1980: Lyfers Vol. 3 e a vontade de “continuar a mostrar o que se passa nos estúdios caseiros”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [ARTWORK] Tokyo O’Clock Studio

A 1980 acaba de lançar o terceiro volume de Lyfers. MMMOOONNNOOO, PZ Pimenta, Rastronaut, Caroline Lethô ou TUGALIFE fazem parte da nova compilação que celebra a música independente feita em Portugal.

Nave Mãe, um dos fundadores da editora sediada no Porto, esteve à conversa com o Rimas e Batidas a propósito do novo capítulo inscrito na saga Lyfers, cujo objectivo é “continuar a mostrar o que se passa nos estúdios caseiros dos produtores que estão a moldar ou ditar as linhas condutoras para onde a musica feita por cá nos está a levar.”

Portugal é, cada vez mais, uma zona em foco no mapa cultural à escala global. Não é por isso descabido ir um pouco mais além. “Já podemos ter um pensamento um bocado mais abrangente, porque alguns produtores nacionais já fazem bastante barulho em vários cantos do mundo”. Lyfers Vol 3 é uma parcela desse talento que não necessita de diluir em água, evitando a perda das propriedades que o tornam tão genuíno. “É tipo uma visita aos discos duros dessa malta inspiradora e sacar de lá o seu lado mais puro”, que se traduz “numa palete de cores super completa para o pintor mais exigente e inventivo”. Uma compilação “sem rótulos”, resume Nave Mãe. “Tem temas para diversos estados de espírito pelos quais todos passamos.”

Lyfers Vol. 3 reúne 11 produtores nacionais, cada um deles representado com um tema no alinhamento deste projecto. TUGALIFE, outro dos fundadores da 1980, é o responsável pela faixa de abertura da compilação, repetindo a mesma posição ocupada do primeiro volume, editado em 2014. MMMOOONNNOOO, PZ Pimenta ou Rastronaut também fazem parte deste aglomerado de talentos, bem como Caroline Lethô, que recentemente viu a sua música ser reconhecida pela Red Bull Music Academy e tem viagem marcada para Berlim, onde vai ser umas das alunas da reputada academia.

“Existe malta com quem eu estou regularmente e só ainda não tinham um tema num volume anterior por questões de timings. Como existem produtores em que fiz um pedido concreto e que fiz questão que entrassem nesta compilação”, remata Nave Mãe. “Em qualquer um dos casos, são pessoas e produtores que admiro tanto pelo trabalho como pela forma de estar na musica, e foi fácil chegar a todos porque temos algo em comum.”

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira

Latest posts by Gonçalo Oliveira (see all)