Refrões orelhudos e açucarados a roçar o R&B, uma linguagem bubblegum trap bem trabalhada e uma envolvente estética cor-de-rosa. O universo artístico de Tito, rapper que apareceu em cena nos últimos anos, materializa-se com o passo mais sério do seu percurso até aqui: o EP hoje durmo melhor, editado a 31 de Outubro.
Aos 25 anos, o artista de Santo Tirso — a viver na região de Lisboa nos últimos três anos, onde tem vindo a trabalhar com o manager Miguel Pedro, dos Instinto 26, aproximando-se do núcleo hip hop de Mem Martins — já leva um vasto trajecto musical na sua vida pessoal, ainda que só mais recentemente tenha vindo a dar sinais mais visíveis.
Abriu para Yunk Vino no Hard Club, no Porto; lançou um primeiro EP em 2022, intitulado RACKSONRECS; mas está agora no momento mais significativo da sua história na música. Sobre instrumentais encontrados online, e beats originais de Di Cicilia e Wizzy, construiu um disco em torno de vivências e episódios da vida amorosa. Em entrevista ao Rimas e Batidas, conta a sua história, aborda o novo projecto e antecipa o futuro.
Antes de chegarmos a este projecto, qual é a tua história? Como e quando é que te começaste a interessar por música?
Muito resumidamente, sempre gostei de hip hop, o meu irmão já ouvia quando era mais novo, lá com os seus CDs piratas. E sempre me passou muito knowledge através disso e eu fiquei sempre com a curiosidade de fazer música. Quando fiquei mais velho, à volta dos, sei lá, 14 anos… Os meus pais emigraram e eu lembro-me de pedir um microfone à minha mãe. Isto em 2013 ou 2014. E pronto, comecei a fazer as minhas maquetes. Fazia música com mais uns amigos. Um deles era o Extrazen, nós gravávamos sempre em minha casa em Santo Tirso. E fui fazendo umas cenas, mas era sempre como um hobby. Nessa altura era um bocado irreal viver do rap em Portugal. Havia pouquíssima gente que o conseguia fazer. Fui fazendo umas musiquinhas por ano, depois emigrei, estive no Luxemburgo, mas não me dei bem no estrangeiro e voltei para Portugal. Já havia um pessoal mais velho lá na cidade que fazia umas músicas, começaram a dar-me o toque para ir ao estúdio. E a primeira vez que fui a estúdio, foi no estúdio desse pessoal, que era a Beat The System Crew. E era muito boom bap, na altura. Era a minha escola. Também era o puto que colecionava CDs. Tinha Wu-Tang Clan, Mos Def, toda essa escola dos States. Tinha mais alguns tugas.
Ou seja, cresceste com essas referências mais clássicas de rap.
Sim, até porque tive alguma dificuldade em começar a ouvir trap. Era muito novo para mim, não me entrava muito fixe na altura. E criou-se aquela rivalidade, vá, com o pessoal do boom bap. Foi uma onda de choque. E como eu era puto e não tinha muito a minha opinião, seguia um bocado aquilo que as minhas referências diziam. Acho que também foi por aí que os meus ouvidos rejeitaram o trap. Mas depois fui crescendo e criando o meu gosto e tudo mais. E acabou por entrar. Em 2017, dois anos depois de ter voltado do Luxemburgo para Portugal, voltei para lá porque estava completamente sem rumo. Não sabia o que queria fazer e mandei-me só. Também para estar mais perto dos meus pais. Senti que era uma altura em que precisava de estar perto deles. E fiquei lá de 2017 até 30 de Dezembro de 2019. Nessa altura, nesses dois anos em que estive lá, quase três, construí um estúdio na minha casa. Ia trabalhar, ia para a escola, e depois, em casa, era ali que eu estava. E foi quando comecei a experimentar o auto-tune. Foi uma altura em que aprendi muita coisa com as demos que fazia. Agora oiço e soam mal, mas na altura já soava a alguma coisa e mandava as músicas para o meu grupo de amigos. Foi a primeira vez que senti que o pessoal, realmente… Antes apoiavam-me porque éramos amigos, mas a partir dali já estavam a apoiar-me porque de facto a música ficava na cabeça. Isso despertou-me algo mais. O rap também foi ficando mais popular. Começou a ser um sonho mais real, porque também via o que acontecia com os outros.
E aí, suponho, a nível musical já estavas um bocadinho mais parecido com o que depois vieste a fazer.
Exacto. Naquela viragem de 2019 para 2020 voltei para Santo Tirso, cheio de vontade de fazer cenas com foco na música. Porque eu estava a fazer música no Luxemburgo mas… Como não tinha muita vida social, era mais à volta do pessoal do trabalho e na escola não me identificava muito com o pessoal, ficava mais em casa e acabei por me tornar um pouco mais fechado. E sentia que não vivia. Ou seja, é como o Sam diz: não tens o direito de escrever se não tens nada para dizer. E senti-me com essa dificuldade. Não conseguia… Queria fazer música, gostava bué de fazer mas sentia que não tinha nada para dizer. Ou dava por mim a dizer aquilo que o outro disse. Então… Senti que a minha vinda para Portugal poderia mudar isso. Porque iria ver-me mais uma vez longe dos meus pais. A ter que ir trabalhar e lidar com a cena de morar sozinho. E quis-me pôr nessa dificuldade mesmo para conseguir falar de cenas.
E resultou?
Resultou, mas não foi logo. Porque eu fui cheio de vontade para 2020: “Vou fazer bué cenas, vou estar com o pessoal, vou sair, vou inspirar-me para fazer música.” E o que é que acontece? Quarentena. Deu para vivenciar de outra forma, ya, senti-me mais activo socialmente, também senti uns struggles na pele que me fizeram querer falar. Fui trabalhar para um supermercado, estive no McDonald’s, depois fui para o Lidl. E nesse mesmo ano criou-se uma crew, com um tropa meu lá de Santo Tirso que também fazia música, outro que produzia, e levei o meu material todo para casa desse produtor. Saía do trabalho e encontrávamo-nos lá. Fazíamos sons, ia dormir, acordava e ia trabalhar. Saía do trabalho, encontrávamo-nos lá. E foi assim um loop. Bué música, mas não saiu nada, porque na altura era bem complicado para nós, principalmente dali, ver uma luz… Sei lá. Nenhum de nós tinha posto assim tantas músicas cá fora, então queríamos pôr uma cena diferente e com qualidade. E os acessos não eram assim tão fáceis. Tudo bem que havia Internet, mas conhecer pessoas que fizessem cenas fixes ou que realmente tivessem uma vida musical activa era muito raro. Então faltou-nos um bocado esse trabalho, saber como fazer o lançamento. Estávamos bué por nós: o clip vamos fazer nós, a mix vamos fazer nós, a produção fazes e nós damos os nossos toques também. Só que, depois, quando chegava a hora de fazer acontecer, surgiam bué entraves. E também começou a surgir um factor que foi o que me fez bazar da crew, mantendo as amizades. O tempo foi passando, eu comecei a criar realmente música, eu era o mais novo e o resto do pessoal, todos com mais quatro ou cinco anos, já estava cada um com a sua vida. Eu via que a fome deles não era a mesma do que a minha. Não que eles estivessem mal, simplesmente era diferente e isso começou a vir ao de cima. As coisas deixaram de ser tão fixes. Sempre que eu queria lançar uma cena, não havia facilidade de todos os lados. E eu também tinha as minhas cenas. Mas sempre pus a música em primeiro. E para o resto do pessoal não era tão assim, mesmo que também fossem talentosos.
Certo, claro.
Em 2022, vim pela primeira vez a Lisboa passar um fim-de-semana. Nunca tinha vindo a Lisboa na minha vida. E, para mim, Lisboa era a cena. Eu sabia que se passava tudo cá. As labels, as rádios… Está tudo muito centralizado cá, infelizmente, mas é o que é e é saber jogar o jogo. E nessa primeira vez fascinei-me logo, senti bué cultura na rua, tive uma conexão com o pessoal da Son Of A Gun, que era bué a minha cena. Senti-me inspirado, senti-me em casa e nunca tinha estado cá. Passado duas semanas, voltei a Lisboa para ir ao Open Day da ETIC. E fui visitar os estúdios, fui visitar a escola, conheci o TNT.
Já estavas de olho no curso de Produção e Criação de Hip Hop.
Estava, porque eu cheguei a estudar Produção Musical na Restart do Porto, em 2020. E depois, em casa, o meu irmão dizia-me: “Agora vai estudar alguma cena mais real.” E fui para Marketing Digital, na ISAG, também no Porto. Estive lá uns meses, mas dava por mim às tantas da madrugada no estúdio e tinha exames no dia seguinte. Ou tinha alguma cena chata para fazer da universidade e não tinha feito. Aquilo começou a dar-me aquelas ansiedades. E pensei: “Eu sou mais velho, eu sei que não quero isto, não vou estar a enganar ninguém.” E acabei por desistir da faculdade. E a ETIC foi um bocado ter a aprovação do pessoal, não que, se eles dissessem que não, que não vinha, porque eu viria na mesma para Lisboa. Mas a ETIC facilitou, porque ia estudar, só que ia estudar aquilo que eu quero. Também não conhecia ninguém do meio e talvez pudesse dar nalguma coisa em termos de contactos. E estava mais próximo do pessoal da cena. Era o que eu queria. E claro que tenho a minha big picture e o meu objectivo final, mas para não me desmotivar sempre fui criando objetivos mais curtos para cuidar da vontade.
Para ires concretizando coisas pelo caminho.
Exactamente. E fui a Lisboa pela primeira vez em Maio, em Setembro já estava a morar cá depois de ter entrado na ETIC. Pedi transferência do trabalho para Lisboa. Estava a estudar e a trabalhar, e ia fazendo as minhas coisas. Em Novembro de 2022 lancei o meu primeiro EP, uma compilação de músicas que tinha feito naquele Verão. Tinha uma com o Lil Noon porque tinha começado a trabalhar com ele pouco antes de ir para Lisboa, também tinha uma com o Sien Flamuri. Depois num concurso de Instagram surgiu a oportunidade de ir abrir o concerto do Yunk Vino no Porto, no Hard Club. Foi muito fixe porque tinha acabado de lançar o EP, toquei para uma sala composta e acho que me deu uma visibilidade boa na altura. Também comecei a sentir o love, nas redes e com pessoas a abordar-me em festas ou whatever. Comecei a ver que a minha cara estava a ser reconhecida na cultura.
E isso deve-te ter motivado.
Exacto, eu já estava motivado por estar em Lisboa e quando isso aconteceu, foi mesmo gás. Estava bem vidrado no trap brasileiro da altura, no Derek, no Tchelo, o retroboy… Mandei mensagem ao retroboy, que é irmão do Tchelo, ele quis ouvir as minhas cenas, porque na altura estava a fazer um conjunto de sons na mesma line do que eles, e deram-me bué sangue, mandaram-me mensagens e muito love. E fiz um som com ele, que iria ser de um projecto que acabou por ficar na gaveta, mas lancei a sessão e também foi fixe, fez um barulhinho cá em Lisboa. E foi nesse ano que conheci o pessoal com quem trabalho agora, o Miguel [Pedro, manager dos Instinto 26] e o pessoal todo de Mem Martins. Fiquei muito mais próximo do pessoal que realmente vive daquilo do qual eu também quero viver. E como as opiniões deixaram de ser dos meus amigos e passaram a ser mais fundamentadas, de pessoas que percebem mais, deixou de haver yes-men. Depois tive o maior bloqueio criativo até hoje, uns seis ou sete meses, e foi lixado de lidar, mas no final do dia foi bom porque aprendi mesmo muito, não deixei de fazer música. Mas senti-me bem parado em 2023, lancei o “FAYAH” no final do ano, e em 2024…
A partir daí começaste a lançar uma série de faixas.
Lancei uns quantos sons, comecei a trabalhar com o Osémio Boémio também. Estávamos a trabalhar num projecto, mas a cena acabou por não ir para a frente. Há bué projectos que eram para ser e não foram, mas faz parte do teste e isso não desmotiva. Foi muito bom, aprendi muito com ele também, mas acabou por não se concretizar e continuei a fazer a minha cena. Conheci os artistas com quem o Miguel trabalha, como o Trista, desenvolveu-se uma amizade, depois fomos para estúdio e foi muito fácil. Fizemos logo um som para o álbum dele e um para o meu, e aí comecei a entrar no espectro do meu EP, o hoje durmo melhor. E foi numa dessas sessões com o Trista, ele começou a perguntar-me o que ia na minha cabeça, o que é que eu queria fazer, eu estava numa de singles, também não tinha muito investimento e é sempre difícil meter uma cena com consistência e qualidade cá fora. Mas também havia o bichinho de fazer um EP, desde 2024 que tinha a ideia de fazer um projecto cor-de-rosa, mais virado para sons de love. E numa sessão cá em casa, ele vira-se e diz: “Mano, mas essas cenas que me estás a mostrar são fixes, têm qualidade e estão bué no mesmo universo, quase que tens aí um projecto fechado”. Eu tinha para aí quatro demos na altura, sendo que queria sempre fazer com sete sons. Ele disse-me aquilo, passado um bocado quando fui dormir… Simplesmente peguei no telemóvel e fiz todo um PDF com a parte conceptual, parece que se deu ali uma luz, com tudo o que queria no projecto. Não tinha as músicas todas, mas já tinha a direcção, o conceito, o rosa e tudo mais. Às vezes é algo que já está dentro de nós, mas se calhar tinha que ser alguém de fora a meter-te essa questão em cima da mesa para despertares isso. Passa um dia ou dois, o Miguel está cá em casa porque ele trabalha muito com um colega de casa meu, o Vítor Pream, que também foi muito importante para mim no processo porque tem uma cabeça criativa. E começámos a falar sobre o EP, sobre ideias de nomes, eu comecei a perceber que aquilo ia acontecer… E mal o Vítor diz “hoje durmo melhor”, eu disse que era aquilo. Porque todas as músicas são desabafos, depois de uma série de episódios em relações amorosas. No final do dia, depois de falar disto, hoje durmo melhor. Então dava-me uma paz interior. Daí para a frente foi mesmo preocupar-me em fazer a melhor cena possível. Felizmente encontrei pessoas ao longo do processo que só se preocuparam em agregar. Desde o Ruivo, que foi o DOP, ao Nosh, o director criativo da Son Of A Gun, onde eu estava a trabalhar e que foi muito importante para mim.
E nota-se bastante esse cuidado ao nível criativo e visual do projecto.
Isso é muito bom de ver e sentir que foi bem conseguido. Porque é uma preocupação minha. Sou um gajo que liga bastante. Eu sei que o foco é a música, mas a estética é um complemento e a imagem tem bastante para entregar. Se for bem trabalhada, pode ser uma cena bem maior.
E o processo de construção dos temas em si?
Eu sempre fui autodidata e tive um processo um bocado solitário no que toca a criar música. Então sou muito da escola dos type beats. Estou a tentar deslargar-me, mas ainda está bem presente. No que toca ao EP, ia fazendo músicas. Tinha uns beats do Di Cicilia no PC, beats da net em que eu ia fazendo. Tenho o Wizzy também, que é um grande produtor. Mas acho que neste projecto tenho quatro ou cinco beats da net. Porque é a minha escola. Eu gosto de trabalhar com cenas originais e é o que quero daqui para a frente. Mas eu não sei com que moca estou quando me sento para fazer música. Então não posso pedir um beat assim e assado àquele, porque depois manda e já não estou aí. Quando vou à net pego aquilo que quero no momento. Do nada estou a fazer um trap hard ou um R&B de love. Esses type beats dão-me essa liberdade para me sentar e experimentar fazer aquilo que eu quiser.
E como disseste, este EP tem mais esse lado de love songs, mais cor-de-rosa. Mas é bastante provável, até por isso que estás a dizer, que daqui para a frente reveles outras cores, outras facetas da tua personalidade e da tua música.
Sem dúvida. Eu quero muito… Até foi uma cena que o Miguel me disse agora. Porque o meu primeiro EP é cor-de-laranja. Não sei porquê, só sei que curtia e ficava fixe. Não havia um motivo tão forte. Mas agora que já lancei este projecto, estou a trabalhar no próximo e no seguinte. Já estou a entrar na parte estética, tenho aqui as minhas pastas, as minhas cenas, e tudo bem organizadinho. E tem sempre uma cor associada. É bué um traço de personalidade. E para mim é muito natural e óbvio. Para onde é que posso ir? O que é que esta cor me pode dar? Que feeling me traz?
Deve ser útil para lançar um projecto como um todo, não é? Para ires numa direcção específica.
Sem dúvida, acho que a cor une bem a cena. Se for bem feita e bem trabalhada, torna o projecto muito mais coeso.
O hoje durmo melhor tem uma linguagem bastante trap, aquela que apareceu em força há quase uma década em Portugal mas que depois acabou por se diluir no resto do rap e que acabou até por contagiar a música pop, e até meio que dando origem à chamada música urbana, em conjunto com outras coisas, mas já como outros sons e projectos. Ou seja, neste momento não tem sido assim tão comum o lançamento de projectos com esta estética por cá…
Acho que o rap está muito presente, só que está muito mais aberto. Há uns anos surgiu o trap e foi meio chutado para canto, mas criou ali um nicho que ficou muito forte. E hoje o rap simplesmente está fundido em todos os géneros. Neste projecto vou do trap ao R&B, mas no R&B não estou a deixar de fazer trap. Acho que é um bocado isso. É um estilo que simplesmente está mais fundido dentro dos diversos estilos musicais. Mas sim, este EP tem essa linguagem, foi propositada e é uma linha que gosto de seguir. Mas não me quero restringir a um só estilo. Vou fazer o que me apetecer e tentar não me meter em caixinhas. Gosto de fazer música.
Lançaste agora o EP, mas já estás a pensar num desses futuros trabalhos para o ano?
No próximo ano já estamos com coisas, não quero especificar, mas já estamos com uma cena bem mais séria aí na pista. E já estamos com outra a seguir a isso, mas vamos ver como é que a cena corre. Mas acho que vai alimentar quem gosta de ouvir a minha música.
Os timings depois também dependem de outras coisas que podem ou não surgir. De certeza que também vais tentar dar concertos, suponho que seja um objectivo para os próximos tempos.
Sim, mas não queremos fazer as coisas à toa. Quero sentir que de facto faz sentido estar a fazer uma cena ao vivo. Quero sentir que realmente as pessoas estão ali para mim. Há shows que têm que fazer sentido para ti e há outros que é para alimentar um bocado o ego. Eu não quero shows para alimentar o ego, eu quero que faça sentido, que de facto haja um motivo para estar a fazer aquilo. Claro que músicos fazem música e músicos tocam ao vivo. Percebo essa lógica. Mas quero fazer uma cena bem pensada e que haja uma boa justificação para fazer a cena.