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Tributo a Zeca Afonso: Charlie Beats está a compilar “retratos” do país

[TEXTO] Alexandra Oliveira Matos [FOTO] Direitos Reservados

Desde 2015 que Charlie Beats está, pé ante pé, a reunir “retratos” sobre a liberdade de expressão e o rap de intervenção. Os mais distraídos podem não ter reparado, mas tudo começou com “Voz de Abril”: beat de Charlie Beats, scratch de DJ X-Acto e rimas de Marcos Best. A 1 de Maio de 2016 ouvíamos a “Terra Prometida” com instrumental de Charlie Beats e as rimas sobre desemprego de Papillon. Mais um ano e mais um dia para se relembrar a luta de outrora: a 25 de Abril de 2017 era Hipno D quem rimava em cima do beat de Charlie com o sample de “Os Bravos” de Zeca Afonso. O Dia do Trabalhador, celebrado na passada terça-feira, 1 de Maio, não quebrou a regra. Estraca desce a rua a falar sobre “passados mal contados” em “Bem Vindo”, uma música desenhada, claro, por Charlie Beats e com cortes de Stereossauro.

 



“Sempre tive uma ligação com a esquerda, com a música interventiva e com estes artistas todos que fizeram realmente a diferença numa altura em que não havia liberdade de expressão”, começa por contar Charlie Beats. O produtor que toma agora conta do Groundzero Studio garante que Zeca Afonso ou mesmo Sérgio Godinho “sempre foram artistas que estiveram presentes” na sua vida. Esta homenagem à voz de Abril, que tem vindo a fazer sem alaridos, serve para “não deixar morrer esta componente musical que também é importante, a componente interventiva”, esclarece. No final, sem saber ainda qual é a data desse fim, quer poder “ouvir a música e dizer ‘este ano foi aquele em que o desemprego disparou e o Papillon fez um retrato sobre isso’ ou ‘2018 foi o ano em que apareceu um MC super interventivo que caiu nas graças do hip hop, o Estraca, e este foi o retrato feito por ele'”.

E porquê a escolha do 25 de Abril e do 1 de Maio, alternadamente? A primeira resposta parece simples e Charlie também tem resposta para a segunda. “Achei relevante também celebrar o 1 de Maio quase como quem diz que a revolução é importante, mas é importante também pôr as mãos à obra e valorizar o trabalho e a produtividade, para que todos enquanto comunidade e sociedade possamos evoluir cada vez mais”, justifica. Já com quatro singles na rua, o produtor garante que vai “fazer cópias físicas” e “uma apresentação ao vivo, possivelmente”. “No final do dia o importante deste projecto é o som e a mensagem”, frisa.

 


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