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XXIII: A urgência em salvar o lado mais electrónico do hip hop

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Numa época onde o hip hop se descola cada vez mais das suas raízes sónicas, é com naturalidade que olhemos para o género nascido no Bronx e nos deparemos com um ilimitado número de ramificações que crescem dentro da cultura. Apesar de a sua forma mais tradicional continuar a fazer parte do nosso dia-a-dia, é inevitável a propagação de um estilo musical que, cada vez mais, abraça outro tipo de sonoridades para chegar até nós nas mais diversas mesclas sonoras.

Em 2015 surgiu a XXIII que assumiu fazer parte dessa evolução natural, apegando-se ao lado mais electrónico do hip hop com o intuito de criar uma plataforma sólida que alimenta os seus seguidores com o mais refinado produto das novas tendências de future beats. Tiago Torres e Francisca Cunha uniram-se “num acto quase egoísta e pretensioso de partilhar a música que ouviam na altura”, explicam ao Rimas e Batidas, com uma enorme vontade de vincar ainda mais este estilo no nosso país. Deram voz a um movimento que se alojava, maioritariamente, na plataforma SoundCloud e criaram a página da XXIII no Facebook de modo a fundar uma espécie de ponto-de-encontro para os amantes desta sonoridade, que deixavam o seu like e voltavam mais tarde para se abastecerem das novidades que fervilhavam no grande planeta que é a Internet.

 



O primeiro passo estava dado, mas havia ainda muito caminho a percorrer para que a XXIII se tornasse naquilo que é nos dias de hoje. A primeira cartada foi a aposta nas sweetdrops: mixes composta por 23 faixas com curadoria de um produtor ou DJ convidado, juntando-se ainda o trabalho de um designer de modo a dar um cunho mais artístico e original à iniciativa. “Esta fórmula foi pensada de forma a ser possível divulgar não só a música, mas também outros artistas novos com vontade de partilhar o seu trabalho num âmbito diferente.” Desta junção entre o áudio e a imagem, nasceram sets de Darksunn, Ghost Wavvves, Holly, Nery ou DJ Glue, que mereceram um tratamento gráfico de nomes emergentes no mundo do design como Kruella D’Enfer, AKACORLEONE, Laro Lagosta ou Elleonor.

Em Julho de 2015, a plataforma passa do digital para o físico com o aparecimento da primeira CandyWaves – nome de baptismo das primeiras festas que o colectivo organizou no espaço Maus Hábitos, no Porto. Iniciativa essa que se mantém de pé e que é um dos pontos fortes do espectro actual da XXIII, embora o nome inicial se tenha perdido em prol da valorização do nome da própria marca.

 


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Quatro meses após o primeiro evento, a XXIII assume a sua mutação final e torna-se também um selo editorial. Osémio Boémio estreou o catálogo com DEAD LISBON e deu inicio a uma série de lançamentos por parte dos novos talentos de produção como xxoy., Sunson. ou SlugDown.

Este ano a editora celebra o seu segundo aniversário e conta já com uma vasta experiência. Os vários eventos no âmbito do clubbing, um catálogo musical que conta já com 7 lançamentos e as sweetdrops, que vão na 47ª edição – o holandês Melle Jutte é quem assina a última mix que a editora disponibilizou online.

 


A 11 de Fevereiro, a XXIII arranca com o primeiro evento de 2017, no Maus Hábitos, com actuações de Melle Jutte, More // Night, xxoy. e Txrres. Sempre com a promessa de novas iniciativas e a ambição de as colocar em prática também fora da cidade do Porto.

Ao nível das edições, a editora reserva também várias novidades para este ano, das quais se destacam um novo EP de xxoy. e uma mixtape de SlugDown. Fiquem atentos!

 


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