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Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 02/03/2026

Uma semana de novidades audiovisuais nos terrenos do hip hop e electrónica pela mão de Gonçalo Oliveira.

7 Dias, 7 Vídeos

Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 02/03/2026

Era digital, informação à velocidade da luz. Vídeos e músicas a soçobrar pelas plataformas virtuais. Novidades emaranhadas entre si, confusão sónica, sentidos desorientados. Quem nos guia? Por onde vamos? Para onde vamos?

7 Dias, 7 Vídeos é o resgate audiovisual semanal nos terrenos do hip hop e electrónica. Filtragem de qualidade, barreira contra a poeira que nos cega com tanto de novo, com tanto para espreitar e escutar.


[Dave] “The Boy Who Played the Harp”

Dave estava nomeado para três das categorias dos últimos BRIT Awards, que decorreram no passado sábado, e venceu uma delas. Os prémios de Artista e Álbum Britânicos do ano escaparam-lhe — foram ambos parar às mãos de Olivia Dean —, mas o título de Melhor Artista Hip Hop/Grime/Rap ninguém lhe tira. Tudo por causa do seu mais recente The Boy Who Played The Harp, editado no final de 2025 e assente no habitual tom mais meditativo do rapper, servindo para explorar uma narrativa de fé, propósito e identidade, equilibrando relatos da sua vida íntima com momentos de storytelling. Pode estar aqui o fechar de mais um importante ciclo na sua carreira, aproveitando para partilhar o videoclipe para o derradeiro e homónimo tema desse disco.


[Joey Valence & Brae] “pushthepipe”

Joey Valence & Brae chegaram a pisar a linha vermelha, mas souberam dar uma guinada no volante no momento certo. Bateram na mesma tecla da nostalgia vezes sem conta — e com mestria, deva admitir-se — e quando pareciam estar eternamente reféns daquela estética à la Beastie Boys, eis que viram o jogo com HYPERYOUTH, álbum que editaram no Verão de 2025 e no qual se mostraram com sonoridades mais próximas da geração que representam. O refresh fez-lhes bem e deixou-nos perceber que são muito mais do que um mero gimmick, sensação que sai ainda mais reforçada com o upgrade que deram a esse disco na sexta-feira transacta. “pushthepipe” é uma das seis malhas inéditas que pudemos escutar em HYPERYOUTH (afterparty) e vive saudavelmente num limbo entre o groove old school e o tratamento sonoro que a modernidade pede.


[Pink Siifu] “CRTX/VRTX” feat. Armand Hammer

Este é um daqueles features que nunca se negam. Pink Siifu e Armand Hammer são sinónimo de versos que retratam a realidade sem filtros bonitos, instrumentais de elevado requinte e uma estética visual capaz de deixar as mentes mais sensíveis com pesadelos. “CRTX/VRTX” foi o resultado de mais uma colisão entre esses dois planetas que tanto têm oferecido ao hip hop mais autoral vindo dos Estados Unidos da América e é uma das pérolas contidas no alinhamento de ONYX’!, o projecto com que Siifu fechou as contas em 2025 e que deu continuidade ao também muito recomendável BLACK’!ANTIQUE, editado mais no início desse mesmo ano.


[Pedro Mafama] “GANDAIA” feat. Petty

Já é o quinto single que Pedro Mafama lança no último ano e permite-nos cada vez mais visualizar um novo álbum no horizonte. Estamos a acompanhar bem de perto todos os passos que o artista lisboeta tem dado e o próprio abriu o jogo ao Rimas e Batidas numa recente entrevista conduzida por Margarida Valença, onde podem encontrar algumas informações preciosas quanto ao seu futuro. “GANDAIA” é mais um ensaio — sonoro e visual — pré-sucessor de Estava No Abismo Mas Dei Um Passo Em Frente e ganha pontos extra de intensidade pelo verso a rasgar de Petty, a voz icónica que se fazia escutar no início do percurso dos Buraka Som Sistema.


[Mick Jenkins & greenSLLIME] “Tai Chi”

Sem grandes rodeios, a Shatter The Standards já lhes chama a “melhor colaboração do rap underground em anos”, tal é a consistência dos seus raps e a fluidez com que se entrelaçam. Dificilmente chegamos tão longe ao nível da adjetivação, mas é inegável que a música que Mick Jenkins e greenSLLIME estão a criar em conjunto tem “estrelinha”. BLACK ASS KUNG-FU FLICK é de levar ouvintes ao tapete de tão incisivas que são as rimas deste par e vale-lhes imediatamente um cinturão castanho (pelo menos), como facilmente se pode notar pela forma com que se movimentam em cima da lona do dojo instrumental edificado por Burm, de contornos smooth e a pedir finesse nos poemas nesta exhibition de “Tai Chi”.


[Chico da Tina] “PRESSINHAS”

Menos trap, mais tradição. E certamente mais perspicácia na promoção. Assim está Chico da Tina no regresso aos lançamentos a solo com este “PRESSINHAS”, uma faixa que anuncia a chegada do “luso-forró” e retrata um problema cada vez visto (e filmado) nas estradas portuguesas: a falta de paciência ao volante. Está assim revelada a fonte sonora da qual saiu a mais recente campanha publicitária da WTF, em que podemos escutar Chico da Tina a interpretar uma versão alternativa desta sua própria canção — e, diga-se, com uma precisão clínica a casar humor com marketing.


[Foggieraw] “Disrespectfully Decline” feat. Larry June

Enquanto que Donald Trampa procura expulsar o maior número possível de cidadãos não-americanos do país, há editoras, como a Mercury Records, que não temem e dar-lhes palco. Natural do Gana, Foggieraw vinha a dar nas vistas através de projetos de menor dimensão, mas encontrou meios para se estrear num álbum na passada sexta-feira com With No Due Respect. No fim de contas, o hip hop norte-americano saiu a ganhar com o desabrochar desta flor no seu território, que até conseguiu cativar alguns nomes mais consagrados da indústria, como John Legend, Ari Lennox ou Larry June, cuja participação em “Disrespectfully Decline” teve ainda direito a vídeo.

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