Subtil: “Quero levar a minha música ao máximo de sítios possíveis”

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [FOTO] Direitos Reservados

Subtil apresentou o primeiro single de Aquém-Mar no final de Fevereiro. O álbum de estreia está planeado para sair este ano pelo Artesanacto.

Praso é quem assiste o MC do Algarve no primeiro avanço do disco. Um beat “proibido” por parte do mentor da crew. Não esquecendo o típico toque de jazz à la mafioso, ouça-se o sample, é na construção rítmica do instrumental que reside o truque que aponta à mudança, com o beatmaker a oferecer-nos aquilo a que soa o trap aos seus ouvidos.

Subtil estreou o seu primeiro projecto no ano passado. Venho Pelo Meu Nome foi o EP de apresentação — o rapper compilou três temas com produções de Raffs Wirebeats –, que já contava com o selo do Artesanacto. Segue-se Aquém-Mar, que será um produto inteiramente desenvolvido dentro da label dos Alcool Club. “Tive a sorte e o privilégio de ser o escolhido”, confessou Subtil ao ReB.

Antes do anúncio do disco, “Tou Na Via” e “O’stilo” foram os dois videoclipes que aterraram no YouTube durante o final de 2017.

 



Em 2017 estreaste-te a solo pelo Artesanacto com um EP, tendo terminado o ano da melhor forma com o lançamento de dois videoclipes, algo que demonstra que o tempo em estúdio está a ser levado a sério. Com o primeiro álbum no horizonte, o que nos podes adiantar desse projecto?

Será um álbum que contará apenas com instrumentais produzidos no Artesanacto, com participações dos Alcool Club e alguma possível surpresa. Já há algum tempo que o Praso gostava de produzir um artista fora dos Alcool Club e eu tive a sorte e o privilégio de ser o escolhido.

Explica-nos o título que atribuíste a essa obra: porquê Aquém-Mar?

Quero levar a minha música ao máximo de sítios possíveis. Sendo eu algarvio, a expressão Aquém-Mar significa algo que está a sair do mar em busca de novas conquistas. O mesmo se está a passar com a minha música, finalmente estou a sair da minha zona de conforto. Existem tantas pessoas que nunca me ouviram e eu quero fazer-me ouvir. Quero deixar a minha marca pelo país.

Tens algum conceito que se prolongue pela totalidade dos temas?

O meu conceito é o mesmo em todos os temas, simplesmente escrevo o que cada instrumental me pede, sempre baseado na minha vida. Por vezes, acho que não deveria ser tão “aberto” em certos assuntos, mas não consigo fazê-lo doutra maneira. Coloco os fones nos ouvidos, sigo o beat e o resto vem por si.

Já tens em mente a data de edição do disco?

Andamos em gravações, não quero adiantar uma data, mas é mais que certo que sai este ano.

Podemos esperar mais algum single pelo caminho?

Até há um mês não tínhamos nada em concreto e entretanto filmámos o “Cada Um”. Estamos a tentar aproveitar ao máximo o pouco tempo que temos, vamos ver como as coisas se desenrolam. Contudo, quem tiver a hipótese de aparecer dia 24 no Hard Club ou dia 31 no Bafo de Baco irá ouvir muita coisa nova.

Entretanto já pudemos saborear o “Cada Um”, o primeiro avanço do álbum, e ainda um outro tema solto que lançaste, “Nosso Lema”. Fala-nos dessas faixas. 

“Cada Um”: não é que seja das principais musicas do álbum, ou das que eu mais goste, mas acho que era a música que devia sair para a rua como forma de apresentação do álbum. “Nosso Lema” tem um instrumental “vigarista” produzido pelo JayV.8125. Este tema também foi gravado no Artesanacto — já estava gravado antes do “Cada Um” e decidi carregá-lo na minha página pessoal do Youtube com um vídeo feito por mim. Depois, como referi em cima, o álbum Aquém-Mar só terá instrumentais produzidos pelo Artesanacto.

 


Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira