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15 malhas hip hop em repetição na playlist caseira de DJ Firmeza

[FOTO] Marta Pina

Depois do showcase da Príncipe Discos do ano passado, no Ritz, a batida do gueto de Lisboa volta a figurar no cartaz do festival Vodafone Mexefest. Desta vez o embaixador é o jovem DJ Firmeza, filho da Quinta do Mocho e herdeiro de produtores como Nervoso e Marfox. O produtor sobe ao palco do espaço Ciência Rítmica Avançadana Sala Delta do Palácio Foz, nesta sexta-feira já bem depois da meia-noite.

Dotado de uma incrível destreza na mesa de mistura, Cilio Manuel, nome próprio, teve em 2015 o seu mais importante ano no que toca a produções e à propagação das suas batidas polirrítmicas. Figurou na série Cargaa, carimbada pela Warp, e há pouco mais de um mês estreou a sua primeira compilação a solo, o EP Alma do Meu Pai. A estas prensagens, e para completar um ano em cheio, acrescentam-se ainda as múltiplas actuações que teve em Portugal e no estrangeiro.

Em jeito de preâmbulo para a noite de amanhã – onde a temperatura certamente será elevada para os lados da Praça dos Restauradores -, o Rimas e Batidas convidou Firmeza a partilhar um conjunto de faixas que estão regularmente presentes na playlist caseira do DJ e produtor. O resultado não podia ser mais avassalador: street rap lusófono.

 


[QUINTA DO MOCHO? PRESENTE!]

Na entrevista que concedeu ao Rimas e Batidas, em Londres, Firmeza tocou ao de leve nas memórias de infância, na adolescência no bairro e na forma como a música lhe deu um rumo de vida e o desviou de outros destinos. Foi ali que nasceu a batida do gueto de Lisboa, através de DJ Nervoso (“o melhor DJ do mundo”, garante Firmeza), mas nem tudo se resume às mesclas sonoras africano-electrónicas. A Quinta do Mocho é também um pequeno caldeirão de escrevinhadores de rimas, a maioria em crioulo.

A selecção de Firmeza revela-nos um conjunto de rappers locais que expõem liricamente aquilo que os seus olhos observam a cada ida à janela, a cada passeio pelo Mocho: um bairro e as suas gentes desprezados pela sociedade, encostado a um recanto limítrofe da capital onde os moradores – maioritariamente emigrantes da África colonial – podem coabitar longe dos olhares.

São registos arrepiantes sobre a vida num gueto português.

[DOM VÁ FEAT. DI & MURIELA] “Dor & Sofrimento”

 

[DOM VÁ FEAT. NHELAS KISA] “Quinta do Mocho”

 

[MB FEAT. GANDAYA] “Vida Sinistra”

 

[MMB] “Putos Malucos (Prod. RNS Productions)”

 

[QDM] “Mundo di Pecado (Prod. Onyx Beats)”

 


[RIMAS LUSÓFONAS]

Para lá das fronteiras do bairro, Firmeza mostra estar atento ao hip hop underground que emerge das ruas da capital portuguesa. MV Bill do Brasil, Dave WOLF Rodriguez da zona de Sacavém, Ne Jah da Margem Sul, Phoenix RDC de Vialonga, Souza (Mentis Afro) da Amadora. Malabaristas das rimas que contam as histórias das ruas da periferia lisboeta, ou seja, as mesmas que enformam a personalidade de Firmeza e nas quais revê o seu ainda curto percurso de vida. São malhas que podiam muito bem ter sido cozinhadas num qualquer beco ou pátio da Quinta do Mocho.

A escapar do rótulo “underground” surgem NGA e Dillaz. O primeiro já um sábio na cena street rap nacional; o segundo não é desconhecido dos circuitos mais populares do movimento.

 

[DAVE WOLF RODRIGUEZ] “Benediction”

 

[MV BILL] “Falcão”

 

[NGA FEAT. DRIKA & NATACHA] “Minha Família”

https://youtu.be/MKmXj-b45ao

 

[DILLAZ] “Cria Actividade”

 

[NE JAH FEAT. EUZY] “Ghetto (FdiB)”

 

[MENTIS AFRO] “Dificuldadis Di Nha Dia a Dia”

 

[PHOENIX RDC SP DEVILLE] “A Vida é Isto

 


[ATLÂNTICO AMERICANO]

Tupac, Nas & Damian Marley têm por semelhança os efeitos secundários das barras que debitam: estilhaços pregados nas consciências. E tal como os exemplos anteriores, são storytellers das ruas, da vida real, de armas, de gangs, de racismos institucional e também de morte. Mas hoje são também símbolos de esperança, dotados fotógrafos de realidades obscuras, duras, que permanecem actuais (!) dez ou 20 anos depois de primeiro escritas.

Young Thug escapa aqui à norma, embora o rapper de Atlanta também seja um mensageiro de causas bem contemporâneas, como é o caso dos direitos LGBT.

 

[YOUNG THUG] “Best Friend”

 

[NAS & DAMIAN MARLEY] “Patience”

 

[TUPAC] “Letter 2 My Unborn”

 

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