Tremor’19 – Dia 2: do apagão no Casino aos balanços enérgicos no Arco 8

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Your Dance Insane e Carlos Brum Melo

Ao segundo dia, o centro da cidade deixou de ser o principal foco e a viagem (feita debaixo de uma densa neblina digna de um bom filme de terror/suspense) levou-nos até às Furnas, local onde iria acontecer o Tremor na Estufa. Apesar do mau tempo, a fauna e a flora mostraram-se a espaços durante os cerca de 45 minutos de caminho. A paisagem impressiona e é, definitivamente, um dos pontos fortes deste festival que se compromete a enaltecer as qualidades do arquipélago. E, até agora, está a conseguir, diga-se…

Chegados ao Casino das Furnas, o concerto de WE SEA (Clemente Almeida e Rui Rofino) + Pedro Lucas comprometia-se a exibir os resultados da sua residência artística. No entanto, o pior sucedeu logo a meio da segunda música: a luz foi-se abaixo e obrigou a uma pausa que seria prejudicial para o grupo, que viu uma sala cheia a esvaziar-se a cada minuto que passava. Um imprevisto que abalou o entusiasmo dos presentes, algo (praticamente) impossível de recuperar, mas que foi compensado pela qualidade geral das músicas e letras do trio.



O infortúnio também levou ao cancelamento da segunda metade do TnE: a sessão do Parque Terra Nostra “mudou-se” para o Casino das Furnas, uma alteração que permitiu um repasto rápido num restaurante da zona. Com os olhos no telemóvel e os ouvidos no que se passava à nossa volta, deu para perceber que o assunto da mesa do lado era, curiosamente, uma possível ida ao Tomorrowland, um festival com ambições completamente opostas ao Tremor, o evento local que aqueles comensais pareciam ignorar categoricamente, apesar do sotaque denunciar as suas origens. Pelos vistos, a proximidade não é boa conselheira…

De regresso à zona mais movimentada, o resumo do resto da noite baseou-se nos acontecimentos no Arco 8, e à entrada encontrámos logo uma intervenção de Vhils, claro sinal do pendor artístico do espaço.

A abrir, os Fumaça Preta, power trio que congrega elementos tão díspares do stoner rock com os ritmos vindos de África e Brasil, entre outras coisas, apresentaram-se perante uma sala a rebentar pelas costuras, transportando a energia que lhes reconhecemos de discos como Fumaça Preta, Impuros Fanáticos e do mais recente Pepas.

Antes de irmos embora — o cansaço já se fazia sentir àquela hora –, Odete, que lançou o excelente Matrafona no final de 2018, entrou sem pedir licença com remisturas de “Bitch Better Have My Money”, de Rihanna, e “Beautiful Liar”, de Beyoncé & Shakira, juntando-lhes ainda balanços dançantes de pendor afro-house, reggaeton ou electrónica fragmentada que foram complementados pelas imagens no ecrã que nos transportavam para o universo vaporwave.

Saímos assim a dançar com uma pequena injecção de energia que, esperemos, nos ajudará no terceiro dia do Tremor.