Subterrâneos #9

[TEXTO] Gonçalo Oliveira [ARTWORK] João Guapo/Dialogue.pt

Os carris estão gastos e enferrujados, maquinistas cansados e revisores nem vê-los. A toda a hora, gente entra e sai numa correria infernal de quem tem pressa em ir para longe. Os seus pés já conhecem o caminho, entre movimentos mecanizados como o folhear do jornal gratuito, a validação do titulo de viagem ou a paragem na fila de espera para sair do terminal por uma cancela.

Em Subterrâneos vão encontrar um grupo, cada vez maior, de pessoas com um propósito especial para embarcar nesta viagem. Não compram bilhete, tentam saltar por qualquer lado como quem quebra as barreiras estéticas de um beat para dar lugar a linhas musicais ousadas que se vão ouvindo entre os mais diversos ruídos produzidos pela máquina. Apreciam a viagem calados, pois é no escuro e no silêncio da multidão que dão à luz letras venenosas abraçadas a uma entrega total do MC ao seu instrumental.

Aqui podem sentir a terra a abanar juntamente com o calor, as faíscas ou a ausência de luz por quebras da corrente eléctrica. Afinal de contas estamos abaixo do solo e todo este choque cultural e intelectual funciona como duas placas tectónicas que se movimentam enraivecidas com a vontade de expulsar todo o magma que por entre elas passeia, calmo, à espera do momento certo para explodir ao vir ao de cima.

Esta é a viagem pelos cenários underground do hip hop.

 

[TRACKLIST]

[SP Deville] Mil Mentiras
[SP Deville] Até Morrer
[SP Deville] Mais Pedro…
[SP Deville] Ex-Cravo
[Xksitu] Na Zona
[dB] Joey Bada$$
[dB] Esta Cena
[dB] Rapérage De Pu$$y
[dB] #150 mL
[dB] Marque$ Gome$
[Taseh] Caramella Peak
[Metamorfiko] Virus Comma
[L-ALI & VULTO.] Estranho Lamento
[Razat] Beverage
[Stereossauro] Hazy
[Holly & Sokos] Dunno
[PESCA] Contraplacado

Gonçalo Oliveira

Gonçalo Oliveira

Filho bastardo do jazz e da soul que encontrou no hip hop uma nova forma de abordar linguagens musicais perdidas no tempo. Não tem uma música favorita porque Jimi Hendrix e J Dilla nunca trabalharam juntos.
Gonçalo Oliveira