[Estreia] “Sorrizu Margôs” é o primeiro single do novo álbum de Scúru Fitchádu

[FOTO] António Marinho

Scúru Fitchádu acaba de estrear um novo vídeo no YouTube do Rimas e Batidas. “Sorrizu Margôs” é o primeiro single de Un cuza runho, o novo álbum do artista que irá sair pela Garagem Records, label que já editou projectos de Subway Riders, Mão Morta ou The Parkinsons.

Depois de se estrear com um EP homónimo em que apresentou a sua miscelânea feita de “sabores” tão diferentes como o funaná, metal e punk, Marcus Veiga prepara-se para lançar o seu primeiro longa-duração. O Rimas e Batidas esteve à conversa com Sette Sujidade, outros dos nomes pelo qual é conhecido, e falou sobre a edição física do seu EP, a reacção do público mais rock às suas canções ou a inspiração para este novo vídeo.

 



O EP de Scúru Fitchádu acaba de ser lançado em formato físico, isso significa o fechar de um ciclo?

Esta edição física do EP de estreia Scúru Fitchádu, com o acréscimo de mais dois temas novos, surgiu pelo desafio feito por Luís Rattus da label independente ZeroWorks de forma a haver um registo material deste trabalho, uma vez que tinha sido apenas lançado online em 2016 pela distribuidora digital A Lata (de João Rolo e Suzy Lorena) e talvez passasse meio despercebido pela maioria.

Faz sentido: uma vez que não me considero um produto para massas e cliques, mas sim para quem tenha a pré-disposição de querer aceitar e descobrir algo diferente, uma nova coisa e um novo olhar… se o concerto te seduzir o suficiente podes sempre ter o disco disponível numa banca, na própria sala de espectáculo e olhares o artista nos olhos. Não significa o fechar de um ciclo, mas sim o firmar de uma posição, o constante descomprometimento e acima de tudo a atitude combativa.

Fala-nos do vídeo que estão agora a apresentar: a estética negra, próxima de algum metal mais extremo, continua a ser uma inspiração?

O vídeo do tema “Sorrizu Margôs” [Sorriso Amargo] foi realizado e dirigido pelo João Garrinhas “Garras” da produtora “guerrilheira” Outros Ângulos. O Garras quando me falou na eventualidade de fazermos um vídeo single de SF — e as ideias que trouxe para cima da mesa — pôs-nos de imediato em sintonia pela proximidade da direcção artística.

A ideia seria sempre partir de uma mensagem de combate e insurreição, neste caso, com a presença feminina ser bastante aguerrida e firme. O conceito da mulher oprimida e a evolução gradual desta mesma figura, passando de uma posição subjugada, à posição de “que se foda isto, vamos para a guerra”, à presença de opressores numa ideia primordial de ordem machista e algum gangsterismo, até à guerrilha urbana propriamente dita representada por também uma mulher. A presença mais ou menos vincada das influências de música mais agressiva e uma aproximação à estética do punk e do metal é natural, uma vez que estas sonoridades sempre fizeram parte da minha playlist de vida.

Este vídeo segue um pouco a linha essencial de Scúru Fitchádu, de que existe uma outra África, uma África que está despida dos clichés clássicos que esperam que África seja representativa, gera tumulto, é soco na cara, mas é a minha África e o que eu represento.

Como tem reagido o público mais próximo do rock quando escuta a vossa abordagem a essa cultura eléctrica?

A reacção do público mais próximo ao rock tem sido um pouco melhor, agora que esta coisa está a arrancar e estou a provar que isto já não é um devaneio nem uma experiência maluca que me apeteceu fazer num dia de calor. “Culpa” desse bom feedback que tenho recebido é especialmente por quem resolve ir ver esta coisa ao vivo. Seja a tocar para 7 ou para 700, a porrada é a mesma e as barbas crescem.

Que concertos se seguem na agenda de Scúru Fitchádu?

Tenho algumas propostas para próximas datas em Portugal, nomeadamente uma tour nacional que ainda não está firme. Sinto ainda alguma desconfiança quando apresento proposta a festivais, mas é como tudo e faz parte da luta, mas ainda este ano quero internacionalizar Scúru Fitchádu para a Europa e mundo. Estou lutar para chegar a esse objectivo a curto/médio prazo. Acredito que a sonoridade e energia do projecto é igual aqui em Portugal, São Paulo ou Tóquio. Vamos ver o que o futuro nos reserva.

E já há planos para mais edições?

Estou de momento a trabalhar no LP para sair este ano com selo da Garagem Records lá do Porto. Intitula-se Un cuza runho [Uma coisa ruim] e este vídeo é o primeiro single desse mesmo LP. Na luta!

 


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