Toro y Moi no Lisboa ao Vivo: uma noite para maximizar o prazer

[TEXTO] Vera Brito [FOTOS] Diogo Lima (Gig Club)

Já têm planos para hoje? Se não têm fica aqui a sugestão: peguem no carro, coloquem a rodar Outer Peace de Toro y Moi e sigam sem pressas as placas em direcção ao Porto. Chaz Bear (mais conhecido pelo seu apelido de solteiro Chaz Bundick) apresenta-se hoje na Invicta com o seu último trabalho depois de uma noite incrível no Lisboa ao Vivo — este conselho também é válido para todos os que marcaram presença ontem e precisam de prolongar as muitas sensações de prazer vividas.

Ao seu sexto álbum, Toro y Moi, que nunca se repete em fórmulas musicais, conseguindo sempre fazer de cada disco uma nova identidade sua, deixou-nos desta vez um disco pulsante e festivo, com pouco espaço para a melancolia que, nas poucas vezes em que assoma, vem disfarçada com leveza. Outer Peace, com os seus sintetizadores e teclados pop, linhas de guitarra funk e auto-tune em doses certas, está mais próximo da pista de dança que da solidão do quarto, demarcando-se a largos passos dos primeiros trabalhos do produtor, muitas vezes injustamente reduzidos ao malogrado rótulo chillwave, que há uma década servia para catalogar toda a música lo-fi de consumo fácil, suave e sonhadora, a banda sonora dos “sunsets de Verão”.



Existe muitas vezes uma resistência em acompanhar a evolução musical de artistas que nos são mais próximos, um obstáculo que Chaz Bear não tem tido qualquer dificuldade em contornar e a julgar pelo entusiasmo com que todas as músicas de Outer Peaceforam recebidas ontem — “Ordinary Pleasure”, “Freelance” e “Fading”, responsáveis pelos maiores momentos de dança, arrancaram vários histerismos e aplausos esfuziantes — diríamos que este é um disco pelo qual os fãs de Toro y Moi há muito tempo aguardavam. Na verdade e se em alguma coisa Outer Peace peca, é apenas pela curta duração de todas as suas faixas: quem é que não ficou com a sensação de que o groove de “Laws of the Universe” merecia mais uns bons minutos de rotação? Até James Murphy concordaria.

Há claro uma vantagem de músicas curtas: ontem houve tempo para ouvir Outer Peace praticamente por completo, assim como muitas outras músicas de Anything in Return (2013), Boo Boo (2017) e ainda uma visita fugaz a Underneath the Pine (2011) com “Still Sound”. Canções como “Mirage”, “No Show”, “Say That”, “Labyrinth” ou “Rose Quartz” deveriam, aliás, ser sempre momentos obrigatórios para qualquer concerto de Toro y Moi e completaram o alinhamento generoso, perfeitamente equilibrado entre momentos aveludados e outros esfuziantes. Do primeiro andar do LAV era possível observar uma plateia febril, entregue ao deleite que as músicas de Toro y Moi são capazes de arrancar a todos os sentidos. “Maximize all the pleasure, even with all this weather, nothing can make it better” — a cada tema era possível descobrir um novo sabor, uma nova sensação, como na languidez do auto-tune de “50-50”, nos deliciosos detalhes robóticos de “Who Am I” ou na despedida agridoce que “Rose Quartz” nos deixou.

E se muitos terão encontrado na noite de ontem um concerto para guardar nas melhores memórias deste ano (percebemos agora porque é que a Billboard incluiu o norte-americano na sua lista de melhores performances para 2018), pareceu-nos que foi Chaz Bear quem mais genuinamente celebrou o momento. Sempre em constante movimento, muitas vezes atrás do teclado do seu Korg R3, dançou por todo o palco como se não estivesse mais ninguém presente na sala, contagiando-nos a todos com a sua boa energia, numa noite em que aprendemos a maximizar pequenos prazeres, num deleite que ainda hoje nos percorre o corpo.


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