YBN Cordae // The Lost Boy

[TEXTO] Moisés Regalado 

2018 pode até ter sido o ano de Travis Scott, Migos e Cardi B, mas também terá sido um ano de viragem para YBN Cordae e tantos outros que, como o jovem rapper, decidiram sair do anonimato para disputar um lugar ao sol. Depois de um arranque promissor, com quatro mixtapes acumuladas no mesmo número de anos, não demorou para que Cordae Duston, nascido na Carolina do Norte e criado em Maryland, atingisse marcos tão desejáveis como uma presença na banda sonora de Spider-Man: Into the Spider-Verse (filme de animação com produção Columbia, Sony e Marvel), ou mesmo featurings que o juntaram a Mozzy ou Orelsan, popular rapper francês.

E é fácil começar exactamente pelas participações quando se está perante uma estreia como The Lost Boy, com direito a pelo menos meia-dúzia de ilustres no alinhamento (Anderson .Paak, Chance The Rapper, Meek Mill, Ty Dolla $ign e por aí fora), apesar da experiência dizer que será igualmente fácil esquecer o objectivo da viagem quando há tantas e tão boas distracções — o que felizmente não foi o caso. Como um verdadeiro anfitrião, Cordae não tentou ombrear ou competir com aqueles que aceitaram o seu convite para dar forma a The Lost Boy, dedicando-se antes a recebê-los em sua casa da melhor forma possível.



Daí a fazer um dos álbuns de estreia mais impressionantes dos últimos tempos terá sido um pequeno passo. Como Roger Federer ou Bjorn Borg, Cordae parece não se importar com o piso escolhido — mas importa, ou não fosse esta uma imaculada selecção de beats –, e momentos como “Wintertime” ou “Bad Idea”, com Chance, mais próximos da habitual soul food da sua terra natal, denunciam-lhe movimentos tão naturais como “Have Mercy” ou “Broke As Fuck”, faixas prontas para puxar por qualquer subwoofer. Ainda assim, à distância e bem vistas as coisas, as influências do berço acabaram por falar mais alto, como quase sempre acontece.

Não sendo um dos tais ilustres que polvilha a tracklist, pelo menos à primeira vista, os créditos deste The Lost Boy mostram que J. Cole também terá sido um dos arquitectos da estreia de YBN Cordae — além de uma clara influência para o jovem, como tão bem se ouve em “Nightmares Are Real” ou “Thousand Words”. Além da voz de Anderson .Paak, “RNP” conta ainda com produção de Jermaine Lamarr Cole num dos pontos altos do álbum.

Apesar da sua caneta ainda viver, sobretudo, da força de história passadas, o grande trunfo de YBN Cordae está na sólida, quase palpável, projecção que o rapper faz do futuro. Mais do que um álbum, e mesmo que não lhe falte um fio -condutor, The Lost Boy funciona como uma verdadeira montra para Cordae. Para os seus skills mas também para o jeito natural com que se move entre os grandes, o que acaba por ser tão importante como qualquer dica ou flow.


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