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Fotografia: Riva Freifeld

Selo Finders Keepers.

Vai ser revelado álbum inédito de Suzanne Ciani dos anos 60

Fotografia: Riva Freifeld

Desde 1970 que há registo do seu toque na música electrónica; depois de um Leão de Bronze em Cannes e cinco nomeações nos GRAMMYs, continuamos a ter mais de Suzanne Ciani para descobrir. Em 1969, a pioneira americana gravou Flowers of Evil, disco que é agora recuperado em vinil pela editora Finders Keepers, a sair a 6 de Julho.

Trata-se da adaptação de uma parte do histórico livro Les Fleurs du Mal de Charles Baudelaire, que data de 1857. Ao longo das quatro faixas, reproduz-se o poema “Élévation”, recitado por uma estudante francesa — originalmente a voz da compositora — com os arranjos de Ciani no seu sintetizador de marca, um Buchla.

Não foi a primeira vez que a obra de Baudelaire — autor que inspirou criações de Serge Gainsbourg ou Olivier Messiaen — recebeu o tratamento musical. Em 1968, Ruth White, “colega” de Ciani enquanto mulher pioneira no mundo dos sintetizadores, trabalhou com o material do livro de 1857 num álbum com o mesmo título; a diferença principal foi ter utilizado um Moog.


SUZANNE CIANI : Flowers Of Evil – LP – FINDERS KEEPERS – Forced Exposure

As a genuine vanguard of electronic music composition at the forefront of the modular synthesizer revolution in the late 1960s, Suzanne Ciani ‘s forward-thinking approach to new music would rarely look to the past for inspiration, which makes this unheard composition from 1969 a rare exception to the collective futurist vision of Ciani and synthesizer designer Don Buchla .


Em 2017, a Finders Keepers lançou o score que Ciani compôs em 1980 para a ópera infantil “Help, Help, The Globolinks!”, de Gian Carlo Menotti. Contudo, os esforços para consolidar a autora na memória musical remontam a 2012, quando a editora reuniu peças de 1969 a 1985 na compilação Lixiviation — documento importante da presença inovadora de uma mulher numa indústria predominantemente masculina.

A compositora traçou um percurso peculiar antes de estabelecer o seu nome de forma incontornável. Após os seus anos de mestrado a terem levado a descobrir o sintetizador analógico de Don Buchla, Ciani trabalhou para conseguir um exemplar próprio — e de embalar sintetizadores até embalar almas, com o seu primeiro disco em 1970, ainda compôs para cinema e publicidade, elaborou instalações sonoras em espaços artísticos, fez rádio e dedicou-se também aos móveis, antes de seguir a sua vocação.

O trabalho de Ciani na música, na publicidade e no cinema consagra-a como génio multifacetado — é da sua autoria o som icónico da garrafa de Coca-Cola a abrir e a verter, mas também, por exemplo, o acompanhamento musical de The Stepford Wives.

Neste disco inédito, Ciani faz um desvio para a literatura — a única surpresa aqui é termos o privilégio de a ouvir, cinquenta anos depois.


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