Na próxima quinta-feira, 15 de Janeiro, a Sala Suggia da Casa da Música recebe o espectáculo de comemoração dos 50 anos do primeiro disco de Vitorino, Semear Salsa ao Reguinho (1975), num ato de recriação que promete conectar o espírito libertário do pós-25 de Abril com as ressonâncias do presente. O evento, cujos bilhetes estão à venda aqui, insere-se no tema “Raízes/Ressonâncias”, que guia toda a programação de 2026 da Casa da Música e tem como objectivo explorar como as tradições ressoam nas propostas musicais dos dias de hoje.
Semear Salsa ao Reguinho foi lançado num ano crucial para Portugal e distinguiu-se no fértil campo da canção de intervenção pela forte influência da cultura alentejana trazida pelo cantautor de Évora. Produzido por Fausto e com participações de José Afonso e Sérgio Godinho, o trabalho funcionou como um resgate do cante e da poesia popular alentejana para o panorama nacional.
Meio século depois, as canções renasceram num álbum comemorativo, 50 Anos a Semear Salsa ao Reguinho, que viu a luz do dia em Novembro passado e que serve de base ao concerto. Nele, clássicos como “Menina Estás à Janela” e Ó Patrão, Dê-me um Cigarro” surgem com novos arranjos, num gesto que Vitorino descreve como “semear de novo, mas agora com vozes jovens que brotam como rebentos”, dado o amplo leque de artistas contemporâneos que se juntaram à feitura do LP comemorativo.
Para esta celebração no Porto, Vitorino traz alguns desses convidados consigo: Buba Espinho, Ana Bacalhau e o Grupo de Cantadores do Redondo, este último um conjunto formado em 1975 especialmente para gravar o disco original. Nesta revisitação de Semear Salsa ao Reguinho, Vitorino e os seus convidados mostrarão como as sementes lançadas há 50 anos num Alentejo pós-revolução continuam a dar frutos e a ajudar a fazer da canção portuguesa um terreno fértil de ideias.