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Fotografia: Vera Marmelo

Chegados à primeira paragem...

Te Voy A Matar: “Ser um geek dos synths é quase mais importante para mim do que saber tocar”

Fotografia: Vera Marmelo

Vai dar entrada, na linha do pós-quarentena, um comboio com destino à Estação Minhoca. Segunda-feira (7) é o primeiro dia do evento que devolve mais um palco aos artistas independentes. Te Voy A Matar é o primeiro de 10 artistas que irão actuar em vários locais de Lisboa, em micro-concertos privados que terão transmissão no Instagram do Rimas e Batidas.

O projecto com honras de abertura é de Silas Ferreira, ilustrador e designer de nome feito na pop nacional – nomeadamente nas bandas Os Pontos Negros e Os Náufragos, ao lado de Manuel Fúria. Sob o epíteto Te Voy A Matar, que nasceu em 2009 pela chancela da FlorCaveira, encontra um oásis para expandir a sua afinidade com a electrónica. Cada tema em Texto Áureo, curta-duração lançado 11 anos após o seu último disco, é uma missão exploratória, onde a lucidez se embriaga com um sonho cheio de sol… 

…mesmo que isso não lhe permita saber a quem, afinal, se destina a sua música. Este e outros tópicos em discussão, antes do concerto que decorre pelas 19 horas no Instagram do ReB.



De onde surge o nome Te Voy A Matar? O meu primeiro palpite tem que ser o Resident Evil 4

Para ser franco não me recordo bem de onde veio a ideia! É muito adolescente mas eu já não tinha idade para ser adolescente quando o nome surgiu. Nasceu no tempo do Myspace e, na altura, a descrição dizia qualquer coisa sobre unir Portugal e Espanha numa nação ibérica. Era uma provocação. Eu já estava envolvido com a FlorCaveira e havia uma certa militância pela língua portuguesa na música porque quase todas bandas nacionais cantavam em inglês. Na música que eu me propunha fazer, ao contrário dos restantes elementos da FC, não havia canções e portanto a língua podia ser qualquer uma. O castelhano era das menos óbvias para um artista português, daí a provocação.

Este projecto não é inteiramente novo: em 2009, editaste pela FlorCaveira um disco misto com o Tiago Lacrau, e no ano anterior já tinhas usado essa parceria para lançar uma cançoneta natalícia. O que te fez reactivar esta ameaça mortífera?

Nunca matei o nome nem o propósito. Tenho andado muito ocupado a tocar com outras bandas e passei uns bons anos sem saber como podia adaptar a música que fazia de forma eficaz e divertida para um formato ao vivo. Em 2008-2009 fiz duas apresentações com formações diferentes mas ficaram sempre aquém dos meus objectivos. Nos últimos três anos tenho andado a explorar máquinas que me permitem produzir e interpretar ao vivo e tem sido uma viagem recompensadora. Gostava de ter tido há 10 anos as ferramentas e as capacidades que tenho hoje para fazer música. Sou um geek dos synths e das máquinas musicais em geral e isso é quase mais importante para mim do que saber tocar!

Quando começaste a gravar o novo disco? A quarentena catalisou o processo de alguma forma?

Durante o período de confinamento, comecei a ajudar o meu irmão mais velho que precisava de música para acompanhar vídeos de histórias bíblicas para crianças. As malhas que fui fazendo, se não eram imediatamente óbvias como música infantil, muito menos religiosa, eram mais longas, menos ritmadas e mais atmosféricas do que o que eu vinha fazendo. Com o avançar das semanas, percebi que tinha feito uma boa colecção de música, talvez boa demais para ficar por ali.

Porquê este “Mapa ABC” como primeiro single?

Aconteceu tudo muito depressa, entre as remisturas e a masterização. Mostrei as oito músicas a alguns amigos e a “Mapa ABC” foi surgindo nas conversas. Havia mais duas candidatas mas optei por esta porque tinha boas melodias, ritmo e uma onda bem disposta que penso que resume bem o conjunto. De qualquer maneira, não é um disco que se preste muito a singles.

Que espaço estás a construir para ti com este projecto? É mais uma oportunidade para conciliar o desenho, a ilustração, os sintetizadores e teclados?

Tinha traçado objectivos para um EP muito diferente este ano mas não tinha ainda arrancado com nada de concreto, então decidi avançar com esta edição. Não é um cartão-de-visita da música que me proponho fazer mas serve sobretudo como testemunho de um espectro sonoro ligeiramente diferente que posso visitar. Te Voy A Matar é uma oportunidade de criação em que eu decido as limitações técnicas, que em princípio são as minhas enquanto músico, adicionadas às das máquinas que decidir usar. O desenho e a ilustração encontram maneiras de se infiltrar em quase tudo o que faço e também moldam a forma como vejo o mundo e por consequência a música.

Tens honras de abertura no Estação Minhoca. O que antecipas para este concerto?

Vou apresentar uma das músicas deste disco, algumas coisas que ainda não gravei e outras mais antigas que gosto de tocar. Não sabendo qual é o meu público, também não sei bem o que esperar. Quando toco estou muito concentrado no que estou a fazer, entro naquele mundo e espero que as pessoas venham comigo. 


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