xtinto no Musicbox: decorem o nome

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Rafael de Oliveira 

Todos os caminhos foram dar ao Musicbox, em Lisboa, e o culpado foi xtinto: o novo membro da Think Music meteu os papéis para maior promessa do hip hop português na recta final de 2019 e oficializou ontem essa candidatura.

De tempos a tempos, lá aparece um nome que reúne algum consenso na cultura e consegue preencher as medidas de velhos e novos, público e crítica. Francisco Santos tem todas as condições para ser a personificação dessa ideia: a presença, a técnica, a expressividade e a escrita são acima da média; tudo o que se ouve na versão de estúdio quando se carrega no play é transposto com notória qualidade para a apresentação ao vivo, mesmo que o cansaço e a densidade de texto se intrometam aqui e ali.

O alinhamento passou pelos seus dois EPs, Ventre e Inacabado, o que se traduziu num concerto curto, mas que se viveu de forma intensa do primeiro ao último segundo: houve espaço para mosh pits, a capellas emotivos e canções cantadas a uma só voz. Entre os destaques, é difícil não se mencionar “Pentagrama” e “interlúdio”, dois temas mais calmos em que explora o lado mais evocativo e emocional da sua caneta, ou “Quentin Miller” e “ébano”, dois bangers absolutos que abanam qualquer sala (por isso já sabem o que aconteceu…).

Fínix MG (que subiu a palco para cantar “Amanhã Não Sei”) e DEZ (que se juntou à festa em “Sangue Novo”) foram os únicos convidados da actuação, e até aí se percebeu de quem era a noite (e o futuro, diga-se). De lado, benji price foi o hype man (quase) invisível, que estava a desfrutar tanto daquele momento como o próprio xtinto.

Numa sala bem composta, ProfJam, Richie Campbell, Yuri NR5 e Pedro Mafama foram algumas das caras conhecidas que vimos por lá. E a restante plateia denunciava aquilo de que já suspeitávamos: um evento encabeçado pelo rapper de Ourém é o único sítio onde vão encontrar fãs acérrimos de NERVE e COLÓNIA CALÚNIA, mas também do autor de #FFFFFF e restante comitiva da TM.

Para rematar, nada como voltar à canção que trouxe a primeira grande ovação da noite. Em “verbena”, xtinto assegura-nos que a “tuga ‘tava na pausa” a ver se ele chegava. Uma estirada confiante que nos obriga a dar a mão à palmatória: depois do que se passou ontem, não ouvimos nenhuma mentira.