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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 13/03/2026

O ADN estético de um renascentista do hip hop.

5 artistas que influenciaram a identidade visual de Holly Hood

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados
Publicado a: 13/03/2026

Quando irrompeu em força há uma década, com O Dread Que Matou Golias, Holly Hood não se destacou apenas pela escrita talentosa e ágil e a produção fresca partilhada com o irmão de armas Here’s Johnny. Na era dourada dos videoclipes no YouTube, quando um single poderoso chegava com alguma facilidade aos vários milhões de visualizações, o rapper da Linha da Azambuja também saltou à vista pela identidade visual.

A obscuridade e o sangue lírico — preto e vermelho são as cores que mais lhe associamos, tanto as encontramos no símbolo da Superbad como no design do concerto que Holly Hood se prepara para dar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, este sábado, 14 de Março — e os videoclipes com uma aura noir, que foi dirigindo para si e para os seus cúmplices sob o selo Gangangang. A par do trabalho de ilustração e das recentes incursões pelo universo dos perfumes, são algumas das valências que o tornam num verdadeiro renascentista do hip hop.

Enquanto editor honorário do Rimas e Batidas esta semana — depois de um ensaio sobre o seu mais recente disco, Opressionismo; da selecção dos momentos-chave e dos lugares que definiram a trilogia; e dos 5 MCs que moldaram a sua arte da rima —, Holly Hood partilha uma lista das suas principais referências de artistas visuais.

Tal como Holly Hood pratica na sua arte, são criadores que exploram o desconforto, o confronto, a provocação e a dor, seja através do cinema, dos videoclipes ou da fotografia. Eis a lista dos cinco escolhidos, com alguns comentários feitos pelo autor de O Dread Que Matou Golias.



[Lars von Trier] “Limites, culpa, dor e moral a bater de frente (Dogme como atitude)”

O controverso cineasta dinamarquês — autor de filmes como Dancer in the Dark, Dogville ou Melancolia — foi um dos que lançaram nos anos 90 um movimento de vanguarda no cinema que ficou conhecido como Dogme 95. Era uma visão purista da sétima arte: a rejeição de efeitos especiais, de cenários e de iluminação artificial, a filmagem mais natural possível, a história e a representação como centro da peça. Oscilando entre a experimentação e um rigor mais formal, Lars von Trier cunhou um cinema autoral marcado por uma intensidade e provocação, tanto emocional como estética, que procura confrontar o espectador, muitas vezes explorando temas como culpa, sofrimento e destruição psicológica, entre questões morais desconfortáveis. Além de ressoar junto da identidade visual de Holly Hood, coincide igualmente com a sua escrita.



[Gaspar Noé] “O poder de uma estética sensorial e agressiva, onde a câmara e o som parecem atacar o corpo”

É o inconfundível autor de filmes como Irreversível, Enter the Void – Viagem Alucinante ou Clímax. Trata-se de um cinema profundamente imersivo, graças à maneira como o franco-argentino utiliza a vertigem dos movimentos de câmara ou os planos-sequência prolongados como forma de aproximar o espectador da acção que se pretende retratar. Interessado em conceber filmes que sejam quase experiências limite, para perturbar e desorientar a audiência, Gaspar Noé explora com frequência estados alterados de consciência, violência, sexualidade ou perda de controlo. Talvez faça sentido rever os diferentes videoclipes realizados por Holly Hood e notar a forma como Noé pode ter inspirado a forma de captar imagens.



[Alejandro Jodorowsky] “Surrealismo espiritual: símbolos, rituais e imagens que parecem sonho, mas falam de dor e transformação”

Holly Hood pode não ser o mais surrealista dos rappers, mas nesta fase em particular do seu percurso tem discursado frequentemente sobre transformação e transcendência, sobre encarar a dor como forma de superação. Ora, à sua maneira, o mestre do surrealismo Alejandro Jodorowsky, cineasta franco-chileno, reflectiu sobre transformação interior, identidade, espiritualidade e poder com obras como El Topo ou A Montanha Sagrada, tentando levar os espectadores a um certo despertar espiritual. São rituais cinematográficos que combinam mística, humor absurdo e provocação visual com imagética religiosa e alegorias filosóficas (referências que por vezes também encontramos nos escritos de Holly Hood). 



[Chris Cunningham] “A arte pode ser desconfortável, feita para ficar na cabeça e não para ser ‘bonita’”

Reconhecido como realizador de videoclipes para Aphex Twin ou Björk, Chris Cunningham desenvolveu uma linguagem visual marcada por corpos híbridos e ambiências industriais ou distópicas, algures entre o erotismo e o grotesco. Uma estética futurista e inquietante próxima de uma ficção científica sombria. “Os vídeos frenéticos e selvagemente inventivos que fez redefiniram o formato”, escreveu o jornal The Guardian.


 


[Joel-Peter Witkin] “A beleza do grotesco: imagens que chocam, mas obrigam a encarar o humano sem maquilhagem”

Joel-Peter Witkin é o fotógrafo norte-americano conhecido pelas imagens encenadas, muitas vezes com inspiração da pintura clássica e com apontamentos religiosos e históricos, que exploram o grotesco — corpos com deformidades, padrões de beleza subvertidos, fragmentos anatómicos. O resultado são fotografias que podem provocar repulsa, mas também suscitar a curiosidade face à invulgar composição estética. É uma abordagem ao corpo humano que reconhecemos nalguns artworks de Holly Hood, geralmente coloridos, onde se inclui a capa do próprio Opressionismo.


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