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Fotografia: Christopher Parsons
Publicado a: 04/05/2026

Uma semana de novidades audiovisuais nos terrenos do hip hop e electrónica pela mão de Gonçalo Oliveira.

7 Dias, 7 Vídeos

Fotografia: Christopher Parsons
Publicado a: 04/05/2026

Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.


[Isaiah Rashad] “M.O.M”

Isaiah Rashad tem novo álbum e a comunicada hip hop já tem estado com a cabeça enterrada em IT’S BEEN AWFUL à procura de novas pérolas para embelezar as suas playlists. Se o primeiro single (“SAME SH!T”) e a colaboração com uma tal super-estrela chamada SZA (“BOY IN RED”) facilmente se sobressaíram por entre o alinhamento por motivos óbvios, a deep cut que mais capta a nossa atenção neste momento é “M.O.M.”, uma faixa que soa à versão acelerada de “Free Luch” (do próprio Isaiah Rashad em 2016) e nos permite apreciar os versos de um dos mais talentosos artistas da Top Dawg Entertainment numa cadência menos comum sobre um beat jazzy quase a roçar o drum and bass.


[JPEGMAFIA] “babygirl”

Como um verdadeiro político controverso, JPEGMAFIA parece estar a querer dividir para conquistar o título de rei do EXPERIMENTAL RAP, aproveitando para trollar os seus colegas de profissão que estão mais próximos da sua lane numa altura em que se prepara para um novo assalto ao mercado com mais um disco. Pela postura, parece estar a querer vestir a capa que deu o título ao seu terceiro álbum (All My Heroes Are Cornballs), mas o output musical desta mais recente fase parece continuar em dia como mostra o avanço inaugural “babygirl”, um festim de repetidos “what you gonna do?” (cortesia de Saul Williams) e recheado de punchlines, como quem mostra estar pronto para a guerra e espera por retaliação a qualquer momento.


[YURAN] “Amor Puro”

Parece ser este o momento para YURAN se sentar à mesa e pegar nos talheres para comer do cake. O homem que tinha ajudado a alicerçar “Vivi Good”, um dos singles mais sonantes dos Instinto 26, e deu os primeiros passos a solo em 2020 com “Tropas” e “Sonhos”, volta agora para se afirmar como uma das vozes mais interessantes do afroswing nacional com “Amor Puro”, assistido por Gemiiny na produção e recorrendo a memórias para dar balanço aos seus versos (e como base para as nuvens de fumo que lhe apaziguam os pensamentos).


[xtinto] “Nunca Mais”

A nostalgia amorosa do hip hop nacional estendeu-se a xtinto, que na semana passada fez emergir o acompanhamento visual para uma das mais bonitas canções contidas no seu último Em sonhos, é sabido, não se morre, álbum marcado, acima de tudo, pelo amadurecimento na escrita e na sonoridade apresentadas pelo MC de Ourém. Se é para sofrer do coração, ao menos que essas dores nos rendam músicas como esta “Nunca Mais”.


[ICARO] “NÃO DISSESTE NADA”

O assunto é o mesmo, mas o goove é diferente. A proposta de ICARO é combustível perfeito para a temporada de pré-época dos Santos Populares mostra que também é possível lacrimejar quando se dança, abraçando uma fusão entre a pop, a eletrónica e a tradição portuguesa numa malha esculpida por Filipe Survival. “NÃO DISSESTE NADA” dá um pontapé na incerteza e corta os espinhos pela raiz para que a sua rosa possa brotar ainda mais forte na hora de encontrar novo destino.


[HILLARI] “How Does It Feel”

Nascida em Oslo, Noruega, e filha de pais filipinos, Hillari Alison Conlu tem estado a galgar terreno nos campos da neo-soul nos últimos anos. Assinando apenas como HILLARI, atravessa atualmente o momento de maior fulgor na sua ainda curta carreira: em 2025 rubricou o disco de estreia New Beginnings, surgiu no palco do A COLORS SHOW em Fevereiro último e celebra agora o primeiro aniversário desse trabalho de apresentação com um novo single, “How Does It Feel”, uma explosão de felicidade pelo reconhecimento que tem vindo a conquistar.


[AJ Tracey] “Quaresma”

São poucos os jogadores com as capacidade técnicas de Ricardo Quaresma que acabam as carreiras sem nunca vingar numa grande equipa fora de Portugal. O português, que é figura de culto do futebol mundial, serve agora de referência para um outro atleta (dos flows) que tem operado mais à margem esculpir uma nova faixa avulso: AJ Tracey pega na bola para fintar tudo e todos em pouco mais de um minuto e celebra um daqueles golos de trivela à “Quaresma” sobre um drill etéreo de cunho bem autoral.

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