Stereossauro reinventa José Afonso


[FOTO] Aidan Kless

Juntar a música de José Afonso, James Blake, Valete, DJ Shadow, Sérgio Godinho, Rage Against the Machine e Public Enemy parece uma missão impossível, mas, nas mãos do artesão certo, tal ideia pode transformar-se numa bela homenagem a um dos grandes nomes da cultura portuguesa.

Stereossauro, um dos mestres do DJing nacional, atirou-se à discografia de Zeca Afonso e colocou-a ao lado da de outros “lutadores”, artistas que utilizam a palavra e o som para se emanciparem e reclamarem uma liberdade que nem sempre está ao alcance de todos.

O Rimas e Batidas publica, em exclusivo, a mix que Stereossauro assina como homenagem a José Afonso no YouTube (no início do artigo) e SoundCloud (fim do artigo). Aproveitámos a ocasião para estar à conversa com o membro dos Beatbombers e falar sobre o primeiro encontro com as canções do cantautor ou o sucessor de Bombas em Bombos:

 



[O nascimento desta mix]

“Esta mix surge aquando do convite do festival Literário Internacional de Óbidos – Folio. Já lá tinha tocado no ano passado, e este ano voltaram a convidar-me e desafiaram-me a interpretar a temática desta edição, que era ‘Revoluções’. Também tinham umas edições especiais do Zeca Afonso. Fui eu e o Júlio Pereira que actuámos nesse dia. Só porem-me a tocar no mesmo palco e com a mesma temática que o Júlio foi altamente. Construí este set em 2 dias, sempre com a revolução em mente, mas sem ir por caminhos muito óbvios e a tentar que a sonoridade fizesse sentido para mim. Eu gosto muito de trabalhar assim: explorar conceitos e ideias. Há sempre coisas random que são muito interessantes, mas regra geral prefiro sempre ter uma ideia e explorar os contornos à volta disso.”

 



[O significado da música de Zeca Afonso para o DJ e produtor]

“Se tirarmos o lado político, a música dele continua a ser muito rica: muitos ritmos diferentes e melodias muito bonitas. Acho que alguém que não perceba a língua portuguesa nem o contexto político da música dele pode facilmente gostar apenas pela sonoridade, mas não podemos ignorar o contexto politico da sua música. E é aí que ganha uma força… incrível, coisa fina mesmo.”

 



[O primeiro encontro com a música do icónico músico português]

“Acho que, como todo e qualquer português, começamos a ouvir falar do Zeca desde muito cedo, seja pela família ou amigos, TV ou rádio. As referencias ao Zeca são várias, mesmo agora, em 2017, acho que a música dele está muito presente, ou pelo menos as letras cada vez fazem mais sentido outra vez. Qualquer ‘puto’ de hoje já ouviu falar do Zeca, depois cabe a cada um ter a curiosidade de ir investigar. Se és português, vives em Portugal e nunca ouviste sequer falar do Zeca Afonso, não és deste mundo. Algo está errado…”

 



[O disco favorito]

“Nem consigo responder… Tem tantos e tão bons: Cantares do Andarilho, Cantigas do Maio, Eu Vou Ser Como a Toupeira, Venham Mais Cinco… Qualquer um destes pode ser o meu preferido.”

 



[O sucessor de Bombas em Bombos]

Estou a trabalhar num LP 100% inspirado e com samples de Fado. É algo muito pessoal e estou completamente submerso nessa sonoridade. Já tinha começado antes do LP de Beatbombers. São coisas que tenho vindo a experimentar já há alguns anos e agora chegou a altura de por isso em prática mais a sério. Não estou a fazer isto sozinho, tenho vários convidados, mas não quero falar muito sobre isso antes de estar feito para não dar azar!

 



[Colaborar com MCs portugueses]

“Eu gravo frequentemente scratches para malhas de rap. Mais recentemente gravei para o Scorp, Fuse, Puro L, Bdjoy e B Skilla. Sobre criar uma mixtape com um MC: há vários que curto bué, mas gostava de trabalhar com o Dillaz.”

 


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