Young M.A // Herstory in the Making

[TEXTO] Hugo Jorge 

Baixar a guarda é uma questão de identidade em artes marciais. Seja no Boxe, Jiu-Jitsu ou MMA, enfrentar um adversário com as mãos pela cintura pede coragem e uma meia-dose de loucura. São poucos os lutadores que arriscam e ainda menos os que conseguem. Mas ao dominar esta postura, nem que seja por uma ronda, o mais anónimo dos lutadores pode surpreender o mundo e nocautear o mais temível dos adversários. 

Saímos dos ringues e tatames, mas levamos connosco a analogia para falar de um outro combate. Herstory in the Making de Young M.A. O álbum assinala os 10 anos da morte de um irmão e a luta da rapper contra si mesma: o trauma, o luto e a superação. É um processo, mas MA não tem medo de baixar a guarda e enfrentar os seus demónios olhos nos olhos.

São precisamente nos momentos de introspecção que MA desfere os golpes mais poderosos. Como em “Car Confessions”, onde uma volta de carro por Brooklyn é pretexto para pensar sobre “tudo” e como esse “tudo”, por mais caótico que seja, acaba dominado e transformado por MA numa das melhores faixas do álbum. 



O mood contemplativo é igualmente eficaz em “Stubborn Ass”, uma narrativa que gira à volta de um relacionamento mais ou menos saudável: “Cause admitting you wrong is like pulling a tooth/ That’s still in the root that ain’t even loose/ Oh, and you love to assume/ And instead of confronting me/ It’s this big elephant inside of the room”. De guarda baixa, MA entrega uma história poderosa e genuína, em que qualquer casal se pode rever.

Herstory in the Making leva-nos a outros pontos-altos — “No Love” ou “No Mercy” estão carregados de punchlines e valem muitos replays, mas ao longo de 21 faixas é impossível não perder algum fôlego. São várias as músicas que entram na categoria das esquecíveis e sente-se que, sempre que o registo perde intimidade, as letras tornam-se plásticas e repetitivas. Reduzir é, quase sempre, a melhor forma de condensar o conteúdo sem prejudicar a forma.

Young M.A é uma rapper acima da média: é capaz de criar histórias que nos fazem rir, sentir poderosos ou com vontade de deitar uma lágrima. Este álbum confirma-o, mas apenas em alguns momentos. Por agora, isso chega. Porém, fica a dúvida se veremos uma M.A mais consistente e versátil no futuro, capaz de suportar um disco inteiro sem fillers.


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