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VILÃO: “Escrever rimas tornou-se um vício”

[TEXTO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

 

Chama-se Mau da Fita e é o trabalho que marca o arranque da discografia de álbuns em nome próprio de VILÃO, uma das figuras de proa da ASTROrecords que assim marca a sua estreia no plano das edições físicas. Mau da Fita inclui uma dúzia de faixas e regista participações diversas sobre beats de muitos produtores: Blasph, Bispo e Harold, Mike El Nite e até Short Size são vozes convidadas a debitarem rimas em cima de beats de METAMVDNESS, Holly, King Kong, Ghost Wavvves, RichardBeats ou RetardedTemaki. DJ Ride também marca presença no tema que dá título ao álbum, e que está disponível para download gratuito.

“O álbum surge numa sequência natural de eventos”, começa por nos explicar VILÃO. “Desde que comecei o projeto da ASTROrecords e comecei a lançar música sabia que eventualmente iria acabar por fazer uma compilação de faixas deste género. A minha ideia inicial era lançar cada faixa como single, mas acabei por juntar tudo e chamar-lhe Mau da Fita”, esclarece.

“Não tenho nenhuma intenção predefinida, todas a pessoas que participaram no projecto são pessoas que respeito, muitos são amigos chegados, desde produtores a MCs, e que vieram dar uns contornos diferentes ao álbum com a sua entrada”, sugere o MC da ASTRO quando convidado a justificar a diversidade de presenças neste trabalho.

O envolvimento do colectivo ASTROrecords foi igualmente importante: “Claro que sim”, confirma VILÃO. “Todo o pessoal esteve envolvido no projecto, uns mais, outros menos, obviamente, mas todos envolvidos, com uma opinião formada à medida que o álbum se ia desenvolvendo. A nossa dinâmica tem como base a amizade e o apoio vem dessa base, o que torna as coisas naturais”.

O MC aponta a origem do seu envolvimento nesta cultura não à caneta e ao microfone, mas às latas de spray: “A minha entrada na cultura hip hop vem do graffiti, já há uns bons aninhos. Comecei por pintar, as rimas surgiram depois, naturalmente. Oiço rap desde que me lembro e a vontade de criar conteúdos levou-me a escrever e a gravar aquilo que escrevia. Acho que por andar sempre com um caderno de um lado para o outro com sketches, comecei também a transportar rimas, o que se tornou um vício desde então”.

“A inspiração”, garante VILÃO, “vem da minha vida, do meu dia-a-dia e das vivências e pessoas que andam comigo”. Inspiro-me em tudo o que me rodeia: filmes, livros, pessoas que me rodeiam e música. Gosto de pensar na música como um prato e poder pensar em vários ingredientes com que a posso complementar. Gosto de me sentir influenciado por pessoal que segue essa linha, e que não se mantém a fazer ‘mais do mesmo’. Procuro sempre um lado não formatado em muitas coisas na minha vida”, assegura.

Em termos geográficos, e o MC que é agora Mau da Fita concorda, pode igualmente identificar-se parte da inspiração no underground norte-americano: “É capaz. Quando escrevo, ou produzo, não penso muito nisso”, contrapõe. “Mas é normal, por associação, comparares-me a mim e ao pessoal da ASTRO àquilo que se faz no under americano, até porque, como ouvinte, a minha escolha passa muito por aí”.

E cá dentro? “O rap nacional está a crescer com saúde. É notório. A qualidade é cada vez mais vincada e isso dá-nos pica a todos para continuar a tentar elevar a fasquia e a vir com sonoridades e temas mais frescos”.

Quanto ao futuro, tudo permanece um livro em branco: “Não tenho planos. Quero deixar a cena rolar de forma natural, dar alguns concertos para promover a cena, mas essencialmente começar já a bulir no próximo projecto! Parar é morrer”.

Podem descarregar o álbum de Vilão aqui ou encomendar a versão física através do Facebook oficial do artista.

 

 

 

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