5 reveladores discos hip hop prometidos para a Primavera

[Foto]: Direitos Reservados

 

Muitos dos discos aqui contemplados estão nas headlines fazem meses, senão mesmo anos. Veja-se o caso de Swish, de Kanye West, que já foi So Help Me God e que já foi indicado para lançamento ainda este mês e que, mais uma vez, ninguém sabe do paradeiro da produção. Não duvidamos que tudo passa não só por timings de Yeezy – sempre activo em espectáculos e performances (dos Estados Unidos à Arménia) e até em Universidades, tendo recebido recentemente o grau de Doutorado Honorário pela Art Institue of Chicago -, como também por estratégias de marketing. A mínima vírgula soletrada por Kanye é motivo de primeira capa, pelo que o MC e produtor pode dourar a pílula do lançamento de Swish para que este tenha o maior alcance de audiência possível. Opção que faz toda a lógica no caso de West.

Já deste lado do Atlântico, o aguardado predecessor de A Árvore Kriminal (2013) de Allen Halloween está prometido desde há pelo menos dois anos. O rapper da zona de Odivelas lá rasurou todos os boatos e histórias sobre o estado da produção e anunciou no Facebook o lançamento do disco para o próximo mês.

A estes dois juntam-se ainda Chance The Rapper, A$AP Rocky e Chief Keef, rappers que se encontram bem posicionados entre os apreciadores do género e cujos próximos lançamentos podem dar umas luzes sobre a sua evolução na cena. É conferir os discos e sons de que são feitos os álbuns prometidos ainda para esta Primavera.

 


 

[Allen Halloween] – Híbrido
(Junho 2015)

O murmúrio de backstage sobre a edição do terceiro disco de Allen Halloween arrasta-se há pelo menos dois anos. Nesse longo período, o rapper da Póvoa de Santo Adrião nunca desmistificou o projecto, os boatos sobre as datas de lançamento, o que realmente aí vinha. As respostas, se é que as houve, surgiram sempre em formato musical ou videográfico: foram pelo menos oito das tracks despejadas para a web [quase] sem aviso prévio, sem que nunca se percebesse se realmente iriam integrar algum futuro disco.

A dúvida foi desfeita há sensivelmente uma semana quando Halloween partilhou no seu mural do livro-das-caras uma faixa intitulada “Mr. Bullying” com a indicação de que Híbrido seria finalmente editado em Junho. Está assim quase consumado o regresso do rapper que fotografa as ruas como poucos. Sem um dia definido para o lançamento, resta-nos cruzar os dedos para que ainda venha em épocas primaveris.


 

[Chance The Rapper] – Surf
(Self-released, sem data oficial)

O lançamento de Surf para a internet continua em banho-maria desde finais do ano passado. O álbum que sucede ao aclamado Acid Rap é um projecto conjunto do rapper alternativo de Chicago com a sua banda The Social Experiment e não terá edição física, sendo mais um desses lançamentos directos para os circuitos globais da web. Não há muitos anos atrás assistimos a verdadeiras batalhas jurídicas entre artistas e programadores e responsáveis de site e plataformas de distribuição gratuita de conteúdos músicas sem autorização. O paradigma está efectivamente alterado: os próprios artistas já optam pelo lançamento de EPs e LPs directamente para a internet, evitando passagens pelos filtros de editoras e distribuidoras.

Surf pode cair nas malhas da rede a qualquer instante (já viram o Facebook do artista hoje?!). Certo é que independentemente de sair, ou não, nas próximas semanas, Surf estará certamente em escuta na Ericeira aquando da passagem de Chance The Rapper pelo festival Sumol Summer Fest.


 

 

[A$AP Rocky] – At. Long. Last. A$AP.
(Polo Grounds/RCA, 2 de Junho 2015)

At. Long. Last. A$AP. reúne uma boa carga de expectativa enquanto terceiro disco do MC de Harlem, Nova Iorque. Depois dos consistentes Live.Love.A$AP (2011) e Long.Live.A$AP (2013), A$AP Rocky tem neste regresso aos longos a prova dos nove no que toca à continuidade do hype em torno dos seus skills. É verdade que há quem aposte que o rapper da crew A$AP Mob dificilmente irá variar no seu estilo ao longo dos anos, acabando mesmo por não sair do seu habitual registo. Contudo, Rocky está apostado em trazer coisas novas, pelo menos a julgar pela entrevista de antecipação do álbum que deu à Rolling Stone.

Há um novo foco em A$AP Rocky: já não quer ser o melhor rapper, apenas fazer o seu trabalho e dar o seu melhor nas suas produções. O álbum, esse, será de abordagem linear às trips ácidas do rhyme sayer nova-iorquino, que será o mesmo que dizer que é expectável encontrar uns beats bem psicadélicos (há produções de Danger Mouse, Juicy J, entre outros) e líricas não só egotrip como também introspectivas.


 

[Kanye West] – Swish
(Def Jam, sem data oficial)

Imprevisível. É uma das muitas descrições simples e concisas a aplicar ao produtor e MC de Chicago. Inicialmente intitulado So Help Me God, o novo álbum de Kanye West deverá ser titulado de Swish, uma homenagem (diz o rapper) à esposa Kim Kardashian. Seja de que modo for, este é um álbum crucial para Kanye West. Certamente que muitos dos que ouviram To Pimp a Butterfly de Kendrick Lamar se interrogaram de seguida: now what, Kanye? E a dúvida permanecerá até ao lançamento do propalado disco.

Analisando de modo coerente, não está em causa se Swish fará frente a To Pimp a Butterfly enquanto longo de renovada abordagem funksoul; ou se será um manifesto para os negros; ou se trará uma inovadora storytellingSwish reúne, sim, a curiosidade de fãs, apreciadores e detractores de Yeezy sobre a abordage que este irá aplicar no álbum por forma a que estilhace os cânones actuais e mantenha Kanye no trono enquanto o mais versátil, criativo e arrebatador produtor do hip hop do séc. XXI.

A julgar pela track acima, Kanye está aberto a experiências novas, a misturas de estilos, a experimentações sonoras que ainda requerem aprofundamento. É essa sua marca, o que realmente o distingue. O difícil não é chegar ao topo, é permanecer lá em cima. Será que Swish vai cimentar a posição de Kanye? A resposta (ao que tudo indica) surgirá em breve.


 

[Chief Keef] – The Cozart
(Self-released, sem data oficial)

O miúdo que mostrou ao mundo o rap que brotou das ruas e dos gangs de Chicago – conhecido como drill rap – está prestes a lançar o seu segundo disco de estúdio, The Cozart. Há cerca de um mês, Chief Keef publicou no seu Instagramalbum art da compilação e anunciou que estaria brevemente nas prateleiras das lojas. Será o primeiro longo editado de forma independente pelo rhyme sayer de Chicago desde que cessou ligação com a Interscope no ano passado.

Há semelhança dos artistas mencionados acima, este é igualmente um trabalho de relevante importância para Chief Keef. O estado de graça que se gerou com Love Sosa, a track de 2012 que atingiu mais de 46 milhões de views no YouTube e que emancipou o estilo próprio de Chief Keef, há muito se esfumou, até porque Finally Rich, o seu álbum de estreia, não confirmou a promessa que se dizia ser e que até levou Kanye West a chamá-lo para Yeezusescutar Hold My Liquor. É, portanto, um momento de regresso aos holofotes, ancorado pela legião de fãs que o seguem na internet, ou de apagamento por tempo indeterminado de um dos pioneiros da nova escola hip hop da terceira maior cidade norte-americana.

Não há qualquer avanço disponível nesta altura. Porém, acima está para escuta a mixtape que Chief Keef disponibilizou na web em Fevereiro. Sorry 4 The Weight é aparentemente inspirada na semelhante compilação Sorry 4 The Wait de Lil’ Wayne lançada em 2011.

ReB Team

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