Nos últimos dias, aterrou nas plataformas a estreia de um novo projecto, Tropa Delete, que junta as rimas de Berna e a voz de Laranja aos beats de Vilas Boas. O trio apresentou “Sol @ Sol”, a primeira de seis faixas da docuficção Respirar é Resistência, descrita como uma saga “que cruza realidade e ficção para reflectir sobre o que nos rodeia”.
“A ideia surgiu no Verão passado. Já conheço o Laranja há muitos anos porque jogávamos basket juntos, sempre quis fazer algo que tivesse um cheirinho de reggae e lembrei-me de o desafiar para esta aventura. A cena acabou por ir por outros caminhos mas o princípio da ideia foi esse”, explica Berna sobre a forma como se juntou a Laranja, artista com percurso trilhado no universo do reggae, também conhecido por acompanhar Bezegol em palco.
“Depois falámos com o Vilas Boas, que acaba por ser a cola de tudo o resto, até porque foi tudo gravado no estúdio dele. Foi a partir daí que a ideia começou a moldar-se e decidimos expandi-la para outras sonoridades, cada faixa tem a sua própria vida. Depois de termos as faixas criadas decidimos convidar o Individeo para fazer uma interpretação visual desta história e o Pi para mixar e masterizar o áudio”, acrescenta Berna em declarações ao Rimas e Batidas.
Primeiro, decidiram produzir as faixas, e só depois se aperceberam das histórias que tinham entre mãos, explica Laranja: “Só à medida que as fomos criando é que reparámos que poderíamos criar um enredo à volta delas, a docuficção vem do facto de não ser uma obra literal, sendo que existem personagens que vestem a pele de cada tema”.
Berna conta que deram a Individeo a “liberdade total” para adicionar à música “o seu cunho pessoal”, para que o vídeo não fosse “apenas um prolongamento”. “As história(s) do(s) video(s) é a dramatização do Portugal e do mundo de hoje, uma reflexão sobre o próprio sistema e uma chamada de atenção/alerta sobre o que pode vir a ser o mundo de amanhã”, explica Individeo. “Não é um videoclipe no sentido tradicional de ilustrar a música. Aqui o vídeo vive em paralelo com a música, cruzando-se apenas pontualmente. A música vive por si só e o vídeo também, não dependendo necessariamente um do outro, embora combinem e se complementem. Em poucas palavras, vídeo e música alimentam-se e apoiam-se mutuamente.”
Todos os meses será lançado um tema — um episódio — novo. O próximo está programado para o início de Abril e “será completamente diferente do primeiro”, adianta Vilas Boas. “O processo passa por, dependendo do tema, alternar entre narrativas mais ficcionais e outras mais documentais, mas sempre ligadas entre si pela técnica usada e pelas personagens que cruzam algumas das histórias. Cada vídeo conta várias histórias e vários assuntos sociais em paralelo, cruzando personagens”, conclui Individeo.