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Xeg sobre Recortes: “Tecnicamente não está nada atrás do que tem saído em Portugal”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

Xeg acaba de lançar Recortes, o EP que sucede a Visão Clara – álbum que já data de 2014 – e que carrega um registo mais adulto e confessional. Trata-se de uma nova etapa de um percurso que discograficamente recua a 2001, data da sua estreia com Ritmo e Poesia, e que se prolongou pelo novo milénio adentro com a edição de projectos como Remisturas Vol. 1 e Conhecimento (ambos com selo da Matarroa) e ainda Outros Tempos e a mixtape Egotripping (ambos carimbados pela Footmovin’). Em discurso directo, Xeg levanta o véu sobre o disco.

 



Apresenta-nos estes recortes: trata-se obviamente de um EP conceptual, com uma narrativa muito definida, certo?

Certo. É um EP em que a temática é, basicamente, relações conjugais e todos os sentimentos que elas envolvem: desejo, paixão, desilusão, desgosto, angústia, felicidade e tristeza, sendo que neste trabalho está mais retratado o lado da dor do que o da felicidade.

Todas estas palavras soam auto-biográficas: é um disco de terapia?

As músicas são todas na primeira pessoa, embora eu creia que muitas pessoas se vão identificar. Também creio que ele nos levam a um sítio mais profundo que normalmente as músicas que falam desta temática não nos levam. As músicas não são de forma alguma superficiais.

Fala-nos do lado técnico do disco? És tu que produzes? Onde foi gravado? Quanto tempo passaste de volta destes “recortes”?

Foi um conjunto de músicas escritas entre o final de 2011 e final de 2014. Seleccionei estas 8, mas eram 12. Achei que me ia repetir. Quanto a produtores, tem um tema do Spliff, outro do Sam (The Kid) e dois feitos por mim e pelo Manifes7o. Os restantes temas foram produzidos na íntegra por mim.

Há uma dimensão algo acústica, com laivos até de fado no disco: há instrumentos reais aqui ou tudo é samplado?

Tudo samplado, tirando o baixo e um ou dois sons em que o Manifes7o acrescentou algo. O resto é tudo samples.

É um disco de hip hop clássico para homens feitos, que lidam com questões de adultos?

Eu não gosto de catalogar a música, muito menos dizer que há idades para ouvir certos tipos de música, mas, provavelmente, com 16 anos ainda não se vivenciou nem se experimentou muitos dos sentimentos aqui retratados.

Fala-nos dos convidados: quem tens ao teu lado nestes recortes?

Os convidados são o Samorah, o Manifes7o e o David Cruz que fazem alguns refrões. Quanto a rap, sou apenas eu.

Sempre foste um MC que encheu as rimas de verdades, mas talvez mostres aqui um lado mais fundo de ti que nunca mostraste antes. Concordas?

Não é a primeira vez que eu abordo esta temática: fi-lo em “Tinha de Ser”, “Ausência” ou “M.i.r.i.a.m.”, mas o som que foi a rampa de lançamento para eu fazer este EP foi “Vou deixar que a vida me fale”, que apenas partilhei no YouTube. Foi daí que surgiu a ideia de fazer um álbum, que passou a EP.

Com tanto falatório em torno do trap, com tanta atenção dada a produções mais electrónicas e a rimas se calhar mais técnicas e menos poéticas, tu pareces ter decidido ir contra a corrente e fazer o contrário do que anda toda a gente ou quase a tentar fazer. É isso?

Eu nem sequer penso nisso. Faço música e pronto, mas o tema “Doces” é meio trap e electrónico. Calhou. Considero as métricas deste EP bastante evoluídas, embora tenha a parte poética e conteúdo forte. Tecnicamente não está nada atrás do que tem saído em Portugal. Os mais entendidos farão de certeza essa análise.

Este EP vai ter edição física, certo? Fala-nos disso, como vai ser distribuído? Quanto custa?

Sim, vai haver um CD. Vai estar à venda na Fnac , na loja online Sóhiphop, talvez no BANA e na BRodrigues Tattoo. Podem também comprar-me em mão nos concertos ou onde me encontrarem.

Apresentações ao vivo, o que está planeado?

Vamos tentar fazer uma apresentação acústica com orquestra, mas só para Maio.

E depois, que se seguirá?

Depois vou entrar em estúdio ainda este mês para o meu próximo EP, todo produzido pelo Manifes7o. Já está tudo produzido e escrito. Falta gravar, misturar e masterizar. Depois tenho outro projecto, Zé Gato, que também já esta todo produzido, mas sobre isso falaremos mais em breve.

 


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