X-Tense: “O álbum segue uma linha bastante pessoal, um período da minha vida em que houve um shift importante na minha personalidade”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Vem aí o álbum de estreia de X-Tense: Rosa Dragão é apresentado ao vivo no próximo sábado, no Barrio Latino, em Lisboa, e o projecto aterra nas plataformas digitais no dia seguinte.

Rosa Dragão tem sido alvo de uma forte campanha de promoção. Como forma de antecipar esse aguardado primeiro disco a solo, X-Tense avançou nada mais nada menos do que dez singles nos últimos dois anos, um período decisivo para o rapper definir o rumo da sua carreira: “O álbum segue uma linha bastante pessoal, um período da minha vida em que houve um shift importante na minha personalidade”, confessou.

Infelizmente não vai dar para decorar todas as letras de Rosa Dragão para o dia da sua apresentação ao vivo. No entanto, a expectativa é grande para conhecer os temas desse álbum, ainda para mais com um leque de convidados tão apetecível. Em conversa com o Rimas e Batidas, X-Tense confirmou o primeiro pensamento que tivemos quando olhámos para o cartaz: “Todos os que vão actuar comigo entram no meu álbum”. Além dos já conhecidos SP Deville, Walez (Double Trouble) e Hype Mike, o Barrio Latino também vai receber Sacik Brow, Lalas, I.Van e Os Primos (os hosts do evento). O concerto de apresentação começa às 23 horas e os bilhetes custam 10 euros.

 



Lançaste quatro temas desde a última vez que falámos. Conta-nos como tem corrido estes últimos meses, ao nível do feedback que tens recebido e dos preparativos para o LP.

Essencialmente, e do meu ponto-de-vista, tem sido de muito trabalho e tenho estado a tentar agarrar o máximo número de oportunidades que vão surgindo. Tem sido uma curte a nível pessoal, efectivar finalmente algumas ideias que tinha comigo e poder trabalhar com as pessoas com quem tenho trabalhado. Estou grato. Relativamente ao feedback, tem sido bastante positivo em geral. Há um novo público a “invadir” as minhas redes sociais e a chamar-me “Sis-Tense” na rua. Também recebo aquele vídeo semanal de alguém a filmar um Audi TT gritando profanidades. Tem a sua piada, confesso.

A ligação ao Audi TT foi uma das tuas manobras de marketing, a par das fake news que antecederam o “Narcos”. Não me lembro de teres feito esse tipo de “jogadas” no passado. Fala-me um bocado sobre esse processo de bastidores que visa promover a tua música.

A expressão “manobra de marketing” desumaniza e despersonaliza essas “manobras”. Como se o único objectivo por trás delas fosse ampliar o alcance da música. Ainda que esse objectivo seja óbvio, aquilo que mais me atrai é a componente social da coisa. É a maneira como se comunica nos dias de hoje e aquilo que torna uma história, uma música ou um filme interessante e relevante do ponto-de-vista social. Por exemplo, a ideia das fake news em que fui preso está unicamente assente na ideia de que as pessoas são muito mais rápidas e eficazes a divulgar as tuas derrotas do que as tuas vitórias. Para ti é marketing, para mim é humor às custas de uma mentalidade negativa generalizada. Isso tem resultado em memes, hashtags e outras coisas típicas desta mesma era. Eu não teria hipótese de fazer algumas destas coisas há dez anos. O mundo mudou, é aí que está a catch.

Vais apresentar o teu álbum ao vivo e convidaste alguns artistas para te acompanharem nesse importante primeiro passo do Rosa Dragão. Também entram no disco?

Sim. Há mais alguns convidados que entram no meu álbum mas que não vão ter a oportunidade de estar presentes nesse dia, Mas sim, todos os que vão actuar comigo entram no meu álbum.

Agora que estás prestes a mostrar esses temas novos, o que é que nos podes revelar sobre o seu conteúdo? Segues alguma linha de pensamento específica? Existe alguma história/conceito por detrás do Rosa Dragão?

Eu decidi que provavelmente nunca vou responder a esta pergunta, mesmo depois do álbum estar cá fora. [risos] O álbum segue uma linha bastante pessoal, um período da minha vida em que houve um shift importante na minha personalidade. Acredito que o álbum vai passar exactamente aquilo que eu queria que lá estivesse, mas vou querer que essa seja a única fonte de informação disponível. Não vou querer esclarecer ou clarificar. A palavra certa é não o vou “desmistificar”. É a minha verdade sujeita à interpretação de quem a quiser ouvir.

Estás a reservar alguma surpresa para o concerto de apresentação? Podemos esperar o alinhamento completo do Rosa Dragão ou também vai existir espaço para temas da mixtape O Rei Vai Nu, por exemplo?

Há algumas surpresas que vamos ter, obviamente! O concerto vai-se focar essencialmente no álbum Rosa Dragão, sim. Mas quem sabe… Agora que falas nisso, pode ser que insira alguma mais antiga. Obrigado pela sugestão, ainda que não fosse intencional. [risos]

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira