Um furacão chamado Rosalía

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTO] Direitos Reservados

Natural de Barcelona, Rosalía é uma das estrelas mais cintilantes de uma nova geração de artistas espanhóis. Com uma recepção impressionante — mais de dois milhões de visualizações no YouTube em menos de uma semana –, “Malamente” deslumbra pela forma como une a tradição (flamenco) com a modernidade (electrónica). O novo single faz parte de El Mal Querer, o seu segundo álbum, que é co-produzido pela própria e por El Guincho.

Los Ángeles, álbum lançado em 2017, chegou à crítica além-fronteiras (The Needle Drop atribuiu-lhe um 8) e alcançou números consideráveis para um trabalho de estreia (no Spotify, por exemplo, as faixas “Catalina” e “Si Tú Supieras Compañero” angariaram mais de um milhão de plays), levando-a até nomes como Pharrell Williams (estiveram juntos em estúdio) e J Balvin (colaboraram em “Brillo”, faixa do álbum Vibras).

Numa era em que o “latin trap” é um termo real, não é de estranhar que todas as atenções se voltem para a jovem artista. Se deslumbrou em primeiro lugar num formato mais acústico, Rosalía prepara agora um futuro mais electrónico, e Pablo Díaz-Reixa é o companheiro ideal para essa reformulação sónica — ouçam Pop Negro e Hiperasia e confirmem as credenciais do produtor.

No entanto, nem tudo são rosas e a catalã já está envolvida numa polémica por causa de “Malamente”. Em Espanha, a comunidade cigana não gostou da utilização “vazia” de elementos estéticos de um “povo oprimido” no vídeo do single e acusou-a de apropriação cultural.

O festival Sónar também apanhou a “estrela em ascensão” no seu radar e convidou-a para fazer parte da programação da edição deste ano. Para os que compraram bilhete: Rosalía actua no dia 15 de Junho no SonarHall.