Um mecânico feito rapper chamado Comethazine

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Um bom, se não ortodoxo, índice de sucesso no hip hop pode ser as sugestões automáticas do YouTube: quando o nome de um artista é seguido de “type beat”, já é o suficiente para delimitar algum impacto (ainda que a pesquisa nos conduza a uma panóplia de batidas genéricas, permutáveis, apenas vagamente reminiscentes do artista). Apesar de também preencher esta caixa, o certo é que o rapper Comethazine tem métricas mais substanciais a que se agarrar: cerca de quatro milhões de ouvintes mensais no Spotify, mais de 130 milhões de reproduções somadas para o tema “Walk” em várias plataformas. Mas quem é o artista que encabeça o regresso — originalmente marcado para 6 de Abril e adiado para o próximo sábado, dia 13, no Lisboa ao Vivo — das festas It’s a Trap?

O norte-americano — nascido em East St. Louis, no distrito do Illinois — não teve um chamamento sobrenatural para a arte, nem consegue transparecer alguma emoção em carne e osso para além do monossilabismo e da embriaguez em entrevistas imbuídas de fumo. Contudo, Comethazine viu-se movido pelo instinto de que uma carreira musical não se distanciava tanto da sua realidade, sendo executável para todos os interessados e dispostos a desembolsar 200 dólares por um bom microfone.



Foi o que fez, alocando noites inteiras (sem videojogos e com advertências recorrentes de uma mãe) ao que a XXL diz ter sido a refinação do seu potencial e preparando um fluxo constante de músicas — pequenas bolsas de energia, dinâmicas, ao contrário da figura real do artista.

Mas não o confundam com a lírica consciente de Joey Bada$$, o artista que procurava emular no início da carreira; hoje orienta-se mais por Too $hort, Big Mike ou Chief Keef (e Demi Lovato, mas essa é outra história). “Não me estava a valer de nada. [Pensei], ‘deixem-me fazer merdas ignorantes, a ver se funciona”. A materialização está à vista num catálogo que conta com um verso de A$ap Rocky na remistura de “Walk”, além do disco Bawskee e a sua sequela, editada no início deste ano, que o artista vai trazer ao palco do LAV.

Nesta noite, faz-se acompanhar não só de Young Boda, Oseias, Syl e Valdir, mas também de Foreign Heat — responsável pela produção de “Bands”, canção de Comethazine. Este é um nome novo e crescente no trap, do qual poderemos estar apenas a ouvir falar no início, mas tem mais história fora da música. “Consigo desmontar um carro inteiro numa hora e voltar a juntar [as peças]”, revelou à XXL. “Trabalhar com carros é divertido, mas o pessoal não sabe disso. É como um puzzle”.


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