Violet // Bed of Roses

[TEXTO] Francisco Couto 

Nos últimos anos, Violet tem dominado pistas de dança por todo o mundo. A DJ e produtora portuguesa, que também é fundadora da editora naive, tem-nos oferecido alguns dos projectos mais promissores da música electrónica em Portugal: da Rádio Quântica, uma das principais plataformas de divulgação de artistas emergentes, às festas mina, com que ajudou a criar um safe space em formato rave para uma cultura ostracizada que é frequentemente vítima às mãos da normatividade. A DJ e produtora tem, portanto, toda uma carreira dedicada ao apoio de novos artistas e à criação de espaços de divulgação para os mesmos; em simultâneo, percorre a Europa e os Estados Unidos da América para actuar, partilhando datas com dezenas de artistas internacionais, e lança EPs, remixes, edits e mixes através do seu SoundCloud e de diferentes editoras. A agenda ultra preenchida de Inês Coutinho provavelmente levou a esta demora na concepção e lançamento do seu primeiro álbum, Bed of Roses, que saiu com a chancela da norte-americana Dark Entries Records.

No início do disco, a artista lisboeta começa por nos relembrar da sua faceta ambient (que tem sido “trocada” por um techno mais rave-ish) com as primeiras duas músicas, “Tears In 1993” e “Bed of Roses”, a darem-nos logo a impressão que esta viagem iria ser um pouco diferente daquilo a que nos tem habituado: os beats desenfreados com um kick 4/4 que nos fazem abanar o corpo deram lugar às emoções nostálgicas, ao storytelling sonoro e às progressões melódicas simples mas que não saem do ouvido.

De facto, é aí que incide principalmente o álbum, nas influências que preencheram a sua infância e adolescência (o título do disco remete para um tema dos Bon Jovi que a autora adorava quando tinha nove anos), numa sonoridade que nos leva de volta à música pop dos finais dos anos 80 com batidas repletas de reverb, como acontece em “Half Crazy” e “They Don’t Wanna Know” (uma das canções em que produtora recorreu ao uso da própria voz para criar melodias etéreas), e aos ritmos desfragmentados com sintetizadores ácidos de “In the Aquarius” e “Fuck a Bully”, que nos remetem para Boards Of Canada e os primórdios de Aphex Twin. O ambient volta a apoderar-se do álbum na densa última faixa, “Never Leave”, não sem antes nos atirar para uma mini-rave num barracão em Detroit com “Spectral”.

Violet compôs este álbum como parte de um processo auto-terapêutico, depositando esperança na possibilidade que surta o mesmo efeito em quem o ouça. A receita, aqui, é a nostalgia de tempos que já foram, melodias alegres, momentos de reflexão e de explosão, não fugindo às coisas más, mas sim encarando-as como parte da vida e essenciais para se chegar a um sítio melhor.


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