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Fotografia: Bruno Mesquita

Dois anos depois do lançamento pela ZABRA, o duo ruma às estrelas.

Terra Chã procuram o equilíbrio entre o “dark” e o “sunny” em novo EP

Fotografia: Bruno Mesquita

No passado dia 18, os Terra Chã, nome do projecto electrónico de Fabrizio Reinolds e Ricardo Fialho, residentes em Lisboa, lançaram Edhel EP, um conjunto de duas músicas originais, acompanhadas por dois remixes de Moody Waters e Himan, label owners da editora lisboeta/londrina Release/Sustain, responsável por lançamento de artistas como Vakula, Chaos In The CBD, Fred P e Alton Miller.

O EP, que sucede a Dupla Insularidade, lançado pela ZABRA Records, em 2018, continua a aventura dos produtores pela exploração de batidas downtempo que fundem ritmos tropicais com as melodias do techno e do house, culminando numa sonoridade versátil, que tanto se imagina a resultar num dancefloor como num conforto de uma casa.

“Kalena” apresenta-nos, desde cedo, ritmos e sonoridades africanas, que alimentam e oferecem uma base sólida para os sintetizadores partirem numa viagem sem olhar para trás, que nos faz levitar, tornando o nosso corpo mais leve e capaz de aguentar o beat. Já “Aquiles” mergulha no universo do deep house por meios mais emocionais, sendo uma experiência mais introspectiva que a primeira, transportando-nos para um ecossistema de sons onde cada um faz a sua parte para que tudo funcione correctamente e em equilíbrio. E talvez seja “equilíbrio” a palavra que melhor define este EP que é composto por duas músicas que se complementam, apesar dos diferentes caminhos tomados na sua criação. Pelas palavras dos produtores, é como se uma parte fosse “dark” e a outra fosse “sunny”. Enquanto a primeira faixa nos encaminha para um ambiente mais nocturno e hostil, a segunda tranquiliza-nos e leva-nos a bom porto. “O dono da editora pediu-nos para seguir o catálogo da editora no sentido da estética. Apostar em cenas espaciais, galáxias, etc”, afirma o duo,”então apostamos nesse universo algo sombrio como é apanágio do espaço, mas com as ruínas a dar aquele ar de civilizações perdidas tipo maias, arcturianos”. Enquanto a ideia de “Aquiles” tem origem no distante ano de 2003, tendo sido repescada agora — “dá um ar mais deep e exótico ao EP” -, “Kalena” é mais recente e ficou com as vibrações mais sombrias, funcionando de forma yin-yang entre elas.

O contributos de Moody Waters, que estende a ideia de “Kalena” a um formato mais tradicional da música house, parecendo ser uma extensão da música que se prolonga por mais nove minutos, e de Himan, que transformou “Aquiles” num mantra rítmico motorizado mergulhado em melodias e em texturas sonoras contemplativas, completam a essência deste disco e acrescentam perspectivas versáteis às ideias dos produtores que têm construído um sólido projecto que explora os ritmos quentes e tropicais do hemisfério sul misturados com as estruturas ocidentais da música electrónica de dança.

O disco estará disponível brevemente nas plataformas de streaming e Bandcamp da editora, sendo possível ouvir, de momento, na Juno.


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