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3 coisas que aprendemos na conversa de Solange e Beyoncé para a Interview Magazine

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Após alguns anos a viver na sombra da irmã mais velha, Solange reclamou finalmente o seu lugar à mesa onde se juntam os grandes. Aqui, no Rimas e Batidas, a mais recente lufada de ar fresco vinda da família Knowles, mereceu 2 diferentes ensaios em torno do poderio sónico de A Seat At The Table por Núria e Alexandre Ribeiro.

Os derradeiros meses de 2016 serviram para irmos lapidando nas nossas mentes o diamante em bruto que Solange nos entregou sob a forma de álbum.  esse que é marcado também pela sua própria entrega a um dos trabalhos mais bem conseguidos do ano que transitou.

Agora que deixámos A Seat At The Table respirar, como se de um bom vinho se tratasse, é tempo de olhar para as declarações feitas por uma artista com urgência em se expressar. Numa conversa mediada por Beyoncé, irmã e artista que já passou por essa fase e que, ainda por cima, conhece Solange como ninguém.

A super-estrela pop vestiu a pele de repórter para a Interview Magazine e entrevistou a mais recente sensação do clã Knowles. Uma conversa captou a atenção do Rimas e Batidas, repleta de confissões e curiosidades acerca de um projecto que valeu a Solange uma nomeação para a edição deste ano dos Grammys.

 


 

[O experimentalismo e a auto-descoberta]

A Seat At The Table poderia ser uma estreia de sonho, mas não é disso que se trata. Para chegar ao nível que lhe reconhecemos, Solange teve de percorrer um longo caminho na sombra de Beyoncé. É inevitável falar na nova coqueluche da família Knowles sem lembrar os imponentes passos da irmã mais velha no mundo da pop.

O maior erro que a voz nativa de Houston poderia cometer seria tornar-se numa cópia da irmã. Ter de dividir o protagonismo com alguém cujos créditos estão mais do que consolidados dentro da indústria musical. Para contorná-lo, Solange teve de ser ela própria, ao invés daquilo que a própria industria, provavelmente, gostaria que ela fosse. O trajecto foi, logicamente, mais longo do que era expectável, mas esse é o preço que se paga por se ser original/autêntico.

Beyoncé reconhece o mérito que Solange adquiriu por fazer algo menos convencional. E lembra isso durante a conversa entre ambas, dando destaque às armas que Solange tinha ao seu dispor: a voz, a capacidade de produzir/compor os próprios temas, a escrita e até mesmo o seu envolvimento no processo dos vídeos e coreografias. Bey destaca os episódios em que a irmã mais nova se fechava no quarto para fazer experiências com recurso a uma bateria e um gravador.

 


 

[Self-made]

Ao colocarmos lado a lado as duas intervenientes desta conversa, rapidamente concluímos que o trajecto de Solange é bem mais singular do que o da irmã. Embora partilhem o mesmo modelo de educação e tenham tido acesso a recursos semelhantes, a voz de A Seat At The Table trilhou um caminho personalizado. Por exemplo, isso reflecte-se na escolha de entregar um lugar de destaque ao rapper Master P para narrar alguns dos interlúdios do seu álbum.

“Precisava de uma voz pelo álbum que representasse o empreendedorismo e a independência”, explica Solange à irmã. Se Beyoncé teve um percurso mais ou menos previsível, tanto dentro das Destiny’s Child como a solo com recurso às técnicas mais catchy da música pop, Solange fintou esse tipo de jogadas ao focar-se num som muito mais pessoal. Isso fê-la passar obrigatoriamente pela casa de partida. Construiu a sua própria fanbase, testou, moldou o tipo de som que queria, e, finalmente, pôde afirmar-se perante o mundo com um álbum fora do âmbito comum. Se nos lembrarmos que o seu primeiro registo foi editado em 2003, conseguimos contar 13 longos anos pelos quais Solange caminhou nas sombras, enquanto preparava a sua ascensão à mesa dos grandes por uma porta diferente daquela que Beyoncé entrou.

Em entrevista à Complex, Master P comentou a actual fase da cantora com a qual colaborou: “Ela é uma estrela e agora chegou o momento dela.” Palavras preciosas de um verdadeiro self-made que soma no currículo 14 álbuns lançados de forma independente.

 


 

[Influências]

Sendo um membro do clã Knowles, as influências de Solange certamente coincidem com as da irmã em determinados pontos. A escola vinda da Motown e o gosto pelos grupos femininos da soul são certamente alguns dos parâmetros em comum. No entanto, desta entrevista, destacam-se as referências a Minnie Riperton e a Leonardo da Vinci(!).

“Ela falava de merdas pesadas, mas o seu tom de voz era tão doce”, destaca Solange acerca da voz que encantou o mundo da soul com os seus falsetes, em tom de comparação com o seu próprio trabalho. Em conversa com a irmã, revela também que esse foi um dos seus “truques”. Conseguir tocar em pontos mais críticos sem nunca perder a compostura vocal. Mantendo sempre o equilíbrio, que a própria avalia como uma demonstração de controlo perante todo esse jogo de sentimentos. “Ser directa e clara (…) sem nunca gritar ou berrar”, conclui.

Quanto ao multifacetado artista italiano, a sua influência na cantora baseia-se na sua obra mais famosa. Solange adopta, na capa de A Seat At The Table, uma posição de “Mona Lisa” dos tempos modernos. Colocando diversas molas no cabelo, como se de uma fase de transição se tratasse, junto de um rosto enigmático que sugere um convite: “Vem e aproxima-te. Não vai ser tudo bonitinho. Não vai ser perfeito. Vai ser áspero e pode até ser algo intenso. Mas é uma conversa que precisamos de ter.”

 


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