Virtus: “Eu pretendo fechar o ciclo UniVersos por estar a preparar o novo disco”

[ENTREVISTA] Rui Miguel Abreu [FOTOS] Direitos Reservados

UniVersos saiu em 2012, mas Virtus prepara-se para encerrar o ciclo que iniciou com esse álbum na próxima Sexta-feira num concerto no Plano B, Porto. Em 2016, Virtus entrou em KSX16, o regresso em álbum de Keso – responsável por desenhar o flyer para dia 11-, numa aparição rara que só tem semelhante num passado recente em dois momentos: remistura de “Amigos Imaginários” da Capicua e uma participação numa canção da banda Skeezos. 

O Rimas e Batidas trocou algumas palavras com o rapper/produtor do Porto e percebeu qual o significado deste regresso ao passado.

 


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Fechar um ciclo implica, normalmente, abrir outro: que aventuras se seguem?

É verdade. Eu pretendo fechar o ciclo UniVersos por estar a preparar o novo disco. A ideia é reviver um ambiente semelhante ao do dia da apresentação do álbum em 2012 (no Porto Rio), e dar oportunidade ao pessoal que não assistiu a um alinhamento que provavelmente nunca se voltará a repetir.

Que balanço fazes do UniVersos: sentes que foi um projecto inteiramente compreendido?

Eu sinto-me bastante concretizado com o UniVersos. Acho que sofreu um feedback tardio, mas durmo bem com isso. Havia muito pessoal que não estava habituado a um registo como o meu, principalmente no Porto. Eu já estava mentalizado. No decorrer dos anos recebi props de norte a sul do país e de artistas que admiro bastante. Por muito que me digam que este álbum merece mais reconhecimento, eu confio seriamente que as pessoas que o sentem, defendem a intemporalidade que ele representa para mim. Se eu pedisse à malta para o perceber como um merceeiro que oferece fruta ao cliente para provar, não teria tanta piada. Pelo menos neste disco. Não bati às portas e posso ter perdido com isso, mas também não fomento a frustração dum gajo que culpa os outros pelo que fez. Eu fiz o melhor que pude na altura. Hoje faria muitas coisas de maneira diferente. Este CD está nisso tudo, nessa impotência de chegar a todo o lado, numa certa desorganização. E passados os quatro anos e tal, posso afirmar que, apesar de ainda não ter chegado a toda a gente, foi finalmente compreendido por grande parte dos ouvintes (mais assíduos).

 


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Há caminhos que são trilhados por artistas do norte que não parecem ter paralelo no resto do país: há mais espaço para a singularidade no rap do Porto?

Há espaço para todos se todos criarem o seu próprio espaço. Penso que há mais diversidade de estilos no Porto, há linhagens diferentes e mais rapidamente aceites. Isso é bom embora torne tudo mais aleatório. Independentemente da singularidade que consigas aqui, a Invicta continua a sofrer o problema de chegar ao resto do país. É natural que isso aconteça quando há uma capital onde circulam os principais meios de informação e de difusão cultural como a grande imprensa; onde há mais oportunidades e o que é abordado é definido como o que é credível e como “o que se está a passar”. Não digo isto ofensivamente. É um facto. Acho muito bem que bons músicos conquistem esses meios, é importante. Falo apenas do longo caminho que um artista doutra cidade tem de percorrer para mostrar um trabalho. Quando chega já é tarde. Hoje em dia tens o fenómeno das redes sociais para relativizar mais o assunto. Mas voltando ao Porto, para mim o Keso é um exemplo actual perfeito para esta questão. Por vezes nem é bem o chegar às pessoas. É o que chega às pessoas. E dito isto… Se calhar todos os que criam o seu próprio espaço não têm espaço para todos.

 O que se vai passar, em termos de recursos humanos, em palco no dia 11?

No dia 11, o palco do Plano B vai transbordar de Sexto Sentido & AMR. Quem já assistiu a concertos meus no Porto sabe perfeitamente o que isto quer dizer. Músicas que raramente foram tocadas, convidados, todos eles cúmplices e também responsáveis pela forma como me afirmo na arte e na vida. Este concerto é uma certeza. Embora o dinheiro angariado deste espectáculo sirva para investimento do próximo álbum, não o fiz num spot maior por querer “convocar” o público que o procura, uma família de duzentas e tal pessoas. Então se forem os meus irmãos todos, é metade da sala, à vontade! Não quis muito buzz e recusei promoções exclusivas. Isso fica para outras aventuras. É Made in Home tal e qual o UniVersos. O Plano vai estremecer. Uma festa à moda do Porto!

 


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