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Fotografia: Nexus Project

Psicologia & Rap.

Tsuki: “A música é uma ferramenta essencial na promoção e prevenção da saúde mental”

Fotografia: Nexus Project

Lançado no dia 12 de Setembro, “Luz” é o primeiro single de Tsuki. O tema tem videoclipe de Nexus Project, produção de Sylvester e mistura e masterização de Gui Pontes.

Aos dois últimos, seus colegas no curso de Produção e Criação de Hip Hop na ETIC, junta-se ainda Luís Godinho, amigo de infância com quem escreveu a faixa no Verão de 2018, e que morreu nessa mesma altura.

Estudante de Psicologia e rapper em partes iguais, Leonor Domingos conta-nos, entre outras coisas, que vai tentar conjugar estes seus dois lados para criar as ferramentas necessárias para ajudar os seus pacientes. Mais uma vez, o rap a alumiar os caminhos menos óbvios.



[Apresentação] 

“O meu nome é Leonor e desde pequena que mantenho uma conexão forte tanto pela música como pela escrita. Cresci no Alentejo, em Évora, onde clássicos do hip hop como Allen Halloween, Dealema, Dillaz, Valas (Matilha 401), Da Weasel, Sam The Kid e Valete fizeram parte do meu crescimento. Durante a minha infância/adolescência andei no conservatório de música, e participei em vários projectos de escrita, o que sempre alimentou a paixão por ambos. Comecei a rimar por volta de 2017, um ano depois de ter vindo estudar Psicologia para Lisboa. Na altura consumia bastante hip hop em português e como sempre escrevi tanto em poesia como em prosa foi como se o universo me tivesse mostrado uma maneira de expor a minha escrita através da música rap.

Durante os dois anos seguintes, até 2019, dediquei-me a explorar a minha capacidade escrita e musical enquanto MC continuando os meus estudos, ou seja, escolhia um instrumental da Internet, compunha uma letra por cima e partilhava com os meus amigos. No último ano comecei a querer ir mais além de apenas rimar por cima de um beat, gostava de saber como se gravava, produzia, etc… decidi então ir tirar o Curso de Criação e Produção de Hip Hop na ETIC em 2020 ao mesmo tempo que ingressei o mestrado na minha área. Actualmente posso dizer que as minhas maiores referências, para além das já referidas, passam por Sa-Roc, Slow J, GROGNation, Black Alien e Tupac.”

[O processo de criação de “Luz” e o envolvimento de Luís Godinho e Sylvester]

Posso dizer que esta faixa passou por várias fases e a letra da mesma já não é nova. Foi escrita no Verão de 2018, na altura em que apenas compunha as músicas por cima de beats da net e as rimava junto dos meus amigos. O Luís foi um grande amigo meu de infância, com quem tive o privilégio de partilhar este processo e compor a letra em conjunto, e que infelizmente faleceu nesse mesmo Verão. Esta ida inesperada só me vez ver que a vida é demasiado curta para não corrermos atrás dos nossos sonhos e foi então que a ideia de tornar a música em algo mais sério surgiu.  Por este mesmo motivo, fez todo o sentido para mim que fosse esta a música de lançamento da minha carreira porque poderia vir a conseguir mostrar ao mundo a luz que o Luís nos deixou através da sua contribuição na letra. Daí o título da música.

O Sylvester conheci no curso de hip hop foi da minha turma e era producer. Ainda não tinha nada cá fora, apenas fazia beats por gosto próprio e, então, começámos a trabalhar juntos. Tendo em conta o seu talento único com apenas 18 anos, todos os dias nos mostrava instrumentais novos e marcávamos sessões na mix room da escola. É muito difícil adaptar uma letra escrita num beat da net para um beat original. Não só por o ouvido já estar demasiado habituado a rimar por cima do beat da net, mas também pela dificuldade na adaptação dos flows. Após pelo menos duas tentativas de adaptação e depois de já termos o som num outro beat, um dia numa sessão na mix room, mostrou-me o beat do ‘Luz’. Automaticamente comecei a rimar a letra por cima e aí sentimos que, finalmente, era aquele! Após a captação da voz, um outro colega meu do curso, Gui Pontes, fez a mistura e masterização da música.

[A música enquanto escape para os tempos de pandemia]

“Quando a pandemia começou, ficámos sem possibilidade de continuar a gravar, então foi quando montei pela primeira vez o meu estúdio e isso mudou completamente a minha vida. Ter a possibilidade de poder gravar a qualquer altura, e continuar a fazer a minha música em tempos de quarentena foi, definitivamente, um grande escape. Vivemos um período diferente e complicado, mas acredito que o mesmo também fez com que as pessoas tomassem consciência do poder da arte, comunicação social e música na saúde mental. Por isso, posso afirmar que o que me iluminou nos últimos meses foi a quantidade de iniciativas realizadas por todo o mundo, quer a nível de música, arte, entretenimento como a nível de todas as outras áreas, que contribuíram para o nosso bem-estar e saúde. A nível pessoal, foi ter conseguido fazer este projecto, bem como todo o processo do mesmo, ou seja, saber que fiz algo que pode também contribuir para amenizar os danos destes tempos de ‘escuridão’.”

[O ingresso no curso de Produção e Criação de Hip Hop na ETIC]

“Decidi entrar no curso precisamente na altura em que comecei a querer rimar por cima de beats originais e achei que seria o meio ideal para esse fim. Foi bastante bom para mim, pois tive a possibilidade de conhecer imensas pessoas do meio e aprendi muito com o Daniel Freitas, aka TNT, que foi um grande mentor para nós. Realmente para quem quer começar uma carreira acaba por ser uma grande ajuda, seja pela visão mais séria e experiência profissional dos formadores seja pelo auxílio dos mesmos. O que mais me ajudou a construir a minha personalidade musical foram os meus colegas, sem dúvida, pela paixão que todos temos em comum pela cultura hip hop, pelo talento dos mesmos e pela garra e motivação que passámos uns aos outros. Acabámos por formar a nossa crew, na qual fazemos sons juntos, ajudámo-nos uns aos outros e acima de tudo divertimo-nos. Foi também através deles que comecei a trabalhar com beats originais, pois enquanto uns rimam outros são producers, tendo sido uma experiência completamente nova e desafiante. O ‘Luz’ é um exemplo desses trabalhos.”

[O presente e futuro]

“Neste momento estou com um projecto de um álbum em mente, do qual esta faixa fará parte. O meu objectivo a longo prazo seria juntar os meus conhecimentos da psicologia à música, mas para isso preciso de terminar tudo nessa área. Vou agora começar a estagiar e a dar as minhas primeiras consultas, e aí o meu maior objectivo será utilizar o rap para partilhar com as pessoas as ferramentas necessárias que fui adquirindo com a minha formação para que possam agir e compreender determinados comportamentos. A música é uma forma de expressão muito forte, sendo uma ferramenta essencial na promoção e prevenção da saúde mental.”


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