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Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados

Nos últimos 20 anos, Ben criou, discretamente, uma das melhores discografias do rap feito em terras de Sua Majestade.

Ty Chijioke, lenda do hip hop britânico, morre aos 47 anos

Texto: ReB Team
Fotografia: Direitos Reservados

O rapper inglês Ty morreu ontem, vítima de complicações sofridas após ter contraído o novo coronavírus. No início de Abril, Diane Laidlaw, amiga do artista, criou uma campanha com o intuito de criar um fundo que o apoiasse quando saísse do internamento. E foram angariadas 20 mil libras.

Nascido em Londres, em 1972, Ben Chijioke, filho de pais nigerianos, estreou-se em 2001 com Awkward, o primeiro dos três álbuns que lançou pela editora Big Dada — os outros dois seriam Upwards (2003) e Closer (2006), este último com participações de De La Soul, Taylor McFerrinou Bahamadia. Depois da sua saída do selo independente, o MC ainda assinou mais discos, Special Kind of Fool (2010) e A Work of Heart (2018), que teve direito a edição da mui recomendável Jazz re:freshed, casa que editou projectos de Nubya Garcia, Richard Spaven, Ashley Henry, SEED Ensemble ou Maisha. Em 2019 ainda se juntou a Rodney P e Black Twang para no supergrupo que se estreou com o EP The Kingdem EP através da Tru Thoughts.

Em termos de participações, há uma que agora deixa ainda maior marca: Tony Allen, que também nos deixou recentemente, convidou-o para duas faixas (“Every Season” e “Woman to Man”) do seu HomeCooking, em 2002. Os papéis inverteram-se no ano seguinte em “The Willing”. Funky DL (“Worlwide”), Ezra Collective (“Chapter 7”), Omar (“Vicky’s Tune“) e Terri Walker (“Ok – Rap Version”) também partilharam faixas com este mestre da palavra cantada.



Sobre o seu segundo longa-duração, que lhe valeria a nomeação para o Mercury Prize, em 2004, ao lado de nomes como Franz Ferdinand, Robert Wyatt, Amy Winehouse, The Streets, Basement Jaxx ou Joss Stone, o director do Rimas e Batidas Rui Miguel Abreu (que o entrevistou na edição de 2009 do LX Taster da Red Bull Music Academy) escreveu:

“Em relação a Awkward, o novo álbum tem a enorme vantagem de ver finalmente realizada a visão musical de Ty, arrancada com a ajuda de Drew dos Psychic Phenomena a velhos sintetizadores analógicos cujas texturas embalam na perfeição o timbre anasalado da sua voz. E Upwards, de pés firmemente fincados numa sensibilidade ‘brit’ que lhe dá amplitude para colar hip hop com ecos de soul, funk, samba e até afrobeat (Tony Allen colabora no álbum…), faz total justiça a um homem que não teme a rima em frente ao espelho, expondo reais sentimentos (‘you see the future but it isn’t with me’) em vez de fantasias de aço distorcidas a partir de uma visão adolescente do lado errado da MTV. ‘Wait a minute’, ‘Do you want more?’, ‘Rain’, ‘The willing’ ou o fabuloso ‘Music to fly to’, nos seus 13 minutos de glória orquestral, alternam com preciosa mestria partículas inteligentemente dispostas de Brasil, Antilhas, Filadélfia, Nigéria e daquela consciência cósmica universal que gente como Norman Whitfield arranjou de forma superior. Upwards é um dos melhores álbuns desta ainda incipiente década. Com real espessura humana e música virada para as estrelas.”

Hudson Mohawke, Wiley, Jon Caramanica, Beat Butcha, Gilles Peterson, Children of Zeus, El-P,Violet, Roots Manuva, Ghetts, Akala, Pos (De La Soul) e Daniel Maunick foram alguns dos nomes que reagiram à sua morte nas redes sociais:

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