” feat. NoName Gypsy & J. Cole]
(Surf, 2015)

Tema do álbum de Donnie Trumpet & The Social Experiment, mais uma música cheia de Verão que quase nos faz duvidar que Chance venha de Chicago e não de algum lugar na Califórnia banhado pelo Sol. “Like the sun, who are you to tell me I can’t love you?”, canta Chance The Rapper neste tema em que também se fazem ouvir NoName Gypsy e J Cole.

 


https://www.youtube.com/watch?v=ZeZI-GLv0qA

 

[“Wanna Be Cool” feat. Big Sean, Kyle & Jeremih]
(Surf, 2015)

Mais um tema de Surf, em que Chance The Rapper surge na companhia de Big Sean, Kyle e Jeremih. Chance canta: “I don’t wanna be cool, i just want to be me”, um mantra que diz muito da sua atitude perante a vida e que tem recorte de singalong perfeito para ser cantado ao vivo.

 


 

[ACTION BRONSON FEAT. CHANCE THE RAPPER] “Baby Blue”
(Mr. Wonderful, 2015)

Tema de Mr Wonderful de Action Bronson em que Chance The Rapper retribui a participação que o rapper barbudo assinou em Acid Rap no também incrível “NaNa”. Como o beat é de Mark Ronson, dominado por um piano boogie, bom para soar num grande sound system, é provável que Chance o agarre para cantar ao vivo, até porque o refrão que ele agarra é fantástico. E depois há o seu verso, cheio de veneno amargo, daquele que cuspimos quando nos partem o coração.

 


 

[“Juice”]
(Acid Rap, 2013)

Talvez o grande hit de Chance The Rapper, tema de proa de Acid Rap que é uma mostra perfeita do seu enorme talento:

Rapper song, singer, suspended, subpoena
For misdemeanors, dreamer
Held back ass is lowkey still a senior

Wow, certo? Certo. Até logo.

Rui Miguel Abreu

Rui Miguel Abreu

Crítico musical desde 1989, Rui Miguel Abreu escreve atualmente para a Blitz e integra a equipa da Antena 3. De vez em quando também gosta de tirar o pó aos discos e mostrá-los em público.
Rui Miguel Abreu