Westside Gunn // Supreme Blientele

[TEXTO] Moisés Regalado

2018 tem sido um excelente ano para quem gosta de rap. As ganas combinadas de novatos e veteranos têm resultado num verdadeiro caldeirão de estilos, abordagens e posturas, fazendo deste o estilo mais popular mas também mais plural da actualidade.

Alchemist já é, como quase sempre acontece, um dos nomes do ano: dividiu Fetti com Curren$y e Freddie Gibbs, deu uma mãozinha a Roc Marciano (que também marca presença em Supreme Blientele) num dos seus novos trabalhos e, entre tantos outros projectos, ainda arranjou tempo para, ao lado de Daringer — mas não só –, fazer Westside Gunn brilhar.

Westide Gunn trabalha quase sempre em equipa com Daringer, operário implacável da Griselda Records, e Conway, nome forte da editora e irmão de Westside (desenganem-se os recém-chegados: Westside Gunn, que pode parecer nome de crew, é mesmo só um). O trabalho exemplar da editora independente já permitiu, por exemplo, que os irmãos fossem objecto de acordo entre a Griselda e a Shady Records, o que não deixa de ser impressionante, principalmente tendo em conta as propostas dos rappers de Buffalo.

Supreme Blientele é rap para rappers, produtores e nerds de hip hop. Para quem procura a novidade que representa Daringer, sem deixar de ver com outros olhos os nomes de Pete Rock ou 9th Wonder. Simbolismos à parte, as diferenças não são assinaláveis — todos os produtores seguiram o que pediam as circunstâncias e o resultado traduz-se em 50 minutos de samples pouco disfarçados e baterias discretas (mas não tão ausentes como as de Apollo Brown), num cenário perfeito para a gabarolice de Gunn, mais descritiva e estilística do que verdadeiramente ostentativa — “Ten thousand dollar sofas/Plug loafers made from cobra”.

A delivery de Westside Gunn, que nada deve à de Conway, mais afamado, faz com que, a exemplo do que acontece num disco de Roc Marciano ou Alchemist, cada segundo conte de maneira preciosa, mesmo que um ouvido destreinado ouça “tudo igual”. E é claro que a cultura conta tanto, ou quase, como a música, pelo menos a partir do momento em que é o próprio a assumir-se como parte da mesma, nas canções que fez com alguns dos melhores produtores do game mas também nas palavras que vai ditando — “This for the culture, you wouldn’t understand my sculpture/Uh, this feeling is torture”.

As referências ao mundo do wrestling, daquele a fingir, não são a brincar. Chris Benoit, primeira opção para o título e principal inspiração deste Supreme Blientele, cujo título final opta por homenagear Ghostface Killah, acaba por fazer a ponte entre a fantasia e a realidade, relação que encontra paralelo no rap de Gunn. “Didn’t want a Buffalo nigga the king of New York”, diz Westside em “Versace Will Never Be The Same Again”, faixa da também nova mixtape Hitler Wears Hermes 6. A declaração peca por exagerada mas representa, melhor do que qualquer outra, a aura que neste momento envolve Westside Gunn, autor de dois dos melhores discos editados em 2018.

 


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