Stormzy no SBSR’18: quem é que vai pará-lo?

[TEXTO] Alexandre Ribeiro [FOTOS] Sebastião Santana

Não deixa de ser curioso: o nome que mais queríamos ver no último dia do Super Bock Super Rock apareceu em circunstâncias especiais. Stormzy substituiu Jorja Smith e apresentou-se às 20 horas no palco principal de uma programação que não tinha nada a ver com ele. Ou seja, estavam todas as condições reunidas para assistirmos a um momento menos bom. Spoiler alert: correu tudo bem.

Para muitos seria mais um “jogo” para cumprir calendário, mas o rapper britânico não sabe o que é isso e, em pouco menos de uma hora, deslumbrou com uma entrega agressiva que, tal como ouvimos em disco, também sabe encontrar um equilíbrio nos momentos mais despidos e lentos. Depois do aquecimento necessário do seu DJ — ouviram-se muitos temas de Skepta durante 10 minutos e a inevitável “God’s Plan” –, o autor de Gang Signs & Prayer atirou-se a “First Things First”, “Cold” ou “Mr Skeng” e aqueceu uma audiência dispersa e que ainda estava a perceber o que se passava à sua frente.

De salutar o acompanhamento visual, uma preocupação estética que, sem ser exuberante, acrescentou algo. Algumas quotables do disco de estreia aparecem em branco num fundo preto: “Ain’t dropped nothing for a minute. I’m fine”, “Who’s gonna stop me? You? Him?”, “This is God’s plan, they can never stop this”, “Don’t talk bad if you don’t talk facts “, “When you hear this I hope you feel ashamed” e “All my young black kings, rise up man, this is our year”. Noutros momentos, a estética mais lo-fi do grime apoderou-se dos ecrãs: foi possível ver uma espécie de estátua de pedra de Stormzy a explodir e a transformar-se numa pequena moldura que continha lá dentro as imagens em directo do que se estava a passar no palco. 

As nossas preocupações foram de encontro às do próprio artista. Na sua primeira vez em Portugal, Stormzy revelou que não tinha ideia do que iria encontrar cá e expressou a sua surpresa com a grande recepção que teve por parte do público que contou com as presenças de nomes como Regula, DJ Big ou DJ Kwan. O grime, uma expressão artística e cultural tão específica de uma região, não encontrou barreiras e uma pequena armada inglesa (a “energy crew”) na frontline do concerto ajudou a espalhar a mensagem. E sim: os moshs também aconteceram lá na frente.

Houve tempo ainda para a dispensável remistura de “Shape Of You”, faixa original de Ed Sheeran, e para a recomendável “Cigarettes And Cush”, que mereceu uma cómica introdução em vídeo. Porém, o pico de energia aconteceu com as musculadas “Bad Boys”, “Big For Your Boots” e “Shut Up”. Antes de se despedir de vez, prometeu que iria voltar. É um até já.